“Serei defensor da cultura da DM9”, diz CEO da SunsetDDB

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“Serei defensor da cultura da DM9”, diz CEO da SunsetDDB

Após anúncio da fusão entre Sunset e DM9, Guto Cappio detalha a integração das agências e conta os planos da nova operação, que terá mais de 400 pessoas

Bárbara Sacchitiello
19 de dezembro de 2018 - 14h36

Guto Cappio irá liderar a nova operação SunsetDDB, que combina a Sunset e a DM9 (Crédito: Reprodução)

A nova SunsetDDB ainda não tem endereço definido. Guto Cappio, presidente da Sunset e futuro CEO da nova operação, terá os próximos três meses para, junto às lideranças do Omnicom e do Grupo ABC, definir se os times da agência ficarão alocados no atual prédio ocupado pela Sunset ou no endereço em que ainda funcionam as operações da DM9. O que está garantido, segundo o executivo, é que as principais lideranças (vice-presidentes e diretores) das duas operações seguem no time. “Não iremos mexer em ninguém. Queremos somar e não fazer cortes”, disse Cappio, em entrevista ao Meio & Mensagem, dada no dia seguinte após o anuncio da fusão entre as duas marcas do Grupo ABC.

Presidente e CCO da Sunset, Cappio fundou a agência há 25 anos. A operação, posteriormente, entrou para o portfólio do grupo ABC e, agora, foi escolhida para encabeçar – e nomear – a fusão com a DM9, que originará a SunsetDDB, que será liderada por Cappio.

Apesar da intenção de preservar as pessoas dos dois times, a nova operação terá apenas um líder geral. Marcio Oliveira, que no final do ano passado foi convidado a assumir o comando da DM9, não seguirá na SunsetDDB. “O Márcio é um profissional excepcional, mas o grupo acabou optando por me manter na liderança”, conta o executivo.

Conforme o comunicado inicial havia indicado, a Sunset absorve praticamente a totalidade das contas que estavam na carteira da DM9 (Baby Johnson, Sempre Livre, Carefree, Sundown e Aveeno, Vigor, OLX, Walmart e McDonald’s) . Algumas já eram atendidas praticamente em conjunto, como é o caso da Johnson & Johnson, em que a Sunset era responsável pelo atendimento digital, enquanto a DM9 respondia pelos trabalhos off-line de algumas marcas do grupo. A exceção é a Perdigão, cuja verba off-line estava na DM9 e não seguirá para a nova casa por questão de conflito: a Sunset é detentora da conta da Seara. “Não iremos atender a BRF, uma vez que já temos Seara em seu portfólio. A conta de Perdigão migrará para outra agência”, afirmou.

Tendo os próximos três meses como o prazo para realizar a integração entre os dois times, Cappio vê a fusão como uma grande oportunidade de oferecer aos clientes um atendimento integrado, em um momento em que, segundo ele, não cabem mais divisões entre online e off-line. Ele defende, aliás, que a integração entre operações tradicionais e empresas digitais são o único caminho possível para o mercado. ‘Se as agências especializadas não se integrarem para participar de todo o ecossistema de comunicação, é possível que elas não sobrevivam em um futuro próximo”, aposta.

Nesta entrevista, o CEO conta como planeja a integração e revela como pretende preservar o legado criativo da DM9, uma das mais icônicas marcas da publicidade brasileira. Confira os principais trechos.

Preparação para a fusão
“Já planejava, há algum tempo, a construção da Sunset como um grande player integrado em um período de três anos, de forma que a agência não se mantivesse apenas como uma agência digital, mas que também pudesse crescer com um atendimento online e off-line. Há cerca de três meses fizemos um desenho de como a DM9DDB traria a possibilidade de acelerar esse trabalho e pensamos que, com a integração das verbas online e off-line das duas agências, certamente teríamos, em alguns anos, uma das maiores agências integradas do mercado. Quando olhamos para a DM9, para tudo o que a agencia representa – uma casa criativa de altíssimo nível, um ícone da publicidade mundial e no Brasil e a casa de todos os criativos do Brasil – pois todos os líderes das grandes agências do País passaram por ela, em algum momento, vimos que seria a combinação perfeita para acelerar nossos planos. Não é a Sunset que está se sobrepondo à DM9 ou vice-versa, mas sim uma soma de líderes, talentos e times. A DM9 faz um trabalho brilhante e a Sunset também vem construindo um novo modelo de relacionamento com seus clientes e uma nova forma de olhar para a jornada do consumidor, independente dos meios.”

Aprovação do board da DDB
“Apresentei essa nova configuração em Miami, para todo o board da DDB, há quase três meses, e entendemos que as duas operações (DM9 e Sunset) eram muito sinérgicas e complementares, pois já operávamos de forma integrada com alguns clientes. Desenhamos a operação para Johnson & Johnson, que é um cliente para o qual compartilhávamos esse modelo integrado há algum tempo. Para mim, na época, ficou claro que isso fazia sentido não apenas para esse cliente, mas para todo o negócio. Então, veio a ideia de integrar essas operações, criando essa nova agencia, que é a SunsetDDB, voltada ao futuro.”

Escolha da Sunset para a fusão
“Dentro do grupo ABC, acho que tenha pesado para a escolha da Sunset o bom desempenho que a agencia teve nos últimos anos, atuando em um mercado crescente de digital e inovação. Estamos crescendo a dois dígitos ano a ano e temos uma operação saudável, com grandes marcas no portfólio e, hoje, a Sunset é uma das operações mais rentáveis do grupo, com um modelo menos dependente de compra de mídia e mais dependente de entregas em forma de compromisso com o resultado do cliente – em que a agência deixa de ser remunerada por meio de uma verba específica e passa a ganhar de acordo com os resultados dos clientes. Esse modelo, bem disruptivo perante nossos mercado, certamente chamou a atenção para a Sunset, fazendo a agência liderar esse processo de fusão.”

