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Rappi, Glovo, Loggi, Rapiddo, Uber Eats, Supermercado Now e Farmácias App: segunda geração de apps de delivery faz supermercado, vai à farmácia, procura fantasia de Carnaval, ração para pets e, claro, continua a entregar quaisquer comidas

Sergio Damasceno Silva
18 de outubro de 2018 - 8h25

Entregas da Glovo são feitas por motoqueiros, ciclistas e até carros, conforme o volume da compra (Crédito: Divulgação)

No princípio, era o telefone e a pizza: bastava ligar, aguardar, não sem ansiedade, a entrega, e receber o entregador na porta de casa. Os tempos mudaram: nos prédios das grandes cidades, o entregador não pode mais ir até o morador; é o morador que desce à portaria para receber o pedido. Mas essa mudança é pequena ante a grande mudança do setor de delivery: as pizzas são apenas um dos itens dos apps de entrega. É possível pedir comida peruana, chinesa, espanhola, marroquina, francesa, mineira ou hambúrgueres em centenas de variações. O telefone fixo cedeu espaço para o móvel e os apps como iFood substituíram os cardápios de pizzarias que eram colocados de tempos em tempos sob a porta ou na caixa de correspondência. Em dois ou três cliques, é possível escolher os itens, adicionar à sacola (ou cesta, conforme o app) e pagar. E esperar que o ciclista, motoqueiro ou até mesmo um carro chegue à sua casa.

No segmento de entrega de comida, há um ostensivo domínio do iFood. O aplicativo, especializado em food tech e líder de entrega online de comida, foi lançado em 2011 com a proposta de ser um marketplace de restaurantes. A marca, que tem como acionistas a Movile e a Just Eat (um dos maiores players globais de delivery), registra quatro milhões de pedidos por mês e tem mais de 20 mil restaurantes cadastrados em mais de 100 cidades brasileiras. No exterior, tem presença na Argentina, México e Colômbia. O iFood adquiriu os principais concorrentes: HelloFood, PedidosJá, DiskCook e RestauranteWeb. E, exceto por apps das próprias cadeias como o McDelivery (McDonald´s), Habib´s e BK Express (Burger King) ou o Uber Eats, da Uber, a maior parte dos restaurantes, até mesmo os que têm apps próprios, está mesmo é no iFood.

Mas essa hegemonia tem sido beliscada por uma série de apps de entrega como o Rappi, Glovo, Loggi, Rappido (que também tem participação do próprio iFood) e até mesmo o Uber Eats. E outros apps como Supermercado Now e Farmácias App, com nichos específicos como supermercados e farmácias, respectivamente. Ainda esta semana, por exemplo, a Loggi, que faz entrega de pacotes, documentos e também retira alimentos em restaurantes para entrega a domicílio, recebeu investimentos de US$ 100 milhões do Softbank Group (que detém 15% das ações da Uber). Esse volume deverá ser destinado às áreas de robótica e engenharia para melhorar a qualidade do serviço. A Loggi tem 12 pequenos centros de distribuição em São Paulo para agilizar a entrega dos pacotes.

Geração 2

“Mundialmente, a onda desses apps começou em 2015. Surgiu com a Postmates, nos Estados Unidos, o Rappi, na Colômbia, o Uber Eats, divisão da Uber que tem a mesma proposta de táxis, só que para entrega de comida, e o Ele.me, da China, que foi adquirido pelo Alibaba este ano. A Glovo faz parte de um grupo de apps que tem origem em outros países. Dizemos que é a geração 2 desse tipo de app. Porque, até antes de 2015, tínhamos apps que faziam divulgação de menu — no Brasil, o iFood não fazia entrega, o restaurante tinha que ter entregador próprio ou contratar empresa de entrega. Era difícil fazer marketplace de entrega. As empresas não se falavam, a comida se perdia, o consumidor ligava para o restaurante e isso valia para farmácia, supermercado, que também tinham seus próprios modelos de entrega”, contextualiza o country manager da Glovo, Bruno Raposo, sobre o pulo do gato dos apps de delivery.

