Marcas e proteção animal: da crise ao ativismo

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Marcas e proteção animal: da crise ao ativismo

Como Carrefour e Petz partiram de episódios críticos para engajar as marcas nas causas de proteção e adoção de cães e gatos

Bárbara Sacchitiello
10 de junho de 2019 - 9h06

(Crédito: Reprodução)

No último mês de 2018, o Carrefour foi presença constante na mídia por um motivo negativo. Em uma das unidades da rede, na cidade de Osasco, Grande São Paulo, um segurança terceirizado agrediu e provocou a morte de uma cadela abandonada, que usava o espaço da rede como abrigo. O caso gerou protestos em diversos setores da sociedade, sobretudo entre as entidades de proteção animal e suscitou até mesmo alguns boicotes à marca, organizados nas redes sociais.

Em fevereiro de 2019, a Petz, rede de produtos e serviços para animais, também teve sua marca envolvida em uma crise. Denúncias de diversas entidades de proteção de animal levaram ao encerramento das atividades do canil Céu Azul, localizado na cidade de Piedade, interior de São Paulo. Os filhotes, encontrados em condições de maus tratos no local, foram resgatados. Dias depois, veio a notícia de que esse canil era um dos principais fornecedores dos filhotes comercializados nas lojas Petz, fato que gerou muitas críticas à empresa.

Meses após os acontecimentos, as duas marcas vêm procurando transformar a crise em um novo pilar de atuação. Tanto Carrefour quanto a Petz utilizaram os episódios para tentar atuar de maneira mais direta na proteção aos animais e incentivar a adoção consciente e a proteção.

Na semana passada, a rede de supermercados colocou no ar o blog Carrefour Pelos Animais. A página tem como objetivo prestar contas e mostrar todos os passos que a empresa tem dado nessa questão desde a morte da cadela Manchinha e, também, trazer informações sobre adoção, curiosidades do mundo pet e apresentar histórias que estimulem as pessoas a ajudarem a diminuir a quantidade de cães e gatos abandonados. De acordo com a rede de supermercados, o episódio da morte do animal na loja trouxe à companhia a necessidade de ser mais ativa na causa.

“Intensificamos ações que já existiam e pensamos outras medidas e atitudes necessárias para esta mudança. Contamos com o apoio da Ampara Animal, uma entidade muito reconhecida e que apoia mais de 400 ONGs em todo o Brasil. Eles nos ajudam no endosso de todo o conteúdo produzido para o blog e nossas ações. Também firmamos parceria com a Comissão Manchinha para a realização de mutirões de castração e eventos de adoção na região de Osasco”, diz a área de comunicação da marca, afirmando que criou um calendário de ações que serão colocadas em prática até dezembro deste ano.

Fim das vendas
No caso da Petz, que já tem os animais como centro de seu negócio, a lição gerada pela crise obrigou a uma mudança comercial. Após as denúncias em relação ao canil, a rede tomou a decisão de não mais vender filhotes de cães e gatos em suas unidades, algo que aconteceu por 16 anos. De acordo com Sérgio Zimerman, presidente da rede Petz, a decisão de parar as vendas surgiu quando a empresa tomou consciência de que não havia como garantir um processo 100% na relação com os canis e nem que episódios como o de Piedade voltassem a acontecer. Na época, a marca anunciou que, além de encerrar as vendas, utilizaria os espaços das lojas para feiras de adoção.

“Desde a nossa função, sempre tivemos como principal valor o bem-estar animal. Na medida em que, diante do ocorrido, mostramos aos nossos clientes que não abriríamos mão destas convicções, as críticas se esvaziaram e o apoio sobre a nossa decisão de transformar os espaços existentes em área de ação veio com muita força”, analisa o presidente da Petz.

Segundo a marca, nos cinco primeiros meses deste ano, 2800 cães e gatos foram adotados em feiras e ações promovidas em suas lojas de todo o Brasil. Embora tenha sido impulsionada após o episódio do canil, a plataforma Adote Petz existe desde 2007, promovendo um calendário de eventos de adoção apoiados pela marca. Atualmente, 76 das 88 lojas da Petz existentes no País ganharam um espaço fixo e permanente para exibição de animais disponíveis para adoção e a ideia, segundo o presidente, é ampliar esses números.

“Colocamos o Projeto Adote Petz no cento de estratégia de nossa marca, o que significa mais investimento em conscientização sobre adoção e posse responsável, assim como ajuda na gestão de ONGs parceiras. Temos projetos como o Arredondar (que convida clientes a arredondarem o valor de suas compras para ajudar entidades ligadas ao bem-estar animal), assim como as publicações da Editora MOL que arrecadaram mais de R$ 700 mil para a causa animal. Temos trabalhado muito para atuar, cada vez mais, em prol do bem-estar”, diz Sergio Ziemerman.

Compromisso
Embora o setor pet não seja sua área principal de atuação, o Carrefour também colocou em seu calendário diversos projetos que mostrem ao público que o bem-estar animal se tornou uma bandeira importante para a marca. Desde o episódio de Manchinha, a rede vem promovendo mutirões de castração, que já atenderam mais de 900 animais (veja vídeo abaixo), e eventos de adoção, organizados com apoio das ONGs Ampara Animal, Instituto Luisa Mell e Comissão Manchinha. A rede também apoiou a exposição “Sinta na Pele”, do fotografo Jaques Dequeker, que contou com artistas para simbolizarem a exploração sofridas pelos animais. “O Carrefour também realizou outras ações com conteúdo para a conscientização da causa, como o Abril Laranja, mês de prevenção contra maus tratos de animais; a primeira Campanha do Agasalho Pet, que teve início dia 13 de maio e seguirá até o dia 31 de julho, em algumas lojas de São Paulo e Rio de Janeiro; e o Pet Day na Matriz, dia em que os colaboradores da empresa tiveram a oportunidade de levar seus animais de estimação para o trabalho”, diz a marca. No dia 5 de outubro, a rede realiza a primeira edição do Manchinha Day, data em que destinará todo o valor arrecadado com a venda de produtos pets para instituições de apoio aos animais.

Na opinião da rede, a repercussão gerada pelo episódio da morte da cadela mostrou à marca a importância que a causa animal possui no Brasil e no mundo. “O engajamento das pessoas nas redes sociais sobre o assunto é alto e o reconhecimento de nossas ações vem, aos poucos, chegando ao conhecimento do público e mostrando que nosso papel como protagonista pela causa animal cresce cada vez mais. O Carrefour seguirá organizando ações em prol dos animais e lutando para que esta realidade no Brasil mude para sempre”, frisa a empresa.

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