Desafios e perspectivas da economia brasileira

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Desafios e perspectivas da economia brasileira

No Marketing Network Brasil, Maílson da Nóbrega analisa os obstáculos atuais, mas também as mudanças que podem recolocar o País em rota de crescimento

Roseani Rocha
12 de abril de 2019 - 16h34

Maílson da Nóbrega: PIB de 4% é possível (Crédito: Eduardo Lopes)

 

Primeiro palestrante da 17ª edição do Marketing Network Brasil, evento do Grupo Meio & Mensagem que reúne no Transamérica Resort Comandatuba os principais executivos de marketing do País, o ex-ministro da economia Maílson da Nóbrega fez uma leitura político-econômica da nação e, com base nisso, das perspectivas para a economia brasileira.

Começando pelos desafios, Maílson acredita que o atual presidente tem muitos desafios, mas três são particularmente grandes. O primeiro é evitar a insolvência do tesouro, ou seja, um colapso fiscal pela incapacidade de pagar sua dívida – e creditou a aprovação da reforma da previdência como condição para que esse colapso não aconteça.

O segundo problema é evitar a insolvência dos estados, que considera fundamental e demandará “um duro programa de reformas”, porque, segundo ele, os estados no Brasil são um espelho da irresponsabilidade, que nem a Lei de Responsabilidade Fiscal freou, pois muitos maquiaram dados.  Enquanto o manual prega que não se pode gastar mais de 60% da receita líquida com equipe e previdência, há casos como o de Minas Gerais, que consome 80% do que arrecada com pessoal.  “Em 14 estados, aposentados ganham mais que quem está na ativa e no Rio Grande do Sul, há mais funcionários aposentados que na ativa”, ressaltou Nóbrega.

Finalmente, ele também defendeu a necessidade de o País restaurar a produtividade, para poder voltar a gerar riqueza, e nesse aspecto são importantes: uma reforma tributária, para eliminar o caos na área, sendo o maior exemplo o ICMS, que “muda 70 vezes por semana no Brasil, sendo o maior causador de ineficiência no País”; a promoção de investimentos em infraestrutura, abertura da economia (expor a indústria à competição, porque em países fechados as empresas protegidas não têm estímulo à eficiência); e melhora da qualidade da formação dos trabalhadores brasileiros, cuja produtividade é um quinto da dos norte-americanos, o que o economista credita à má qualidade de nossa educação.

Para o atual governo resolver as questões, há ventos a favor e contra. No primeiro caso, Nóbrega cita um capital político positivo de início de governo e, segundo ele, uma boa herança do governo de Michel Temer, incluindo adoção de um teto de gastos e reforma trabalhista; ampliação do debate sobre a reforma da previdência; recuperação da imagem do Banco Central; inflação sob controle e Selic em patamares históricos; balanço de pagamentos em posição sólida; e o fim da recessão causada durante o governo Dilma, embora a recuperação esteja sendo mais lenta que o esperado.

Já no pacote de ventos contra, Nóbrega cita a área internacional, que tem disputas comerciais entre EUA e China, o Brexit e a situação de países como a Itália, que gastam mais que arrecadam, e a economia mundial em desaceleração. Internamente, vêm a ausência de uma articulação política com o Congresso, que não tem coalizão partidária; as afirmações do atual presidente de que o compartilhamento de poder é fonte de corrupção, o que segundo o economista não é bem assim; agendas paralelas prejudicando a reforma da previdência, (defende que tramite sozinha); e por fim, dúvidas sobre a capacidade de liderança de Bolsonaro, assim como as de definir prioridades e gerir crises, não raro provocadas por ele próprio e suas declarações.

De toda forma, Maílson da Nóbrega traça um cenário otimista. Para ele, as chances de a reforma da previdência passar estão entre 70% e 80%, por fatores como ainda existir um clima de “lua de mel política” com o governo, pelo consenso na opinião pública de que a reforma é necessária e perda de força política da esquerda (o que significa menos mobilização contra). A época provável de aprovação, disse, deve ser entre setembro e dezembro. Com isso, o economista prevê PIB de 2% este ano (dado que analistas do Itaú Unibanco reduziram para 1,3% nesta sexta-feira, 12 de abril) e 2,6%, em 2020. Além disso, Nóbrega prevê a Selic subindo de 6,5 este ano para 7,5, em 2020.

Se todas as questões citadas anteriormente forem resolvidas, ele acredita que o Brasil possa entrar numa rota de alta taxa de crescimento, que pode não atingir os 14% da chamada fase do Milagre Econômico, na década de 1970, mas poderia chegar aos 4%, o que já seria excelente no atual ambiente democrático e novas circunstâncias da economia global.

Sua visão positiva de futuro está ancorada no fato de termos um governo sob controle, ou seja, com instituições que permitem corrigir erros, uma ordem política virtuosa (estado forte, estado de direito e accountability, seguindo preceitos do também economista e filósofo Francis Fukuyama), e a democracia não correr riscos, segundo Nóbrega, porque está claro que a sociedade a valoriza. O único risco do Brasil, neste momento, diz ele, tem nome e sobrenome: Jair Bolsonaro.

Fazia referência ao risco de o presidente, por crises econômicas ou políticas e deficiências de articulação, perder o capital político que ainda tem, e só precisa saber aproveitar.

 

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