Não é a Sunset que está se sobrepondo à DM9 ou vice-versa, mas sim uma soma de líderes, talentos e times.

Fim da marca DM9
“Uma agencia é feita de pessoas, que constroem uma cultura forte. A cultura criativa da DM9 é o maior ativo que a agencia tem. Uma cultura de trabalhos fortes, de ser agressiva na disputa por prêmios, de ter uma habilidade sem igual para o varejo….essa é a cultura que quero permear dentro da Sunset. Sou admirador da cultura da DM9, desde quando ela foi adquirida pelo Nizan (Guanaes) e pelo Guga (Valente) e quero preservá-la entre meus colaboradores, fazendo com que ela seja cultuada e permanece viva dentro da companhia. Serei um defensor da cultura da DM9 dentro da nova companhia para construir algo grande e bacana, continuando a ser uma das agencias mais premiadas do mundo. Internacionalmente, aliás, continuaremos sendo DDB Brazil nas participações em Cannes e outros festivais. Optar pela marca Sunset e não pela DM9 foi uma decisão difícil, pela lembrança e força de marca gigantesca que a DM9 tem. Mas, ainda assim, acreditamos em algo apontado para o futuro e acho que a Sunset representa isso. Apostamos que a marca SunsetDDB, em pouco tempo, irá carregar a mesma força e prestigio que a marca DM9 tem. É uma espécie de passagem de bastão de uma marca para outra, em que a Sunset passa a carregar esse legado criativo, com a responsabilidade de construir um novo caminho no mercado.”

Pessoas e lideranças
“Os times são totalmente complementares. O Marcinho (Marcio Oliveira, CEO da DM9) é um cara excepcional, mas o grupo optou por me ter na liderança. A saída dele é a única grande mudança, em termos de pessoas, neste momento. Somaremos expertise e deixaremos a operação da SunsetDDB mais robusta. Somando as duas operações, temos um total que ultrapassa o numero de 400 pessoas (a DM9 possui quase 200 pessoas, enquanto a Sunset, atualmente, conta com 250 em seu quadro). Há algumas poucas sobreposições, mas os times de liderança certamente são complementares e tenho um compromisso com os clientes das duas operações de manter todo o time da linha de frente. Terei três meses para fazer a integração e vou horizontalizar: o meu líder de criação da Sunset estará no mesmo nível do VP de criação da DM9, a mesma coisa com mídia, atendimento e planejamento. Iremos fazer isso porque todas essas pessoas são importantes para as operações que tocam atualmente com os clientes.”

Nova sede
“Por enquanto, cada equipe continua no seu prédio e devemos começar a integração pelas equipes de cada um dos clientes. Para isso, iremos avaliar o melhor espaço para permanecer nessa nova operação – se será o prédio da Sunset ou o da DM9. Nos dois há espaço de sobra e, ao longo dos próximos três meses, vamos avaliar qual espaço abriga melhor esse novo modelo.”

Contas
“Tínhamos um único conflito de contas entre Seara (da Sunset) e Perdigão (da DM9) e iremos permanecer com a conta de Seara. Não iremos atender BRF uma vez que temos Seara em nosso portfólio e estamos fazendo um trabalho excepcional. A conta de Perdigão, portanto, migrará para outra agência. Conseguimos encontrar uma sinergia grande entre as contas e os clientes da DM9 se encaixaram perfeitamente nas lacunas que tínhamos na Sunset. Estou envolvido diretamente no processo de mostrar aos clientes que tudo será mantido como era, com o acréscimo de um time especializado, que complementará o atendimento, em todas as áreas.”

Demandas dos clientes e movimentos de integração
“A Sunset sofria por estar do lado das agências digitais, mas certamente a DM9, como outras agencias tradicionais, também têm sofrido por serem operações especificamente tradicionais. Na Sunset já tínhamos uma cobrança, por parte dos clientes, de um atendimento mais amplo e integral. Vejo essa situação como um grande risco para as agências especializadas e, na minha opinião, se elas não se integrarem e se estruturarem para participar de todo o ecossistema de comunicação, é possível que elas não sobrevivam em um futuro próximo. A mesma coisa vale para agencias tradicionais, como DM9, Y&R, AlmapBBDO…Não acredito que essas agências sobreviverão se não fizerem o mesmo movimento. Há mais de dez anos passamos pela fase da segmentação, porque o momento pedia uma especialização, uma vez que o digital era novo para todos e diferentes maneiras de entregar esses trabalhos estavam surgindo. Agora, o digital não é mais new media. Então, chegou a hora de repensar o modelo. Basta olhar para nós, como consumidores, o quanto mudamos a forma de nos relacionar com as mídias e marcas e como a tecnologia está intrínseca em tudo o que fazemos. Quando percebemos isso, vemos que é necessário olhar para o plano de mídia e para a forma como atendemos as marcas. Acho estranho bloquearem o Brasil das fusões internacionais que vem acontecendo no mercado. Na verdade, acho um erro, porque as agencias off-line precisam de um fortalecimento do ecossistema inteiro e as digitais dariam esse suporte, fornecendo essa visão mais ampla de atuação. Se faz sentido no mundo, por que não no Brasil? Acho que aqui faz muito sentido e, nós entendemos que duas grandes operações tornariam uma nova agencia integrada gigante, com uma verba enorme, tanto de off-line quanto de online.”

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