Google lança serviço de carro autônomo em dezembro

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Google lança serviço de carro autônomo em dezembro

A Waymo, marca que pertence à holding da multinacional, estreia nos EUA e pretende competir com Uber e Lyft


14 de novembro de 2018 - 6h00

Serviço já tem um programa de testes em Phoenix (crédito: reprodução)

Do AdAge

A Waymo, unidade de carro autônomo da Alphabet, holding do Google, pretende lançar em dezembro o primeiro serviço comercial de transporte sem motorista do mundo. A informação foi dada por uma pessoa ligada ao projeto para a Bloomberg. O serviço funcionará com uma nova marca e competirá diretamente com Uber e Lyft. O novo nome está sendo mantido em sigilo até o anúncio oficial. “A Waymo tem trabalhado em tecnologia de carro autônomo por quase uma década, com a segurança no centro de tudo o que fazemos”, respondeu, por email, a companhia, que não quis se pronunciar sobre o nome e a data de lançamento.

Será um marco para o mercado de carros autônomos, mas não será um divisor de águas exatamente. A Waymo não está planejando um grande evento midiático e o serviço não estará tão cedo nas lojas de aplicativos, segundo a fonte. Ao invés disso, o projeto deve começar pequeno, envolvendo algumas centenas de passageiros na região de Phoenix. A primeira leva de clientes provavelmente sairá do Early Rider Program, um grupo de teste de 400 famílias voluntárias que andam nos carros há mais de um ano.

Os clientes que adotarem o novo serviço serão liberados de seus acordos de confidencialidade, o que significa que eles estarão livres para falar sobre assunto, tirar fotos e levar amigos ou até mesmo membros da mídia para passear. Novos clientes na área de Phoenix serão gradualmente incorporados à medida que a Waymo adicionar mais veículos à sua frota para garantir um equilíbrio de oferta e demanda.

O lançamento de um serviço comercial marcará o fim do intenso sigilo que cercou o programa da Waymo e a pesquisa autônoma em geral desde que o Google começou a trabalhar nele há uma década. “Isso posiciona a Waymo bem à frente de qualquer outro”, diz Nick Albanese, analista de intelligent mobility da Bloomberg New Energy Finance. “A GM é a outra líder, e eles provavelmente levarão mais de um ano para fazer algo assim. É muito impressionante”.

Ser o primeiro tem suas vantagens. Dá credibilidade e permite a Waymo construir uma rede de veículos, manutenção e suporte de serviço robusta o suficiente para conquistar clientes de Uber e Lyft. O pioneirismo também faz o serviço da Waymo valer US$ 80 bilhões mesmo antes do lançamento, de acordo com estudo de seis analistas da Morgan Stanley divulgado em agosto.

Oportunidades em logística de caminhões e licenciamento de tecnologia acrescentam outros US$ 96 bilhões em valor corrente. Essas linhas de negócio ainda estarão debaixo do guarda-chuva da Waymo. A nova marca que será lançada em dezembro se aplicará apenas ao aplicativo de transporte de passageiros e foi criada para se diferenciar dos demais serviços.

Ainda assim, a Waymo não tem um avanço insuperável. A GM tem planos de lançar um serviço similar até o final do ano que vem, enquanto Tesla, Daimler, Volkswagen e outros concorrentes não estão tão atrás, cada um com uma abordagem própria para solucionar os desafios tecnológicos e sociais de retirar o motorista humano do carro.

Motorista de segurança
Quando a Waymo iniciar seu programa comercial, motoristas reservas de segurança estarão no carro para ajudar os clientes a utilizar o serviço e para assumir o volante caso necessário. A frota de minivans da Chrysler Pacifica modificadas se movimentará mais de 99,9% do tempo sozinha, com base nos dados do programa de testes da Waymo submetidos aos órgãos reguladores da Califórnia.

