Governo adia adoção da TV digital interativa

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Governo adia adoção da TV digital interativa

Portaria prevê adoção do DTVi (ex-Ginga) em 75% da produção nacional a partir do ano que vem

Sergio Damasceno
24 de fevereiro de 2012 - 3h21

Os ministérios do Desenvolvimento e da Ciência e Tecnologia publicaram nesta quinta-feira, 24, a portaria interministerial 140 que estabelece o processo produtivo básico (PPB) de televisores com o middleware que permite a interatividade no Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). O middleware é o popular Ginga (cujo nome foi trocado para DTVi), que permite que o telespectador mantenha conexão com a emissora, ou seja, viabiliza o canal de retorno entre emissora-residência-emissora. Com a portaria, o governo deixa de exigir que os fabricantes de TV incorporem o DTVi este ano e passa a exigir isso a partir de 2013, quando o percentual de televisores com telas planas produzidos no País, já com DTVi, deverá ser de 75% da produção total e de 100% quando se tratar de aparelhos conectados.

Ainda conforme a portaria, em 2014 esse percentual fica fixado em 90% (e 100% das smart TVS). O documento exige, também, que os fabricantes abram a porta de comunicação IP (Internet Protocol) dos aparelhos conectados ao DTVi para permitir a interatividade real. A portaria estabelece esses prazos, mas, se o fabricante optar por se antecipar, poderá descontar em 2013 o total da cota, desde que respeite o limite mínimo de 60% de aparelhos embutidos com DTVi. O PPB é um incentivo aos fabricantes de TV para que embarquem o middleware no aparelho.

Essa iniciativa do governo pretende abrir espaço para aplicativos abertos, desenvolvidos especialmente por conta do DTVi. Entre esses apps, estariam, principalmente, projetos do governo eletrônico que, inclusive, podem ter financiamento do próprio governo.

Smart TVs

Em matéria publicada no jornal Meio&Mensagem, um dos principais entraves para o desenvolvimento do DTVi estava localizado nas emissoras de TV aberta: as redes como Globo, Record, SBT, Band, Rede TV e Cultura, por exemplo, têm que transmitir, na sua programação, os aplicativos para o telespectador. O consumidor, por sua vez, tem que, necessariamente, estar equipado com um televisor com conversor digital que já contenha o DTVi. Ainda, esse usuário terá que ter disponível uma conexão para banda larga porque é por meio dessa conexão que se viabiliza o canal de retorno entre emissora-residência-emissora.

Outro obstáculo é o baixo número de apps prontos para DTVi e também o reduzido número de aparelhos com o middleware embutido. No mesmo artigo sobre o tema no Meio&Mensagem, apenas a Sony, Panasonic, Philips e LG tinham equipamentos com DTVi embarcado. No entanto, os televisores inteligentes (smart TVs), que têm conexão com internet e seus próprios sistemas operacionais, podem ser o grande concorrente da interatividade da TV digital brasileira. O SBTVD foi lançado em 2007 em São Paulo e apenas agora, em 2012, o governo adotou, com a portaria interministerial, uma atitude mais firme em relação à interatividade que, à época do lançamento do SBTVD, era celebrado como um dos grandes diferenciais da TV digital ante a TV analógica. A proliferação das smart TVs, com aplicativos gratuitos, acabou por atropelar o DTVi. Com a portaria e o incentivo do PPB, o governo espera que, finalmente, a TV digital interativa brasileira avance.
 

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