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Em três anos, agência desponta como a principal hotshop da América Latina e acaba de abrir escritório em Londres para atender à demanda global


Os sócios Maxi Anselmo e Seba Wilhelm

Ao completar três anos, a Santo se insere efetivamente no mercado global de publicidade com a recente abertura de seu escritório em Londres. Criada pelos sócios Maximiliano Anselmo e Sebastian Wilhelm — mais conhecidos como Maxi e Seba —, em janeiro de 2005, a agência instalada em um charmoso galpão localizado no limite entre os bairros de Palermo e Vila Crespo, em Buenos Aires, é a materialização de um projeto amadurecido por um bom tempo pelos dois profissionais que haviam trabalhado juntos nos anos 90, na Agulla & Baccetti, o celeiro de boa parte da nova geração de criativos do país.

Com a crise econômica argentina, cujo auge se deu entre os anos de 1999 e 2001, vários profissionais de criação do país mudaram-se para a Europa — especialmente Espanha e Inglaterra — em busca de melhores oportunidades. Seba foi um deles. No início da década atuou na Mother, de Londres, e na Wieden + Kennedy, de Amsterdã.

Maxi, por sua vez, permaneceu na Argentina. "Eu tive medo de perder a essência. Eu falava com os amigos que tinham ido para a Espanha e com outros que tinham ido para outros países e eles haviam se "desargentinizado" um pouco. Para mim, alguém que tem essência é alguém que tem algo a dizer, e se eu perdesse isso não teria nada a dizer", explica.

Passada a crise, Seba voltou a Buenos Aires e logo depois o projeto da dupla se materializou. "A Santo é a resposta a tudo o que a gente não gostava. Fizemos uma lista de todas as merdas da publicidade e estamos tratando de ficar longe de algumas delas", diz Maxi, que é diretor de arte por formação. Uma das coisas dessa lista que os sócios da Santo procuram evitar na agência é a falta de transparência. E essa postura mais aberta se reflete na relação com os clientes e, especialmente, com os talentos que fazem parte do enxuto time de 24 funcionários da agência.

"A verdade é que todos estão comprometidos e apaixonados pelo que fazem. Sermos poucos é muito bom. A Santo é muito aberta, as finanças da agência estão disponíveis para todo mundo. Todos aqui sabem quanto a Santo cobra e quanto ganha e, assim, repartimos uma parte dessa receita com os empregados. Se a empresa vai bem, todos têm que estar indo bem também. Eu convivi com essa coisa de o dono da agência comprar uma Ferrari com o dinheiro que ele ganhou graças à minha campanha, que eu fiz no fim de semana. Eu não quero que os funcionários da Santo sintam isso."

Ao saber o que evitar, a partir de experiências anteriores, Maxi e Seba também se inspiraram, por outro lado, em várias agências e profissionais que admiram para criar uma empresa com identidade própria: "Muitas agências nos inspiraram e vários criativos também: Wieden + Kennedy, KesselsKramer e Washington Olivetto, por exemplo. Procuramos fazer uma agência que fosse uma espécie de mescla de diversas coisas que nos inspiraram".

Olhar para fora

Um dos fatores que explica em parte o rápidosucesso da Santo é o fato de ser voltada para o mundo. "A agência está em Buenos Aires, mas Buenos Aires está no mundo. Fizemos a empresa aqui porque nossas famílias estão aqui, mas ela poderia estar em qualquer lugar, poderia estar no Rio ou em Amsterdã. Tivemos a sorte de Buenos Aires ser uma das capitais globais. E a globalização não é um jogo de países, é um jogo de cidades. É Buenos Aires que eu vejo nesse mapa, não a Argentina. E isso eu acredito que ajudou muito a Santo."

Além disso, segundo Maxi, faz parte da personalidade do argentino estar atento ao que ocorre na Europa. "Uma parte de ser argentino consiste em estar às margens do Rio da Prata olhando a Europa. Isso é ser argentino, é estar olhando pela janela para ver o que acontece lá fora."

Essa característica de internacionalização já foi dada logo na largada da agência, ao ganhar uma concorrência global conduzida pela sede da Coca-Cola, em Atlanta, antes mesmo de ter uma sede. O projeto vitorioso para um job da Coca-Cola Light, que bateu concorrentes formados por grandes redes globais, foi, nas palavras de Maxi, criado em uma mesa de bar.

