“Hoje é dia do rock, bebê”

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“Hoje é dia do rock, bebê”

Publicitários e profissionais do mercado contam como o estilo musical influencia no repertório e na busca por insights


13 de julho de 2017 - 8h30

Por Bárbara Sacchitiello* 

Inquietação, atitude, questionamentos, busca por novidades. Essas características cabem bem em uma bancada de criação. Assim como se encaixam perfeitamente no estilo musical que extrapolou a esfera do ritmo e tornou-se parte da cultura e do estilo de vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

Nesta quinta-feira, 13 — data que, na década de 1990, foi escolhida por emissoras de rock do Brasil como o Dia Mundial do gênero musical, em referência ao Live Aid, realizado no mesmo dia de julho em 1985 — a reportagem foi em busca de profissionais de publicidade que têm o estilo musical em um patamar especial em suas vidas e, até mesmo, no dia a dia da profissão. Entre os entrevistados, é comum a certeza de que a conexão das batidas do rock com a emoção das mensagens publicitárias com os consumidores possuem uma forte sinergia.

“Meu lado mais inquieto e o impulso por buscar sempre inovação e novidade nos canais de mídia em muitos trabalhos que desenvolvi ao longo da carreira, certamente foram aguçados pela inquietude do rock”, conta Luiz Fernando Vieira, vice-presidente de mídia da Africa, que tem o rock’n roll como parceiro diário desde os 13 anos de idade. “Foi nessa fase que comecei a tocar guitarra, atividade que só interrompi por dois anos, quando não conseguia conciliar faculdade e trabalho”, recorda.

 

Luiz Fernando Vieira, em ação no República (Crédito: Divulgação)

Na opinião do executivo da Africa, muito do que se vê na propaganda hoje foi inspirado no universo do rock. “Temos diversos exemplos de campanhas com trilhas de rock ou, então, inspiradas no universo do gênero que são atemporais e marcantes. Na Africa, por exemplo, tivemos dois cases muito emblemáticos desse tipo, que destacaram o rock nacional: os clipes de “Exagerado”, do Cazuza, e de “Eduardo e Mônica”, da Legião Urbana”, destaca Vieira.

É no tempo que está fora da agência, no entanto, que o profissional mais vivencia o rock. Há alguns anos, Vieira e outros amigos criaram o República, um projeto artístico que já o levou ao palco do Rock in Rio e que, no final deste ano, colocará o grupo para abrir três apresentações de Alice Cooper, na Europa. “Há algum tempo fizemos uma mudança na estratégia da banda e passamos a cantar em inglês. A partir daí, a visibilidade aumentou e os shows também”, conta o guitarrista Vieira que, atualmente, equilibra a liderança de mídia da agência com a finalização do álbum que o República gravou nos Estados Unidos para ser lançado em setembro, quando a banda volta ao palco do Rock in Rio. “Muitas das minhas sensações diárias, vitórias e frustrações no trabalho são levadas para a música e vice-versa. As vezes estou super cansado, mas quando chego no ensaio, tudo fica bem. O rock abre a alma e renova”, acredita.

Para Dogura Kozonoe, executive creative director na Isobar e que também já passou por agências como David e Ogilvy, o Rock sempre influenciou o espírito de independência da publicidade. Atualmente como baixista da banda Volume 11, criada em 2002, Kozonoe se apresenta com frequência e leva o estilo para o seu dia a dia na agência. “O Rock sempre me influenciou com seu espírito ‘Do it Yourself’, de correr atrás das ideias e colocá-las na rua. Acredito que o Rock n’ Roll pode inspirar novos insights, além de te dar um repertório muito interessante na hora de criar. Não é a toa que muitos criativos talentosos também são músicos”, diz Kozonoe.

 

Dogura Kozonoe, executive creative director na Isobar, (Divulgação)

It’s (not) only rock’n roll

Assim como Vieira e Kozonoe, Tiago Ritter também se divide entre a publicidade e os palcos. CEO da W3Haus, o profissional acredita que o ritmo se dilui na cultura da sociedade e, consequentemente, se faz presente na comunicação e na publicidade. Ele ressalta, contudo, que mesmo os mais apaixonados pelo gênero precisam compreender que, tal como qualquer outro elemento da sociedade, o rock também evolui.

“Não concordo muito com o pensamento purista, de que o verdadeiro rock era feito somente nos anos 50 e 60. Rock não é somente Rolling Stones. Temos de buscar inspiração nesses clássicos eternos e entender como os novos ritmos e gêneros o transformaram nos dias de hoje. Essa evolução vale também para a comunicação, onde as fronteiras devem ser ilimitadas, com menos rótulos e mais aceitação das novidades”, pondera.

Na opinião de Ritter, há uma similaridade entre a conexão emocional da música com as pessoas e o poder de uma mensagem publicitária bem executada. “A música toca diretamente nosso sentimento de uma forma muito poderosa. Em nosso trabalho, também temos a função de criar mensagens que conectem marcas e pessoas de maneira genuína. O mesmo radar que uso para captar novos conceitos musicais e tendências também é voltado para tentar encontrar esse caminho de falar com as pessoas por meio da sinergia e emoção”, diz.

 

Tiago Ritter, CEO da W3Haus (Crédito: Divulgação)

Atualmente, o rock faz parte da vida do CEO da W3Haus em duas vertentes. A primeira é na forma do Conjunto Musical Gilez, banda formada com colegas de faculdade como tributo aos clássicos dos anos 50 e 60. “Toco bateria e nos apresentados com figurino também condizente com a época, com direito a smoking e gravatinha”, conta. A banda dos amigos costuma se apresentar em casamentos, festas e eventos.

Outro projeto de Ritter é o Call Me Lolla, uma banda que, em suas palavras, combina “soul, pop e folk”e que já possui um álbum – gravado em Nova York. O grupo, formado por Ritter e pelos amigos Lucas e Brenda Mayer e já fez parte do line-up do South by Soutwest em 2015.

*Colaborou Luiz Gustavo Pacete

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