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Gente que não entende nada de propaganda é boa referência

Continuo achando que o melhor professor de propaganda ainda é a vida. Ao contrário do que se pensa, as pessoas são mais movidas por emoções do que pela lógica. Se a gente observar como elas se comportam, como se comunicam, como vivem, isso pode ser uma excelente escola. Descobrir o que existe por trás dos melhores comunicadores, das músicas, dos filmes e das novelas que fazem sucesso. Conversar com gente que não entende nada de propaganda pode nos ajudar a entender melhor a nossa profissão.

É preciso conhecer o que já foi feito, porque é passado

A internet é sem dúvida uma imensa fonte de informação. Hoje, por exemplo, dificilmente você vê alguém bem informado que não entre no Google todo dia para procurar alguma coisa. Os sites de vídeo e de música também são outra fonte importante de informação. Mas não é por isso que os anuários e os festivais não têm valor. Eles servem como registro, como documento do que já foi feito, como exemplo de projetos muitas vezes inteligentes ou com grande qualidade de produção. E também servem para mostrar que devemos nos renovar sempre, pois a força da comunicação continua sendo a surpresa, a originalidade. E o que já foi feito, por melhor que tenha sido feito, é passado.

Tempo é raro. Mais pressa, menos capricho.

Para se criar uma coisa realmente original é preciso não apenas talento, mas também tempo. E isso está cada vez mais raro nas agências, com mais trabalho do que equipe, com mais refação do que criação, com mais pressa do que capricho. Sem dúvida, esse é um dos motivos para nossa propaganda não ser tão brilhante hoje como já foi no passado. Esse modelo também torna mais difícil a pessoa sair do mundinho da propaganda e ir buscar idéias novas fora dela no seu tempo de folga.

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Guilherme Jahara