O (voo) expresso do Oriente

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O (voo) expresso do Oriente

Michel Alaby, secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira, fala sobre o turismo ao mundo árabe e os destinos demandados por brasileiros

Sergio Damasceno Silva
26 de setembro de 2016 - 12h32

Cultural Village, em Doha, capital do Qatar

Nesta terça-feira, 27, comemora-se o Dia Mundial do Turismo, data estabelecida em 1980 em conferência da Organização Mundial do Turismo (OMT), na Espanha. Fazem parte da OMT 157 países, inclusive o Brasil. Ainda, conforme estatísticas da OMT, os países mais visitados no mundo (turismo de lazer) são França, Estados Unidos, China, Espanha e Itália. No ano passado, por conta da crise macroeconômica que se arrasta no País há quase três anos, os gastos de brasileiros no exterior caíram 32%: US$ 17,35 bilhões. Na comparação, em 2014, os brasileiros gastaram US$ 25,56 bilhões em países estrangeiros. Para este ano, o cenário continua pessimista, com a previsão de queda ainda maior. Ainda assim, viajar, seja a passeio ou a negócios, é preciso. E, para os brasileiros que pretendem – e podem – conhecer destinos exóticos, Meio & Mensagem entrevistou, com exclusividade, o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), Michel Alaby, para comentar sobre viagens ao Oriente Médio, um lugar no mundo que está no inconsciente coletivo como o cenário das Mil e Uma Noites.

Meio & Mensagem – Como é a comunicação, para o Brasil, dos países-membros da Câmara Árabe em relação ao turismo?
Michel Alaby – A Câmara Árabe promove o turismo do Brasil para os países árabes e vice-versa sempre que participamos de feiras internacionais para apresentação de produtos. Quando somos solicitados por ministérios do turismo ou agências de promoção de turismo dos países árabes, promovemos encontros com operadoras de turismo e agências de viagens no Brasil, para divulgação dos destinos árabes. Também já participamos de feiras de turismo no Brasil, como o Congresso e Feira da Abav (Associação Brasileira das Agências de Viagens) e a Feira Mundial do Turismo em São Paulo.

Igreja da Natividade, em Belém, na Palestina, que é destino de turismo religioso de brasileiros

M&M – Como estão estabelecidas as rotas áreas entre os países árabes e o Brasil e como a Câmara trabalha, por exemplo, em função de um determinado destino como Ryad, Qatar, Abu Dhabi ou Dubai?
Alaby – Já existem quatro grandes companhias aéreas que fazem a conexão do Brasil para países árabes: Emirates Airline (Dubai – Emirados Árabes), Etihad Airways (Abu Dhabi – Emirados Árabes), Qatar Airways (Doha – Qatar) e a Royal Air Maroc (Casablanca – Marrocos). Outras companhias aéreas, como as europeias, utilizam seus países como conexão para países árabes. Quando demandada, a Câmara Árabe fornece informações para empresários brasileiros sobre vistos, companhias aéreas, locais de visita, agências e hotéis.

M&M – Qual é o interesse do brasileiro em visitar esses países?
Alaby
– Normalmente, os brasileiros visitam os países árabes para conhecer a história, como, por exemplo, as pirâmides do Egito, os balneários do Marrocos e da Tunísia, as cidades históricas do Líbano, as grandes construções de Dubai – como o Dubai Mall, considerado o maior shopping center do mundo, as belezas naturais de Omã, as caminhadas no deserto do Catar ou um passeio marítimo no Golfo Arábico, entre outras curiosidades.

M&M – Existem campanhas unificadas ou separadas por países voltadas ao público brasileiro? Existe alguma campanha feita por agência local
Alaby
– Normalmente, são (campanhas) separadas por país-alvo. No caso brasileiro, existem empresas especializadas por grupo de países.

Esta é a pirâmide mais antiga do Egito, do faraó Zoser-Saqqara

M&M – Existem dados sobre o turismo de negócios e de lazer dos países associados à Câmara?
Alaby
– Dispomos de algumas informações. Dubai, por exemplo, chega a receber, por ano, cerca de 25 mil brasileiros, enquanto o turismo religioso na Palestina, Jordânia e Egito, recebeu, somente no ano passado, cerca de 2,5 mil turistas. No Líbano, por termos no Brasil a maior comunidade libanesa fora do País, os visitantes chegam a 30 mil por ano.

M&M – Em geral, a ideia é que os países árabes são distantes e caros. Como a Câmara trabalha essa concepção?
Alaby
– Concordamos que sejam distantes, mas acreditamos que, quem quiser saber um pouco mais da história do mundo, deve visitar alguns países árabes. Além disso, não são tão caros quanto se pensa, pois os hotéis são de redes internacionais e cobram menos do que no Brasil ou na Europa. Os passeios, por experiência própria, são bastante competitivos em relação à América do Norte ou Europa.

M&M – Como estão, atualmente, as transações comerciais entre Brasil e países árabes da Câmara?
Alaby
– No ano passado, as transações comerciais chegaram a quase US$ 20 bilhões, sendo US$ 12 bilhões de exportações brasileiras e US$ 8 bilhões em importações originárias dos países árabes. Os maiores parceiros comerciais são, na ordem: Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Argélia, Marrocos, Líbia e Kuwait.

M&M – Qual é a oferta hoteleira dos principais destinos?
Alaby
– Não temos informações detalhadas sobre isso. O que sabemos é que as grandes cadeias de hotéis internacionais estão presentes no mercado árabe, tais como Intercontinental, Marriott, Accor, Sheraton, Hilton, Hyatt e a oferta de quartos é abundante. Não sabemos precisar quantos, mas, com certeza, o nível da hotelaria 5 estrelas é bem superior ao encontrado no Brasil.

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