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Com foco em ser uma parceira de negócios dos clientes, a independente Nitro, fundada em Xangai em 2002, prepara sua entrada no Brasil, após abrir operações em Londres, Nova York e Austrália


O fundador da Nitro, Chris Clarke

Ser global a partir da China. Essa premissa é levada ao pé da letra por Chris Clarke, australiano de Melbourne que fundou a Nitro em 2002, em Xangai, para atender a um pedido de seu cliente inaugural, a Mars. “Há uma demanda dos clientes para essa atuação global, principalmente em mercados emergentes. A experiência na China demonstrou isso, pois os mercados desenvolvidos estão saturados”, diz.

A grande diferença é que a Nitro é uma rede de agências globais de pequeno porte se comparada às redes globais tradicionais pertencentes aos grandes conglomerados de comunicação. “Nosso crescimento é orgânico e não necessitamos de grandes estruturas, pois nosso modelo prevê que tenhamos sempre pessoas seniores no contato direto com os clientes, o que não é possível nas grandes redes internacionais.” O escritório de Nova York, onde hoje Clarke está baseado, possui cerca de 50 pessoas.

Além da China, atualmente a empresa possui “hubs” em Londres, Nova York e Austrália. O próximo e iminente passo é a abertura de uma base em São Paulo. Até o fechamento desta edição, em meados de abril, estava dada como certa a associação da Nitro com Santa Clara, agência com a qual está negociando desde outubro passado, quando Clarke veio ao Brasil conhecer algumas agências locais.

A operação brasileira será responsável pelo atendimento de seus clientes globais em toda a América Latina. O primeiro deles é a Volvo, conta conquistada em maio de 2007 em uma concorrência na qual a Nitro se saiu vitoriosa para todos os mercados fora os Estados Unidos — a Arnold Communications, pertencente ao Grupo Havas, ficou com o atendimento no mercado norte-americano. Em um segundo momento, Chris Clarke planeja atender também aqui seu cliente histórico, a Mars, conta hoje na carteira da AlmapBBDO.

Nestes seis anos de operação, a Nitro está crescendo expressivamente. Além dos já citados, fazem parte da carteira da agência clientes como Unilever, Kraft, Coca-Cola e Nike, para quem desenvolve campanhas para o mercado russo, o próximo alvo de uma operação da Nitro, assim que a situação no Brasil for definida. Chris Clarke evita comparações com outras agências independentes ou hotshops, muitas das quais fazem parte deste projeto, como Mother, StrawberryFrog, Taxi e Anomaly. Para ele, sua empresa tem um diferencial que as demais não possuem: atuação global. Segundo Clarke, as duas agências que cita como exemplo e referência para a atuação da Nitro são a Wieden + Kennedy e a BBH. “A participação que a Publicis tem hoje na BBH não comprometeu o perfil da agência e não a fez perder sua essência. Ambas são de fato independentes e globais com clientes expressivos. E essa equação nós também temos.”

Inovação

Para Clarke, em vez de se posicionar como butique criativa, assim como suas concorrentes diretas o fazem tão bem, prefere que a Nitro seja percebida como uma parceira estratégica de negócios. “Nossos concorrentes são empresas como uma FutureBrand, se eles fizessem comerciais de TV, ou uma McKinsey, caso eles atuassem no mercado publicitário. Não estou inventando nada diferente do que David Ogilvy e Leo Burnett já faziam há muito tempo, só que percebo que as agências hoje perderam muito espaço como estrategistas criativos de negócios para se tornarem meros executores de ações de comunicação”, diz.

