O que faz um creative data leader?

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O que faz um creative data leader?

Profissional deve unir bagagem cultural e dados para alinhar projetos que envolvem diversas áreas com um mesmo olhar criativo e voltado para os objetivos dos skateholders

Thaís Monteiro
11 de junho de 2021 - 6h00

As limitações impostas pelas leis gerais de privacidade de dados e restrições no uso de cookies de terceiros ou demais identificadores que acompanham a navegação dos usuários ou informam características muito específicas do mesmo têm levado novos desafios para indústria da comunicação. A menor precisão e quantidade de dados coletados vai exigir peças publicitárias mais criativas e, ao mesmo tempo, o mais assertivas possíveis. Nesse cenário, desponta uma nova nomenclatura de um cargo cuja função é reunir todos os insights disponíveis, alinhar as pontas dos projetos e ainda fazê-lo de modo que entregue uma visão diferenciada: o creative data.

 

Content data leader deve monitorar o andamento do projeto em todas as áreas envolvidas, garantir visibilidade dos objetivos e relevância (Crédito: Mimi Thian/Unsplash)

O cargo creative data não é uma posição vista com frequência nas agências. Ela aparece bastante, no entanto, entre colaboradores da Soko. Gabriel “Sukita” Matos é content data leader da agência e entende que a função sempre esteve presente no mercado com outras nomenclaturas, como diretor de criação, planejamento, gerentes de projetos sênior ou diretor de atendimento. Na Soko, o profissional acredita que o cargo atende o propósito dos fundadores, como o CEO Felipe Simi, de ter a agência alinhada ao zeitgeist de forma sustentável, saudável e com a criação como forma de comunicar melhor à audiência.

Para Sukita, o creative data deve ter uma visão holística sobre o mercado e suas áreas para fazer a supervisão de todos os dados coletados, recursos disponíveis e unir as diferentes áreas para atingir os objetivos das partes envolvidas com um olhar criativo. “Essa visão diferenciada do criativo só pode ser alcançada quando você tem bagagem cultural, vivência, curiosidade, humildade e dados. A manipulação de todas essas informações e contextos, é o que define meu cargo. Por dados, entenda qualquer tipo de informação organizada de maneira a mostrar um caminho, um insight, uma história ou uma resposta”, descreve.

Na prática, isso significa acompanhar o trabalho de todas as áreas, certificar-se de que há visibilidade dos objetivos do projeto, identificar pontas soltas, assegurar relevância para o público e garantir que a equipe está cumprindo sua função de forma sustentável e satisfatória.

Sukita ocupou cargos no The Intercept Brasil, BuzzFeed, agências como LOV e é sócio da Idánimo Consultoria de Comunicação (Crédito: Divulgação)

“É como se a minha função diária fosse de montar um quebra-cabeças em que as peças são insumos criativos, a problemática do cliente, o contexto específico, o zeitgeist, o timing, dados de listening, insights de plataformas digitais, dados sócio-históricos do brasileiro, o estilo de produção, os fundamentos da Soko, os recursos humanos, a estratégia, o planejamento tático, o refinamento estético, a autenticidade, a execução sustentável e a necessidade da audiência. Organizando tudo isso, eu busco atingir o objetivo principal”, detalha.

Nesse sentido, são importantes o aprendizado e cultivo de visão estratégica, organização de movimentos, gestão de pessoas e criatividade. “Mas na prática, eu posso dizer que seriam os soft skills os requisitos mais importantes. Isso porque estou falando sobre capacidade de adaptação, criatividade, escuta ativa, curiosidade e coragem; focando nessas coisas, o resto segue e se resolve”, indica.

Como o dia-a-dia do cargo envolve diversas áreas, o executivo acredita que o profissional do cargo deve ter humildade de confessar que não sabe algo e ter a curiosidade e determinação de descobrir mais sobre. “A minha visão é que o creative data tem muito mais a ver com o perfil do profissional do que com a especialização que ele seguiu ou do cargo que ocupou em experiências passadas. Se antes, existia uma demanda para que a gente fosse totalmente especializado em uma área de conhecimento específica na comunicação, hoje não existe apenas esse caminho”, divide Sukita.

Entre os desafios da função, há tanto o ponto de vista do consumidor final e da gestão de pessoas. Em equipe, o desafio é manejar a expectativas de resultados de cada parte e área envolvida e tentar manter todos na mesma página sobre o que esperam para o projeto e na própria construção estratégica dele. “Cada pessoa tem a sua expectativa de resultado e nem todas as mensagens (visão de mercado, estratégias, briefings, reuniões, e-mails, tasks e etc) acabam tendo a igual leitura de todos. O que é absolutamente normal pois somos todos diferentes e temos bagagens culturais – de vida, social, econômica, racial, política, de gênero, orientação sexual, entre outros – diferentes”, diz. Já do ponto de vista do consumidor final, há o cuidado de ser relevante para o público e, ao mesmo tempo, protegê-lo de ter usas informações expostas.

**Crédito da imagem no topo: Marvin Meyer/Unsplash

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