GIMI quer tornar mulheres investidoras conscientes

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GIMI quer tornar mulheres investidoras conscientes

Lançada no Dia Internacional da Mulher, plataforma terá vertentes de educação e experiência

Roseani Rocha
10 de março de 2020 - 6h00

Simone, Regina, Marilene e Luciane: as mulheres à frente da GIMI Network (Crédito: Divulgação)

Muito se fala sobre a importância da independência financeira da mulher, em especial no caso daquelas de estratos socioeconômicos mais baixos, em que a dependência do marido ou companheiro acaba fazendo com que muitas se submetam a relacionamentos abusivos, mas a cultura brasileira afeta também o comportamento financeiro de mulheres de renda mais alta. Um exemplo é o fato de muitas delas delegarem seus rendimentos à administração de maridos, parentes ou gerentes de banco. Pensando neste público, um grupo de mulheres investidoras lançou oficialmente neste domingo, 8 de março, a plataforma Grupo Independente de Mulheres Investidoras (GIMI Network).

A plataforma terá duas vertentes, uma mais educacional, com cursos de educação financeira – com aulas realizadas no Louge One, do shopping Iguatemi – e outra mais voltada a experiências e networking, que funcionará como um clube para as associadas.

A iniciativa começou a ser gestada há três anos por Regina Giacomelli Politi, Simone Schapira Wajman e Marilene Bertoni Nigro. Regina é psicóloga especializada em Famílias & Casais e tem 38 anos de experiência nas áreas clínica e empresarial. Simone é nutricionista de formação e hoje atua como diretora e conselheira da Divisão Feminina do Fundo Comunitário. Já Marilene fundou duas empresas, uma de telefonia e outra de cosméticos, e, anos depois, vendeu as duas. Hoje, atua no segmento de empreendimentos imobiliários de alto padrão.

As três começaram a realizar encontros informais, mas frequentes, para se ajudarem a buscar conhecimento e trocar experiências sobre economia e finanças. Quando veio a ideia da GIMI, juntou-se ao trio a economista Luciane Ribeiro, que foi CEO de asset management de grandes bancos e hoje é membro do Comitê de Investimentos do Fundo de Pensão da ONU, nos Estados Unidos, representando a América Latina.

Ela ajudará a coordenar o curso presencial de três módulos distribuídos por 16 horas, cujo corpo docente será composto de profissionais do mercado financeiro. Na entrevista a seguir, as executivas detalham a iniciativa.

Meio & Mensagem – Sabemos que há muitos espaços que precisam ser conquistados pelas mulheres. No mundo dos investimentos, existe algum dado mais específico que motivou vocês a saírem desses encontros entre três pessoas à criação de uma plataforma?

Regina: O movimento feminista trouxe muitos avanços para as mulheres, em termos de participação no mercado de trabalho. Entretanto, na questão da “apropriação” do patrimônio financeiro propriamente dito, essa questão ficou defasada, já que a mulher mesmo gerando renda do próprio trabalho, continuou delegando as decisões financeiras do seu salário para seu marido, parceiro, pai, irmão ou gerente do banco. Sou psicóloga, especialista em casais e famílias e estudo o comportamento feminino há muitas décadas. Vejo isto com alta frequência em meu consultório em diversos casos clínicos. São questões que demonstram que não somente as mulheres são excluídas desse universo tipicamente masculino, mas também se excluem das decisões financeiras, principalmente de longo prazo. O modelo informal e caseiro, em que chegamos a 20 mulheres em 2019, não dava conta de receber um número maior de amigas e posteriormente mulheres interessadas em participar do grupo. Criamos então a plataforma, com vários horários, dias da semana, para incluir mais mulheres. É nosso “propósito”, nossa “missão”, que as mulheres não passem o que passamos e se preparem antes que seja tarde! Oferecemos o que a academia não oferece. Este é nosso diferencial. Nenhuma mulher quer se tornar gerente de banco nem gestora profissional, quer apenas fazer seu trabalho, na sua área, e saber decidir onde investir seus recursos adequadamente para não perder o fruto do seu trabalho, sacrifício e renúncia. É acima de tudo uma causa social. Quando as mulheres decidem e participam, existe uma sociedade mais justa.

M&M – Tornar uma mulher investidora é conseguir que ela atinja uma etapa acima daquela fase básica de atingir a independência financeira? (muitas mulheres vítimas de violência doméstica não se desconectam dos agressores por dependência financeira)

Regina: O investimento é sim uma etapa pós independência financeira e a grande maioria do nosso público já se encontra nesse patamar. Porém, nosso curso traz todos os conceitos básicos educacionais que podem ajudar no entendimento de quais estratégias usar para se tornar independente financeiramente. O GIMI Network foi criado para apoiar os interesses financeiros de todas as mulheres, independentemente do seu nível de conhecimento financeiro.

M&M – Até pelo local do curso, imagino que vocês estejam mirando mulheres de renda mais alta. Se for isso, elas já não têm, teoricamente, acesso a informações? Que perfil buscam?

Regina: Essas mulheres acabam não tendo acesso a essas informações, justamente porque acabam delegando aos parceiros ou até mesmo a empresas especializadas em gestão financeira de seu patrimônio. O GIMI Network foi criado para apoiar os interesses financeiros de todas as mulheres, estando em casa ou em seu trabalho, sejam solteiras, casadas, viúvas ou divorciadas.

M&M – Quantas alunas pretendem atingir com o curso? Qual será o valor?

Luciane: A expectativa é de que tenhamos cerca de 20 mulheres por turma. Isso porque queremos que seja uma aula intimista, onde a aluna possa ser acompanhada de perto pelos professores, quase que como uma consultoria. O valor é de R$ 2.700 por módulo. Este valor é com um desconto de 10% para inscrições feitas até dia 31/3/2020.

M&M – Para a parte de experiências, o que planejam especificamente?

Luciane: Nossa intenção com o clube de associadas é trazer essa mulher para perto, criando uma rede de apoio para que ela se sinta parte de uma comunidade que acolhe e ajuda nas dificuldades e decisões que ela precisa tomar ao longo da vida. Entre os benefícios que vamos oferecer estão eventos (almoços e talks), consultorias individuais com profissionais do mercado, além da participação em um grupo de WhatsApp fechado.

M&M – Como pretendem diferenciar o curso desenvolvido por vocês com o de outras pessoas que atuam nesse viés de educação financeira? (a Nathalia Arcuri, por exemplo, se tornou muito popular)

Marilene: Nós vamos reunir professores especialistas em suas áreas de atuação que tornarão as aulas acessíveis para quem tem pouca familiaridade com tema de finanças. Fizemos uma curadoria muito especial, com as principais dificuldades que vivemos e compartilhamos desde o início do GIMI e reunimos estes conteúdos em três primeiros módulos: Mundo financeiro, renda fixa e renda variável. Brinco que vamos falar português e não “economês”. Nosso intuito não é formar profissionais, mas capacitar pessoas comuns a entenderem deste mercado que ainda é sombrio para muitas mulheres.

M&M – Temos visto questões como a sustentabilidade socioambiental chegar ao nível dos acionistas de empresas. Existe algum tipo de preocupação no curso em relação à explicação sobre o perfil de produtos/empresas nos quais investir, questões éticas nesse sentido?

Marilene: Sem dúvida este é um ponto muito importante que será abordado em todos os nossos cursos, visando conscientizar nossas alunas quanto à grande relevância da sustentabilidade socioambiental, não só no que diz respeito à seleção dos ativos onde investir, bem como na conduta de cada uma no seu dia a dia.

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