Juniorização, seu nome é burrice

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Juniorização, seu nome é burrice


16 de maio de 2011 - 12h28

O não tão atual debate sobre a má formação dos jovens profissionais de marketing e propaganda, disfarçada sob a alcunha de juniorização, de verdade verdadeira, é burrice.

Mas é difícil admitirmos que não sabemos (ou não queremos?) formar as novas gerações e prepará-las para nos substituir. Incentivamos nossos filhos a fazerem cursos de inglês em cidades interioranas dos Estados Unidos acreditando que o domínio da lingua estrangeira é, por sí só, passaporte para a competência. Pois não é. Estudar inglês em uma cidadezinha do Arkansas é experiência similar a estudar português no interior do Tocantins.

Portanto não é de hoje que erramos na definição dos valores relevantes na formação do profissional de comunicação e marketing. Os líderes da nossa indústria não escrevem livros, não ministram aulas e em suas aparições, geralmente nas palestras de eventos restritos e caros, se limitam a "chover no molhado" das convicções e dos paradigmas de um ambiente notadamente envelhecido.

A juniorização não é tema de discussão. No começo de carreira o profissional padece das experiências necessárias para o enfrentamento de algumas questões. Faltam os modelos, só isso. O que verdadeiramente choca nossos sentidos é o despreparo intelectual, a prepotência, a falta de referências, a carência de valores, enfim tudo que costuma vir acompanhado da burrice.

Nossos jovens não são incentivados a desenvolverem competências diferenciadas e relevantes, por isso valorizam a comoditização dos comportamentos. A fama de boa faculdade se perpetua, independente do fato dela produzir ou não material acadêmico de qualidade, o domínio de uma ou mais linguas estrangeiras é super valorizado em detrimento de outros conhecimentos mais importantes ao desenvolvimento profissional, os estágios em multinacionais são santificados mesmo que as empresas não respeitem o desenvolvimento sustentável e o meio ambiente. Tudo conspira a favor do mediocre.

É nesse ambiente que se promove a tal juniorização. O mais curioso é que aqueles que se dedicam à análise do fato não percebem que prossionais juniores no início de carreira continuam limitados para toda a vida profissional, comprovando a tese da burrice. Enquanto os jovens talentosos nunca são tratados como juniores e sim como profissionais de próspero futuro.

Aos verdadeiramente interessados em mudar a crescente produção de profissionais despreparados, recomendo que suas empresas invistam mais em centros de excelência de formação profissional e menos nas consultorias de gestão, recomendo que os executivos se  dediquem mais ao ensino e menos aos sites de relacionamento profissional, recomendo que os dirigentes escrevam mais livros e menos twiters, enfim um conjunto de atitudes ao alcance de todos para suplantarmos o culto à burrice e o ar de espanto que fingimos fazer quando nos deparamos com a incapacidade alheia.

* André Porto Alegre é sócio-diretor da Mobz


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