MNB: Sobrevivente dos Andes defende atitude e humildade

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MNB: Sobrevivente dos Andes defende atitude e humildade

Carlitos Páez Vilaró comove participantes do evento ao rememorar a saga para sobreviver dois meses na neve após a queda de avião

Roseani Rocha
13 de abril de 2019 - 20h00

Carlitos: rememorar para homenagear a vida (Crédito: Eduardo Lopes)

Carlos Páez Rodríguez, filho do artista plástico uruguaio Carlos Páez Vilaró, emocionou o público do Marketing Network Brasil, neste sábado,13. E não foi com nenhuma palestra de apelo motivacional barato.

Carlitos, como é conhecido, é um dos protagonistas de uma das mais fantásticas histórias de sobrevivência a um desastre aéreo enfrentado por pessoas comuns. Em 1972, aos 18 anos, era integrante do time de rugby do colégio Stella Maris, de Montevidéu, e o avião da Força Aérea Uruguaia que levava o time a Santiago, no Chile, colidiu com uma montanha da Cordilheira dos Andes, na região de Mendoza, entre Argentina e Chile. Dos 45 passageiros, 12 morreram na queda, seis nos dias seguintes, por conta de uma avalanche que atingiu os destroços do avião posteriormente, e outros 11, pela falta de alimentos.

“Atitude e humildade são as duas grandes palavras desta história”, sintetizou Carlitos ao final da palestra em que rememorou os dois meses de luta pela vida em meio a neve e rochas. Mas compartilhou sua experiência em detalhes desde o começo, lembrando o que foi ser um menino, estar a 4.200 metros de altura, em total clima de festa, e tomar um primeiro chacoalhão de despencar subitamente 600 metros e, depois, o impacto a 400 km, o avião partido ao meio e o que restou dele ser tomado em seguida por uma brutal onda de frio (algo entre menos vinte e cinco e menos trinta graus celsius), caos e sofrimento pela situação dos colegas mortos e feridos.

Ainda no voo, ao perceber que algo estava realmente errado, conta que primeiro lembrou de uma viagem ao Rio de Janeiro com o pai e as instruções de segurança num voo da Varig, da posição em que deveria ficar em caso de colisão, depois, que pensou em rezar a oração do Pai Nosso, mas sabendo que talvez não tivesse tempo para terminá-la, optou pelo Glória, que era mais curto, mas para não sentir que estava sendo desrespeitoso, decidiu por uma Ave Maria, um meio termo, segundo ele. E também relembrou uma frase atribuída a São Francisco: “Começa pelo necessário, consiga fazer o que é possível e vai terminar fazendo o impossível”.

E o impossível foi o que o grupo conseguiu.

A história, relembrou Carlitos, teve dois turning points. O primeiro quando, ainda conseguindo ouvir rádio souberam, por uma rádio argentina, que após dez dias de procura as buscas seriam encerradas e retomadas dali a dois meses, no período do degelo – ele escreveu um livro sobre a saga chamado justamente Depois do dia 10. “A pior notícia foi transformada em oportunidade, porque fez começar a surgir uma organização entre o grupo. Três estudantes de medicina assumindo o papel de médicos. Um estudante de engenharia desenhou uma antena com restos de fuselagem, mecanismos para nos proteger do frio e como captar água”, lembrou, sobre a tomada de consciência de que teriam de se virar para sobreviver, já que daquele momento em diante estariam esquecidos – o que ele diz que é um ponto que distingue o caso ao dos mineiros presos no Chile anos depois, já que estes eram acompanhados todo o tempo do resgate.

O segundo turning point foi a avalanche que ainda soterrou o que tinha sobrado do avião. “O único ponto positivo disso foi que rompeu com os pequenos grupos que haviam se formado e passamos a funcionar como um só grupo, nos tornamos uma equipe”, disse Carlitos, que no dia 31 de outubro, completou naquela situação seus 19 anos e comemorou ainda estar com vida. As demonstrações de paixão e atitude vieram de todos, em especial de Fernando Parrado e Roberto Canessa, que andaram 11 dias para cruzar as montanhas e pedir ajuda, quando encontraram camponeses que viviam aos pés dos Andes. Nando, antes de partir, ainda teve a grandeza de autorizar que os corpos de sua mãe e irmã pudessem servir de alimento para os sobreviventes – sim, àquela altura, passados dias, já estava claro para todos que se alimentar dos que haviam morrido seria a única forma de resistir até um resgate, num lugar onde só havia neve e rochas.

O resgate aconteceu em dezembro (tiveram a felicidade de também conseguir ouvir o embaixador do Uruguai dizer na rádio que Nando e Roberto haviam sido encontrados e que helicópteros estavam a caminho para socorrer o grupo). E Carlitos também homenageou o pai, o artista Vilaró, que sendo o único familiar a ainda acreditar na sobrevivência e não ter desistido do filho, estava em Santiago para esperá-lo.

Carlitos diz recontar sua história como uma homenagem à vida. Lembrou que “cada pessoa tem sua própria cordilheira”, mas o que importa é seguir adiante.

 

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