Alguns voluntários do Early Rider Program, em Phoenix, não mudarão para o novo programa comercial. Eles continuarão sendo usados para testar novas funcionalidades e para dar feedback para a companhia. Alguns voluntários, por exemplo, ocasionalmente recebem o carro sem motorista reserva. Isso continuará com aumento da frequência até o serviço comercial estar pronto para o lançamento.

Nome do novo serviço da Waymo ainda não foi revelado (crédito: divulgação)

O plano da Waymo é plantar as sementes desses programas de carro sem motorista em diferentes áreas metropolitanas nos Estados Unidos e expandir gradualmente para fora. É um processo cuidadoso destinado a evitar as experiências ruins dos clientes e as falhas evitáveis que poderiam atrasar o programa por anos. No momento em que o serviço da Waymo se tornar um nome familiar nos EUA, como os gigantes da indústria Lyft ou Uber, a empresa terá mapeado e testado cada estrada em detalhe.

A abordagem da Waymo contrasta com a estratégia veloz da Tesla. A fabricante de carros elétricos de Elon Musk está trabalhando em uma abordagem autônoma que se ativaria quase simultaneamente em uma frota nacional de centenas de milhares de carros. O programa de testes em Phoenix parece pequeno comparado com esse plano, mas, na semana passada, a Waymo conseguiu a aprovação para testar carros sem piloto reserva no Vale do Silício, onde o time do projeto Autopilot da Tesla fica baseado

A Waymo já tem algumas dúzias de vans sem motoristas rodando fora do laboratório X da Alphabet, em Mountain View, oferecendo transportes para os funcionários. O próximo passo será começar um Early Rider Program ou mesmo um lançamento a comercial no quintal de Musk.

Existem outras maneiras de quantificar a vantagem inicial da Waymo contra seus rivais. A Califórnia exige relatórios detalhados de todas as empresas que testam carros lá, e os resultados mostram que a Waymo está muito à frente dos concorrentes que estão testando em vias públicas no estado.

Modelo de preço
A empresa do Alphabet está apenas começando a experimentar modelos de preços. Por enquanto, o programa é mais sobre aprender a escalar com segurança carros sem motorista do que ganhar dinheiro. No lançamento, a Waymo usará um cálculo bruto de distância e tempo que resultará em tarifas competitivas com Uber e Lyft. Uma análise do aplicativo Waymo, feita em julho pela Bloomberg, mostrou uma interface de usuário simplificada que se assemelhava ao aplicativo de navegação do Google, com as funções adicionais de um aplicativo padrão de passeio.

Eventualmente, o esquema de preços se tornará mais detalhado, possivelmente adicionando taxas por fazer um veículo esperar demais, custos de limpeza, pedágios e preços mais altos quando a demanda superar a oferta. Uma vez que os motoristas reservas de segurança sejam retirados da equação e a Waymo descubra como cobrar pelo entretenimento e publicidade durante a viagem, espera-se que as tarifas caiam. Não há atualmente nenhum plano para um modelo de assinatura em que os passageiros pagariam uma taxa fixa para ter acesso ilimitado.

Pode-se argumentar que o programa comercial da Waymo é apenas mais um passo incremental em seu programa de desenvolvimento de uma década. Afinal, ainda haverá motoristas reservas de segurança, os clientes terão que esperar para participar, ele só operará em uma pequena área geográfica com condições de direção ideais, e ainda está a anos de ser um negócio lucrativo e autônomo.

Mas o serviço já fez acordos para adquirir até 62 mil minivans híbridas Pacifica e 20 mil SUVs I-Pace totalmente elétricos para construir sua frota nos próximos anos. Há carros de teste na estrada já transportando passageiros sem motoristas de reserva e, a partir do próximo mês, o novo serviço da Waymo começará a vender viagens para seus primeiros verdadeiros clientes. O antigo jogo de adivinhação de quanto tempo levaria para os carros dirigirem sozinhos chegou ao fim. A melhor pergunta agora é: quanto tempo vai demorar para ele chegar até você?

Tradução: Fernando Murad

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