Qual o futuro do futurismo?

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Qual o futuro do futurismo?

Profissionais especializados em tendências — e que se denominam como futuristas — falam sobre o desafio de que a função seja vista sem desconfiança

Luiz Gustavo Pacete
27 de julho de 2018 - 9h50

Futurólogo, futurologista, futurista. Independentemente do termo, ele sempre vem acompanhado de uma série de questionamentos. Muitos dos profissionais especializados em tendências e que se denominam futuristas ainda convivem com o desafio de explicar o papel do ofício. De fato, é um desafio. Futurismo não está em nenhum curso de formação de universidades ou é reconhecido como uma profissão, mas tem sido cada vez mais utilizado por marcas e empresas.

Mas afinal, qual o papel de um futurista? Edwin Rager, consultor de estratégia e de futuros da Mediamonks Argentina, explica que um futurista ajuda a imaginar futuros para diferentes sistemas, sejam marcas, governos ou sociedades. “O futurista não prevê o futuro. Ele ajuda a entender os diferentes futuros usando diferentes metodologias, mas sempre há um tanto de subjetividade que faz com que cada futurista veja as coisas de um modo diferente”, explica.

Travis Kupp, estrategista de futuros da Consultoria Precogitio, afirma que ainda existe muita desconfiança sobre a função e isso se deve a um mal-entendido sobre o papel deste tipo de profissional. “O que muitas vezes vejo vendido como futurismo é, na verdade, previsões alimentadas pelo hype em torno da mudança tecnológica. Essa marca de futurismo não se presta bem a tomar decisões informadas, especialmente em ambientes de alto risco”, afirma. Ele reforça que o futurismo é um ato de design centrado no humano, ou pelo menos deveria ser.

 

“O que muitas vezes vejo vendido como futurismo é, na verdade, previsões alimentadas pelo hype em torno da mudança tecnológica”, diz Travis Kupp, da Consultoria Precogitio (Crédito: Divulgação)

Lidia Zuin, head do núcleo de inovação e futurismo da UP Lab, existem várias metodologias vinculadas ao futurismo. “O Future Studies é uma área de estudos que tem como disciplinas o trendhunting e forecasting, por exemplo, que são duas abordagens bastante conhecidas na publicidade e na indústria da moda. Essas disciplinas analisam tempos mais curtos, tendências de alguns meses até talvez três anos”, explica. Ela reforça que, dentro do futurismo ainda existe a futurologia, e mesmo a ficção científica, cada um com seus focos.

“No caso do futurismo, por conta de seu viés mais empreendedor e com olhar orientado ao negócio, é na economia, no ambiente das startups, nas patentes, nos financiamentos coletivos e nas notícias que se presta atenção para se criar uma interpretação também calcada no olhar de disciplinas como a antropologia, filosofia, sociologia, psicologia, semiótica”, afirma Lidia.

Bruno Macedo, futurista e designer de experiências de futuro na Rito, afirma que em curto e médio prazos, qualquer indivíduo ou organização que está passando por um processo de mudança, como por exemplo a transformação digital, precisará desenvolver a capacidade de pensar e planejar como futurista, ou ter o suporte de futuristas profissionais. “Hoje já existem instituições no mundo como o Institute for the Future e a Futures School por exemplo, que capacitam pessoas a utilizarem as ferramentas de futuristas. Além de organizações como a Ford e a PepsiCo que possuem um núcleo de estudos de futuros”, ressalta

O que os futuristas pensam sobre o futuro do futurismo? Eles estarão reunidos em setembro, no Hack Town 2018, evento de inovação que ocorre em Santa Rita do Sapucaí (MG), para discutir tendências e a própria profissão. A seguir, eles apresentam seus pontos de vista.

Edwin Ranger – Mediamonks Argentina (crédito: divulgação)

Edwin Ranger
“As metodologias usadas pelos futuristas deveriam ser ensinadas em todas as instituições e organizações. Mais do que nunca (e ainda mais na América Latina), precisamos ter um entendimento real do futuro. Um feito de múltiplas possibilidades, mas que pode ser dirigido, que pode ser cocriado. Os futuristas do mundo devem a si mesmos e ao mundo a responsabilidade de criar um futuro melhor, mais empático e inclusivo para todos os indivíduos. A importância que têm então os futuristas é gigantesca, e quanto mais seres humanos consigam enxergar o tempo a futuro deste jeito, mais facilmente podemos desenhar um mundo melhor”.

Travis Kupp – Consultoria Precogitio (crédito: divulgação)

 

Travis Kupp
“Precisamos de futuros acionáveis e inclusivos. Os futuristas serão importantes em médio prazo para questionar as narrativas presentes, especialmente em torno da tecnologia e da economia, e fornecer visões alternativas que possam efetivamente guiar a humanidade para um estado futuro melhor”.

Lidia Zuin – UP Lab (crédito: divulgação)

Lidia Zuin
“O futurista passa a ser um parceiro, uma espécie de consultor orientado ao futuro e com uma visão tecnológica, sempre também com um olhar autoral e que, por isso, também pede por uma maior diversidade de profissionais atuando nessa área — de diferentes origens, etnias, perspectivas de vida, sexo, orientação sexual etc. Com a chamada Quarta Revolução Industrial, na qual tecnologias como blockchain, impressão 3D, CRISPR e inteligência artificial prometem revolucionar a maneira como nosso mundo funciona hoje, é importante entender como se dão esses movimentos para que, no médio prazo, possamos nos organizar para ser aquilo que desejamos a longo prazo”.

Bruno Macedo (crédito: divulgação)

Bruno Macedo
“Qualquer indivíduo ou organização que está passando por um processo de mudança, como por exemplo a transformação digital, precisará desenvolver a capacidade de pensar e planejar como futurista, ou ter o suporte de futuristas profissionais. Hoje já existem instituições no mundo como o Institute for the Future e a Futures School por exemplo, que capacitam pessoas a utilizarem as ferramentas de futuristas. Além de organizações como a Ford e a PepsiCo que possuem um núcleo de estudos de futuros”.

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