“Ao redor do mundo, empresas da geração 2 têm a tecnologia mais avançada”, afirma o CEO da Glovo, Bruno Raposo (Crédito: Divulgação)

Agora, apps como Rappi e Glovo são capazes de entregar de tudo, até mesmo o que não está listado entre os parceiros, e atender consumidores famintos por conveniência e rapidez. E, em grandes cidades como São Paulo, vale a pena pagar para um serviço que faça e entregue as compras de supermercado ou que busque um documento no cartório ou compre um remédio na farmácia. Significa economia de tempo, comodidade e praticidade. “Num dia de chuva, ninguém quer sair para ir ao restaurante ou supermercado. Isso é algo comum que existe em todo centro urbano do mundo. Mas não tinha tecnologia avançada o suficiente para resolver problemas. Com a melhora da geolocalização, que permite o check-in, com serviços como 99 e Waze, você sabe onde está o motorista, a Glovo sabe onde está o consumidor e sabemos quem está produzindo e entregando. Com a tecnologia, posso intermediar esses três pontos”, explica o executivo.

Raposo lembra que a primeira onda dos apps de entrega foi migrar o telefone para o marketplace com o então PedidoJá (adquirido pelo iFood) e depois com o próprio iFood. Agora, essa geração 2 dos apps, que abrange a solução completa ao usuário e ao estabelecimento, propicia ao entregador fazer parte desse marketplace, aponta. “Ao redor do mundo, empresas da geração 2 têm a tecnologia mais avançada”, afirma.

Sobre a crescente concorrência, Raposo diz que o mercado é extenso e a demanda de pedidos por telefone ainda é muito grande. “Há três motivos pelos quais esse segmento não para de crescer: a maioria dos centros urbanos tem mau planejamento de transporte e, por isso, as pessoas têm dificuldades de se deslocar, o que faz com que esse mercado cresça tanto na América Latina, Ásia e Leste Europeu; o segundo motivo é o atual momento brasileiro de recessão: há uns cinco anos, todo restaurante era cheio, agora, as pessoas estão pedindo mais delivery porque significa economia de transporte, estacionamento e bebida e as tarifas de entrega estão muito baixas (em média, R$ 9,90 na Glovo), o que é mais barato que condução, combustível e estacionamento; e o terceiro ponto tem a ver com multicategoria: o serviço da Glovo é muito dependente da categoria restaurante e a América Latina e o Brasil, principalmente, ainda não tem a cultura de pedir supermercado, farmácia e outras coisas para entrega”, detalha o executivo da Glovo.

De qualquer forma, Raposo avalia que o mercado cresce muito. “E a geração 2 dos apps de delivery cresce mais do que a geração 1 (os apps só de comida) e todos abocanham os pedidos pelo telefone tradicional”, diz. A Glovo está presente em 17 cidades no Brasil, que já o segundo mercado do app, atrás apenas da Espanha, de onde se origina. No ano que vem, o Brasil deve se tornar o primeiro mercado da Glovo.

Direto das gôndolas

Se você é o consumidor que não gosta de passear entre as gôndolas, olhar os produtos e enfrentar as longas filas dos caixas, os apps de delivery já podem fazer isso por você. É o caso do Supermercado Now, app especialmente direcionado para supermercados. Embora apps como Glovo e Rappi façam isso também, o Supermercado Now tem uma diferença: é um marketplace exclusivo de supermercados. “O Supermercado Now nasceu para atender essa tendência de um modelo de entrega que vai além de restaurantes. Baseado no fato de que o brasileiro já usa bastante o e-commerce, enxergamos, em paralelo com outros países como Índica, Coreia do Sul, China, Colômbia e México, que já estava no momento de o consumidor online crescer além do tradicional restaurante. Esse usuário já sabe que, pelo app, em meia hora a pizza está na sua casa, inclusive com pagamento feito via aplicativo. E ele queria ter essa facilidade também para supermercado”, explica o CEO do Supermercado Now, Marco Zolet.