"Ao ter colocado em um mesmo nível dois indivíduos em um bar e equipes enormes de grandes agências, a mensagem que a Coca-Cola está nos dando é: 'Queremos uma idéia, meninos, todo o resto é besteira'".

Desde então, a trajetória da agência é ascendente. Rapidamente, começou a desenvolver também trabalhos para a Unilever, e hoje tem as contas das marcas Ala e Lux da multinacional anglo-holandesa.

"Pensávamos que os primeiros clientes que iam nos chamar seriam as lojas aqui de perto, e o que descobrimos foi que, na verdade, os grandes clientes são muito mais audaciosos do que os pequenos. Sinto que eles dizem: 'Eu já tenho tudo; a única coisa de que necessito é uma idéia, e uma idéia pode ser pensada por um senhor em um bar. Eu não preciso de uma agência com elevador e uma sede enorme para que me tragam uma idéia".

O projeto em questão, responsável pelo início da trajetória bem-sucedida da Santo, teve início com o comercial "Aplauso", que comunicou o relançamento de Coca-Cola Light, em 2005. A idéia do filme era estimular as pessoas a experimentar o novo. O aplauso foi a metáfora para identificar pessoas que tomaram atitudes e mudaram a direção da sua vida.

Tendência sem volta

Na opinião de Maxi, a tendência de grandes anunciantes globais passarem a adotar esse modelo de trabalho, de contratar pequenas agências ao redor do mundo responsáveis pela estratégia criativa e de incumbir suas redes globais da execução e adaptação nos diversos mercados, é uma tendência sem volta.

E é essa certeza que fez a Santo abrir o escritório em Londres. A entrevista com Maxi foi realizada no final de novembro, antes de essa notícia vir a público. Esse movimento está sendo feito com muita cautela, e Maxi evita falar sobre isso em contatos mais recentes por e-mail.

Apenas cerca de 30% da produção da Santo é voltada para o mercado local. Todo o restante tem como foco o mercado internacional. Para a Unilever, a agência trabalha para Ásia e Europa, e para a Coca-Cola, Estados Unidos, Europa e América Latina. Os clientes argentinos são a Telecom, a Arnet (provedor de acesso à internet em banda larga), o jornal Clarín e a marca de vinhos Navarro Correas. "Agora só nos falta um cliente brasileiro", brinca Maxi.

Modelo de atuação

A estrutura enxuta da Santo contrasta com a visibilidade em alta que a agência rapidamente adquiriu ao longo de sua curta trajetória. Mas ela é suficiente para dar conta da demanda de seus clientes, já que a agência executa apenas a criação de conceitos e campanhas, pois o modelo econômico do mercado publicitário vigente na Argentina separa as agências entre as dedicadas à criação e as que fazem o planejamento e veiculação de mídia.

"Trabalhamos com projetos fechados em alguns casos, pelos quais recebemos pontualmente. Em geral, quando esses projetos são aprovados continuamos a atender esses clientes", explica Maxi.

O sócio da Santo conta que sua equipe é formada basicamente por criativos. "São criativos que também fazem o planejamento em alguns casos. O planejamento na agência não está restrito a uma pessoa apenas. Temos também alguns profissionais que atendem os clientes e a produção", diz.

"Nossa estrutura é enxuta porque não fazemos muito o trabalho do dia-a-dia, um anúncio de varejo, um folheto, uma brochura, por exemplo. Eu digo realmente ao cliente: Quer fazer um folheto? Eu te levo a uma agência de folhetos muito boa. Prefiro perder o negócio dos folhetos a fazê-lo mal, porque esse não é o nosso foco", ressalta.

Maxi é otimista quando se trata da sobrevivência da mídia tradicional em relação ao avanço do mundo digital. "Na verdade, o que vale é o conteúdo. Se ele vai ser veiculado na internet, no celular ou no cinema não importa, o que as pessoas querem é continuar vendo boas histórias. No futuro, nós faremos isso em outros lugares."

Perfil da Santo

Ano de fundação: 2005
Sócios: Maxi Anselmo e Seba Wilhelm
Sede: Buenos Aires
Outros escritórios: Londres
Principais clientes: Coca-Cola, Unilever, Telecom, Arnet, Clarín, Navarro Correas

Filme Linguagem - Coca-Cola (Eurocopa 2008)

Filme Aplausos - Coca-Cola

Campanha Todos por um Pelo - Arnet

Campanha Provocateur, criada para Lux

Imagens da campanha Rivalidades para Coca-Cola

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