
O cinema já vinha se democratizando desde o advento das câmeras portáteis, hi-8 e câmeras de vídeo. Filmar há muito tempo deixou de ser uma arte dominada por especialistas. Agora, com a internet, todo mundo virou Spielberg ou Tarantino. Menos, claro. Talvez um Lars von Trier. O que significa tornar o cinema de autor economicamente viável. A maior revolução da internet foi, como bem define a agência americana Go Viral: "Welcome to the Media Youcracy, good bye to Media Feudalism". Agora, todas as facilidades são colocadas em suas mãos para que você se torne um autor. Isso está fomentando o renascimento da criatividade no mundo. Porque uma idéia medíocre é instantaneamente deletada.
A linguagem publicitária rebuscada, sofisticada, clipada e vazia, só "bonitinha" e com todos os cacoetes da moda, já não é aceita pelo consumidor, seduzido pelo tom realista, cinema-verdade e altamente criativo dos virais. Aliás, essa linguagem, que só se concretizou com a internet, há muitos anos é perseguida pelos diretores de longa-metragem. Do neo-realismo italiano do pós-guerra ao fenômeno A Bruxa de Blair. Daí a tendência "reality" de hoje em dia, jornalística, cinema-verdade. Isso vale para tudo - novelas, minisséries e comerciais. Atenção, isso não é moda. Orson Welles gastou 70% do orçamento de A Marca da Maldade no primeiro plano-seqüência do filme. Porque queria realismo. Quem assistiu, no ano passado, ao filme Miami Vice, de Michael Mann, sabe do que estou falando. Não se trata de defender o trash, o malfeito. Forma em comunicação deveria ser assunto estritamente técnico e não estético. O filme deve ter a forma pertinente à sua idéia. Vejam o caso de Dove. O tipo de modelos usados hoje em dia, o Grand Prix em Cannes no ano passado: um viral.
O cinema sempre foi considerado uma arte coletiva. John Cassavetes e Robert Altman, por exemplo, tinham um sistema de trabalho parecido, onde até os atores eram co-autores dos seus diálogos e da música dos filmes. Claro que cada diretor com suas manias. Mas o diretor-ditador hoje em dia não tem mais lugar no mundo da comunicação.
Estamos vivendo a era da migração de grande fatia das verbas publicitárias para o brand entertainment. Exemplos disso, que todos já viram: os sites da Pirellifilm e BMW. Lindas peças de entretenimento produzidas por Ridley Scott e dirigidas por Atoine Fucqua, John Woo e Guy Richie, entre outros. Qual diretor de cinema publicitário não se encanta com o longa O Náufrago, com Tom Hanks? Talvez o mais fantástico comercial já feito, na história da propaganda mundial. Exatamente porque não parece o que ele é: um comercial.
@2008 MEIO & MENSAGEM