“O usuário já sabe que, pelo app, em meia hora a pizza está na sua casa, inclusive com pagamento feito via aplicativo. E ele queria ter essa facilidade também para supermercado”, diz o CEO do Supermercado Now, Marco Zolet (Crédito: Divulgação)

O app foi criado no final de 2015 e, agora, abrange as cidades de São Paulo, Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul e Alphaville. São 15 bandeiras de supermercados e outras cinco previstas para entrar em breve. “Os varejistas nos pagam comissão para cada venda e entrega feita por meio da plataforma. Temos acesso aos preços promocionais e fazemos a intermediação de venda entre o cliente e o varejista. Quando lançamos o app, o consumidor tinha que comprar frutas e legumes por quilo. Agora, pode comprar por unidade. Uma pessoa que mora sozinha ou um casal, por exemplo, não quer um quilo de banana, e sim três ou quatro unidades. Inovamos com esse formato de ir lá, montar o carrinho de maneira rápida. Fazemos o pedido em 2,5 minutos. Para um raio de quatro a cinco quilômetros de circunferência, entregamos em até uma hora”, diz.

O app de supermercados aproveitou outra frente: para melhorar a experiência do cliente, profissionalizou a compra. O comprador (ou shopper) vai até a loja que o consumidor escolheu (pode ser, por exemplo, Hirota Food, Quitanda, Rei dos Grãos, Emporium), escolhe na gôndola conforme a indicação — banana mais verde ou mais madura, se faltar produto, o shopper fala diretamente com o consumidor, pode trocar o item, substituir, faz o pagamento e outro entregador do app levará os produtos até a casa do consumidor. Em geral, a loja fica a mais ou menos a cinco quilômetros do cliente. “Isso é um diferencial e uma oportunidade porque, no modelo tradicional de logística, o caminhão de entrega saia de Cajamar (Grande SP) e, se atrasasse, chegaria à casa do comprador somente à noite. Agora, com a loja perto do cliente, o caminhão sai para fazer 40 entregas e, mesmo que o trânsito fique caótico, os entregadores, com o app na mão, roteirizam a melhor forma de entregar, ou seja, usamos a loja como um centro de distribuição”, diz Zolet.

Sem dor de cabeça

“Há um grande movimento, um conjunto de evolução de todo o ecossistema ligado ao serviço, que é o marketplace do varejo e a questão da mudança do comportamento do consumidor. No marketplace, esse movimento é o pick-up in store, em que o consumidor compra no online e retira a mercadoria na loja mais próxima. Também tem crescido o sistema de distribuição mais inteligente, com grandes varejistas com número maior de lojas, o que faz com que a entrega parta do ponto de venda mais próximo do consumidor, o que reduz o custo do frete e o tempo de entrega. Cerca de 95% dos carrinhos são abandonados antes da conclusão da compra por conta do valor ou do tempo da entrega e há um grande movimento dos players para reduzir esse índice de carrinhos abandonados”, analisa o empreendedor Robson Michel Parzianello que, com Eduardo Felipe Raulino, criou o app Farmácias App, direcionado aos PDVs exclusivamente de farmácias.

Parzianello recorda que, por muito tempo, as mercadorias partiam do centro de distribuição, o que era um agravante porque a distância do cliente era grande, o que comprometia a questão da velocidade de entrega e o custo. “Com o pick-up in store, a retirada ficou mais rápida.  Principalmente em cidades maiores, onde os varejistas ainda possuem maior capilaridade. É uma grande tendência, e o Magazine Luiza vem fazendo isso, que dá mais opções ao consumidor”, diz.

O cocriador do app afirma que o Farmácias App já nasceu com esse DNA de otimizar o serviço da entrega. A tecnologia é compatibilizada com o varejo e, com inteligência de mercado sobre o comportamento dos consumidores, analisa as tendências e traz informações ao parceiro. “Na parte legal, o Farmácias App opera conforme as regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Não é possível a venda de medicamentos que exigem a retenção da receita, o carimbo e presença física do consumidor. Isso não é permite pelo canal online”, assegura Parzianello. O app tem entre os parceiros a Farma22, Polishop (de beleza e saúde) e Época Cosméticos.

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