Dentro dessa visão, a Nitro desenvolveu como posicionamento ser “o sócio criativo dos negócios dos clientes”. “Nosso trabalho tem início com uma compreensão aprofundada dos consumidores do cliente e, posteriormente, com a integração desse conhecimento à estratégia do negócio. A missão da empresa é disponibilizar estratégias criativas e soluções inovadoras que gerem impactos positivos nos negócios de seus clientes. Nossa remuneração é variável conforme esses resultados”, afirma. Questionado sobre as limitações que esse modelo teria no Brasil, já que o sistema aqui prevê a compra de mídia integrada à criação, além de uma predominância muito grande da mídia de massa, Clarke afirma que, de fato, faltam em alguns mercados formas mais objetivas de mensurar o resultado das estratégias e ações de comunicações propostas pela agência. Ao mesmo tempo, ele vê nisso um diferencial importante para confirmar a trajetória bem-sucedida da Nitro. “Qual é o preço da inovação? Como cobrar por uma idéia? Se você tem uma idéia e pode de alguma forma aferir que a partir dela houve um efeito positivo no negócio do cliente, você estabelece uma relação de confiança”, pontua.

Uma das pontas-de-lança da estratégia de atuação da Nitro é a busca por inovação tanto na abordagem como na detecção do problema. Para isso, a empresa conta com um braço de tendência, chamado Left Blue Sky, cuja tarefa dos profissionais é muito mais voltada a diagnosticar os problemas dos clientes e desenvolver planos de negócios que muitas vezes não envolvem a comunicação. “As pessoas que trabalham conosco são multidimensionais, com forte espírito empreendedor e entendem de marcas, não necessariamente de publicidade”, diz.

Trajetória de empreendedorismo

A história empresarial de Chris Clarke está muito ligada ao cliente inaugural da Nitro, a Mars. No início da década de 90, atuava como diretor de comerciais e não gostou de um roteiro que recebeu para filmar, feito pela então agência do

cliente. Sugeriu algumas mudanças, que foram rapidamente aprovadas, e se iniciou ali uma relação que se mostrou bastante frutífera. Em 1993, abriu sua própria agência, a Pure Creative, em Melbourne, cujo primeiro cliente foi exatamente a Mars, passando a trabalhar depois também para Procter & Gamble, Coca-Cola, Bristol Meyers Squibb e Ministério do Turismo da Austrália.

Foi nesse período que começou também a desenvolver trabalhos para a Ásia, e mais especificamente a China. Em 2000, sua agência foi vendida para a DMB&B, que à época pertencia ao Grupo Bcom3, logo depois comprado pelo Publicis Groupe.

“Depois desse processo resolvi nunca mais voltar a atuar em publicidade. Mas nunca diga nunca. De novo, minha relação especial com a Mars me fez ver a possibilidade de ter novamente minha agência”, conta. Dessa vez, o cenário escolhido para a abertura de seu negócio foi Xangai, em 2002. Nascia ali a Nitro, responsável pelo lançamento no mercado chinês das marcas de chocolate Dove, M&M’s e Snickers.

Dois anos depois, com a conquista de novos clientes de atuação global, a expansão se fez necessária para os dois principais mercados, respectivamente, dos continentes americano e europeu: Nova York e Londres. Esse processo ocorreu praticamente ao mesmo tempo. Neste último, adquiriu primeiramente a então recém-criada agência Soul, formada por ex-funcionários da BBH. Em 2005 comprou a empresa de below the line River Communications e, no ano passado, a agência especializada em marketing digital Mook. Nos Estados Unidos, adquiriu a agência local AKA. “Agora é hora de continuar essa expansão global, desta vez para São Paulo e Moscou. Esses dois mercados são nossas prioridades no momento, sendo que em São Paulo deveremos entrar por meio da compra de participação de uma agência local e na Rússia começaremos uma operação do zero, pois o mercado publicitário lá não é amadurecido como no Brasil”, explica.

Perfil da Nitro

Ano de fundação: 2002
Presidente e fundador: Chris Clarke
Mercados nos quais atua: Xangai, Nova York, Londres e Melbourne
Próximos mercados: São Paulo e Moscou (previsão de abertura para 2008)
Principais clientes: American Express, Nike, Inbev, L’Oréal, Diesel, Kimberly-Clark, Sony Playstation, Bacardi, Foot Locker e Royal Bank of Scotland
Contas clientes globais: Mars, Kraft, Volvo, Unilever e Coca-Cola

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