Opinião: Tecnologia, realidade e ética

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Opinião: Tecnologia, realidade e ética

Nos âmbitos pessoal e corporativo, o propósito não deve ser o de estarmos limitados a uma segunda vida virtual, mas sim o de oferecer uma primeira vida que use o digital como um ótimo complemento


23 de fevereiro de 2016 - 5h48

(*) Por Karina Israel

A foto polêmica de Mark Zuckerberg na MWC 2016 – caminhando tranquilamente enquanto centenas de jornalistas encontravam-se absolutamente distraídos e imersos numa experiência de realidade virtual – mexeu com os alicerces das redes sociais esta semana.

A cena foi imediatamente associada ao filme Matrix, onde a humanidade vive numa completa virtualidade, sem consciência do seu estado e absolutamente distante da realidade. Alguns internautas apontam que já estamos vivendo como “mortos-vivos”, aos estarmos grande parte do nosso dia com os olhos afundados na tela de um smartphone sem perceber o mundo a nossa volta.

Se o executivo do Facebook buscava visibilidade para seu lançamento, ele certamente conseguiu. Sua entrada foi realmente marcante. Mas conseguiu também e sem querer, provocar uma ótima reflexão do que desejamos para o nosso futuro e como podemos conciliar uma vida feliz, uma vida saudável com o potencial das tecnologias emergentes.
Como seres humanos queremos a vista das montanhas, o cheiro da terra molhada, o sabor do pastel de feira, o calor do abraço. Como seres em evolução queremos usar a tecnologia a nosso favor, garantindo conveniência, proporcionando experiências únicas, aproximando distâncias, conhecendo o inexplorado, ampliando nossas potencialidades. 

Como compatibilizar estas duas facetas nos tempos de hoje? Será que estamos preparados para conciliar tudo isso? Conseguimos perceber os limites?

Este questionamento existe no âmbito pessoal, mas também corporativo. As empresas que desenvolvem e impulsionam a evolução tecnológica devem ter responsabilidade e uma visão de ética sobre o resultado de seu trabalho. A tecnologia não deveria ser usada para substituir a realidade e sim para maximizá-la, trazendo oportunidades exponenciais para a nossa vida real. O propósito não deve ser o de estarmos limitados a uma segunda vida virtual, mas sim o de oferecer uma primeira vida que use o digital como um ótimo complemento.

A discussão pautada sobre imagem de Zuckerberg, repleta de temores de que o futuro venha a ser um simulacro de experiências fantásticas só que irreais, é válida e pertinente. A ciência e a tecnologia são campos com enormes dilemas éticos, com temas que vão da clonagem de animais extintos aos ciborgues, a fusão do homem e da máquina conduzindo à imortalidade eletrônica, o avanço da inteligência artificial ao ponto dos homens possuírem robôs para todas suas tarefas domésticas e profissionais ou o reverso, um cenário onde máquinas poderiam escravizar os homens.

Convido você, um ser humano em evolução e um profissional responsável, a retirar os olhos da tela do computador ou do smartphone e pensar, mesmo que por alguns minutos, como deseja ver o uso da tecnologia em sua vida, antes que outros decidam por você.

(*) Karina Israel é diretora-executiva da YDreams
 

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