As máquinas vão roubar nossos empregos

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As máquinas vão roubar nossos empregos

A tendência é que os que detêm o poder econômico para construção das tais máquinas inteligentes, capazes de realizar tarefas humanas de forma mais rápida, eficiente e barata, muito certamente não terão porque não promover a substituição do homem


16 de setembro de 2015 - 9h35

Estou com medo!

É possível termos que rever o capitalismo para que ele passe a conter sistemas econômicos em que a mão de obra dos homens seja fortemente substituída pelo trabalho autômato das máquinas, uma vez que o volume de empregos disponível para seres humanos em favor de robôs poderia cair a níveis nunca antes conhecidos, e não só essa tendência se espalharia ainda mais nas linhas de produção industrial, onde a automação já domina, como também naquelas áreas antes exclusivas do homem e de sua capacidade dedutiva, por conta da evolução da Inteligência Artificial e da possibilidade de autoaprendizagem das máquinas, num processo que já coloca em pânico gente graúda como Elon Musk, Bill Gates e Mark Zuckerberg, que compõem hoje um grupo cada vez maior de pensadores que acredita de verdade que o homem está criando rapidamente as condições para que robôs, além de ameaçarem nossos empregos, possam de fato se transformar em uma ameaça também à integridade humana, como em O Exterminador do Futuro — help us, Arnold! — pois poderiam passar a agir e pensar fora do espectro de comandado dos homens, como o supercomputador HAL, em 2001 – Uma Odisseia no Espaço, criando uma espécie de rede paralela, como a Outernet, em Matrix, e, impulsionados para isso não por cientistas do bem, mas por gênios do mal, como nos filmes, muito embora líderes respeitados da indústria como Marc Andreessen, criador do Netscape e um dos maiores investidores do mundo em empresas de tecnologia de ponta, alertem para o fato de que a tecnologia criou mais do que ceifou empregos nos últimos 200 anos — e se você concorda com isso, terá sua tese amparada neste artigo aqui  —, no entanto, há do outro lado quem garanta que essa estatística possa ser invertida completamente daqui para frente, como é o caso de Vivek Wadhwa, membro do Conselho de Governança da Stanford University e também professor convidado da Singularity University, para quem os atuais algoritmos, que aprendem constantemente — base evolutiva da Inteligência Artificial — poderão ocupar mais e mais espaços no mundo do trabalho, provocando desemprego em massa já na próxima década, num processo que poderá começar, segundo ele, com a disseminação dos carros-robôs, que poderão eliminar empregos não só dos motoristas de taxis, como também em toda a cadeia de transportes e abastecimento, incluindo aí ônibus de passageiros e caminhões de carga, algo que segundo o professor deverá impactar não só a economia ocidental, mas também a economia chinesa, que tem sua competitividade fundamentada na mão de obra barata, vantagem que desapareceria diante da disseminação dos robôs na indústria, tese que tem apoio também de Martin Ford, autor do livro Rise of The Robots: Technology and the Threat of a Jobless Future, que em entrevista ao The Guardian disse o seguinte: “Para entender por que a tecnologia da informação de hoje poderia ter um impacto muito mais dramático sobre o emprego do que qualquer coisa que já vimos antes, é melhor começar por analisar a natureza do trabalho realizado pela maioria da nossa população. A realidade é que uma grande fração da nossa força de trabalho está envolvida em atividades que estão em algum nível de rotina, repetitivo e previsível. Isso quer dizer que a maioria dos trabalhadores enfrentam os mesmos tipos de desafio novo e de novo e que a maioria de suas ações e decisões podem ser previstas, com base no que eles fizeram no passado. Enquanto o progresso vai certamente criar novas oportunidades para as pessoas com a capacidade e formação adequada, parece muito improvável que haverá suficiente dessas novas posições para absorver todos os trabalhadores deslocados do trabalho mais previsível, mesmo que a maioria dos trabalhadores são capazes de reeducar-se com sucesso”, numa tradução que acabo de retirar do Google Translator, portanto, de um software inteligente, tradução de máquina, exatamente do jeito que ela saiu, e você percebeu que não está perfeita, tem errinhos aqui e ali, mas dá pro gasto, e o fato é que tanto esse software, quanto os que já existem para escrever textos como este que você está lendo, seguirão seu aprimoramento constante — se não leu nada ainda sobre esse tema, dê uma olhada neste artigo aqui
  — e a preocupação do Wadhwa e do Martin e de tanta gente mais inteligente do que você e eu é que máquinas aparelhadas com inteligência e capacidade de realização tanto de tarefas repetitivas como até mesmo intelectualmente mais elaboradas roubem os empregos de uma camada significativa da população no futuro próximo, digamos, em 10 ou 15 anos, e que o capitalismo como está estruturado hoje não consiga responder com a adaptação necessária para gerar algum tipo de atividade para toda essa população, e que, se não nos prepararmos para isso, se é que esse é um problema com solução, o bicho vai pegar, e é aí que nasce meu medo, a julgar pelo que temos assistido até aqui em relação a economias que geram riquezas para poucos e têm enorme dificuldade de expandir esse centro geográfico de privilégios para as periferias das sociedades, como nesta república bananeira em que vivemos, mas também em nações ditas mais desenvolvidas, onde as desigualdades persistem, aí a meu ver é que a porca torce o rabo, porque a tendência é que os que detêm o poder econômico para construção das tais máquinas inteligentes, capazes de realizar tarefas humanas de forma mais rápida, eficiente e barata, muito certamente não terão porque não promover a substituição do homem pelas máquinas, como já acontece hoje no ABC, em busca de otimização da produtividade em escala, o que, no entanto, não virá, alertam alguns gênios da raça, sem que essas mesmas máquinas possam também passar a resolver por si próprias questões mais complexas, ligadas à ordem estabelecida, que mal e mal nós homens construímos, mas que são completamente desconhecidas dos robôs, seres sem ética ou noção de respeito a vida humana — no hard feelings, os caras são máquinas, esqueceu? — e é óbvio que tudo isso parece uma tremenda duma maluquice sem pé nem cabeça, mas comece a ler mais sobre o assunto na mídia internacional, e verá que o Gartner elegeu este ano a Inteligência Artificial e o aprendizado das máquinas como a grande tendência hype do ano, portanto não sou eu que estou dizendo, nem um bando de malucos, e talvez aí você veja que tudo isso possa não ser assim essa coisa tão insana, e que, ao final, se pelo menos um pedaço dessas previsões vier a se tornar realidade, teremos um problemaço pela frente, autômatos em lugar de humanos, numa sociedade tão mecânica quanto este texto sem parágrafos, sem as pausas necessárias para o oxigênio da leitura, oxigênio que precisamos e as máquinas não, esse é meu medo, de uma sociedade sem empregos e sem caráter.

Ficou com medo também?

(*) Pyr Marcondes é diretor-geral da M&M Consulting e escreve mensalmente para Meio & Mensagem. Este artigo está publicado na edição 1677, de 14 de setembro de 2015.

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