Abap e Fenapro apontam caminhos para mercado

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Abap e Fenapro apontam caminhos para mercado

Antônio Dudli, Antônio Lino Pinto e Daniel Queiroz participaram de live da Abap para discutir impactos financeiros da pandemia nas agências

Teresa Levin
6 de abril de 2020 - 16h06

Live promovida pela Abap discutiu impactos financeiros da pandemia nas agências (Crédito: Reprodução)

O diálogo entre os diversos players do mercado é um dos pontos apontados como um possível facilitador para que as agências enfrentem os desafios surgidos por conta da pandemia do coronavírus. Quem defende a ideia é Daniel Queiroz, sócio da Ampla e presidente da Federação Nacional de Agências de Propaganda (Fenapro). Queiroz foi um dos participantes da live promovida pela Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap) nesta segunda-feira, 6, para analisar o impacto financeiro nas agências de publicidade ante o coronavírus. Além dele, Antônio Dudli (CFO do Grupo DAN) e Antônio Lino Pinto (ex-sócio e CFO da Talent) participaram do encontro que integra uma série de debates que a Abap está promovendo para debater junto aos seus associados os reflexos da pandemia no mercado.

“Temos que ser otimistas mesmo em um momento que nos leva ao pessimismo.  O otimismo vai trazer soluções. Precisamos estar mais perto das equipes, clientes, dos concorrentes, olhe para o lado e veja para quem pode ligar, troque uma ideia”, defendeu Queiroz. Em uma crise como a que o mercado passa agora a troca de informações é essencial, para apoiar decisões ou transmitir conhecimento. Na visão do presidente da Fenapro, as médias e pequenas empresas estão sendo muito afetadas e já vivem uma situação crítica. “O impacto do isolamento na economia foi muito grande para o fornecedor chamado agência. Isso mexeu drástica e rapidamente com as perspectivas de receita. Nesta dimensão de cortes que os clientes vem fazendo, é importante que as agências renegociem seu escopo de entrega. Estamos no mesmo barco. Somos relevantes nestes momentos e precisamos encontrar espaço para fazer a negociação necessária, manter a entrega mesmo com o escopo redefinido”, defende.

Lino Pinto alerta que as empresas devem ter um lado de responsabilidade social, pois, embora a razão da existência seja a geração de lucro, qualquer agência depende de equipes, de funcionários e, diante disso, o cuidado na hora de tomar decisões sobre reduções é essencial. “Quem faz uma empresa são os sócios, empregados e equipe. Uma coisa não existe sem a outra. Abandonar os empregados gera um feito dominó e pode criar consequências piores lá na frente”, argumenta, acrescentando que é fundamental ter um diálogo aberto com os funcionários para que eles entendam a situação da empresa. Lino também foi categórico ao defender um foco no controle do orçamento e no fluxo de caixa para ajudar as agências a passarem da melhor forma por este momento turbulento.

No caso do Grupo DAN, há um olhar de mercado global sobre a operação. Com empresas em diversos países, no Japão e na China, por exemplo, a etapa da pandemia é outra e seus funcionários já voltaram aos escritórios em um sistema de carga horária reduzida e com todos os cuidados recomendados para evitar a contaminação por coronavírus. Dudli revela que não houve demissões por conta da pandemia nas empresas do DAN, mas que foi necessário virar o orçamento do avesso para preservar os empregos. O executivo acredita que o atual cenário traz lições e uma quebra de paradigmas. “Como financeiro, sempre tentamos reduzir custos. Hoje, penso quanto de viagens desnecessárias fizemos, quantos táxis e locomoções poderiam ter sido evitados para otimizar inclusive o tempo?”, questiona. Dudli diz que, no DAN, os orçamentos estão sendo revistos o tempo inteiro e os gastos possíveis estão sendo postergados. “Para preservar o caixa. Preciso reduzir custos para manter o time”, aponta.

Para o CFO do Grupo DAN, a solidariedade agora é mais importante do que nunca e o mercado que sairá da pandemia será outro. “Mais forte, vamos nos reinventar e trabalhar de forma diferente”, observa. Queiroz, da Fenapro, também crê em um novo modelo de negócio quando a situação melhorar. “Já discutíamos o home office, por exemplo, e se mostrou possível, fazendo os alinhamentos necessários. Provocou uma revisão de modelos, dificilmente vamos agir como antes, muita coisa irá mudar”, avalia. O presidente da Fenapro diz ainda que, neste momento, todos estão mais propensos a testar caminhos diferentes. “A retomada não será mesmo como antes”, diz.

Sobre os resultados do ano, Queiroz adianta que a Ampla trabalha com uma redução de mais de 50% na receita estimada inicialmente. Mas avalia que algumas empresas médias e pequenas vivem outra realidade e não terão resultado positivo. Lino Pinto faz uma estimativa de que a redução, em média, será mesmo de 50%. “De março a abril já não tivemos movimento e, se não prorrogar as eleições para prefeito, também haverá dificuldade no faturamento à frente”, diz. Apesar disso, alerta que não é a hora das agências pensarem no lucro de 2020. “Mas no que farão para entrar em 2021 e recompor isso. Talvez seja até a hora dos sócios que puderem pensar no que ganharam ao longo dos anos para agora dar algum retorno para as agências. E quando a empresa tiver lucro, aí pode devolver”, sugere. Lino aconselha os empresários a acreditar que esta situação será superada e que mantenham a calma, para não se precipitarem. “Com calma e otimismo, vamos sair dessa, é preciso conversar bastante. E trabalhos como este da Abap ajudam nestas discussões”, conclui.

 

 

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