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Jornal eletrônico de Murdoch lança revista semanal WKND e classificados de imóveis e carros para aumentar receita e audiência do veículo

Sergio Damasceno
16 de julho de 2012 - 3h03

A despeito da própria News Corp. ter admitido o fim do The Daily, o grupo acaba de lançar novidades para o jornal eletrônico: uma revista de fim de semana, a WKND, e classificados de imóveis e automóveis. São tentativas em duas frentes – conteúdo e publicidade – para tentar ganhar audiência, aumentar a escala e, sobretudo, para viabilizar o primeiro veículo mundial desenvolvido, originalmente, com exclusividade para o iPad, da Apple.

No relatório da News Corp. sobre a divisão da empresa em duas – com os negócios de entretenimento separados dos de mídia – consta que The Daily, cujas perdas anuais são estimadas em US$ 30 milhões, será reavaliado no dia 6 de novembro, logo após as eleições presidenciais dos EUA. O editor-chefe do The Daily, Jesse Angelo, contemporizou. Em carta online enviada aos funcionários na última sexta-feira, 13, disse que o jornal tem mais de 100 mil assinantes pagantes, que renovam a assinatura a uma taxa de 98%.

No comunicado, Angelo disse para os colaboradores do The Daily ignorarem os inimigos: “como das últimas vezes, peço para vocês ignorarem os rumores falsos de nossa morte iminente. Desde antes do nosso lançamentos, nossos queridos concorrentes de mídia têm feito o seu melhor para divulgar ‘relatórios’ sobre o que acham que acontece aqui. A verdade é que temos mais de 100 mil pagantes e anunciantes fantásticos que amam a nossa marca e continuam a voltar porque obtêm resultados. Prestem atenção a eles (aos anunciantes e assinantes), e não aos inimigos”, exortou o editor-chefe.

Para Angelo, todos os negócios da mídia moderna estão sob pressão para provar a si próprios como empresas viáveis. “Nós não somos exceção e, com certeza, teremos de evoluir, nos adaptar e mudar, a fim de sermos competitivos e bem-sucedidos.” As palavras de Angelo fazem coro ao discurso do CEO da News Corp., Rupert Murdoch, que, ao comentar sobre a divisão da empresa, disse que isso fazia parte dos planos para “ignorar os pessimistas”.

Investimento de US$ 30 milhões

O fato é que The Daily, criado há 18 meses, teve um investimento de US$ 30 milhões e, no primeiro ano de operação, um prejuízo de US$ 10 milhões. No início deste ano, o veículo divulgou que tinha chegado aos 100 mil assinantes pagos e, agora, não deixou claro quantos são esses usuários, “mais de 100 mil”. Na ocasião do lançamento, Murdoch havia afirmado que The Daily se pagaria com 500 mil assinantes. No ano passado, o jornal teve cerca de 120 mil leitores únicos semanais, dos quais dois terços (80 mil) pagavam e os demais (40 mil) estavam nas duas semanas de experimentação gratuita. Dos assinantes pagantes, 60% (48 mil) assinaram pela tarifa semanal de US$ 0,99 e os demais para o plano anual de US$ 39,99. Em entrevista ao Advertising Age, o publisher Greg Clayman disse que tinha, efetivamente, 80 mil assinantes.

A despeito do forte apoio publicitário da Verizon e de outros anunciantes, um dos problemas do The Daily tem sido sua incapacidade de atrair publicidade com a consistência e o volume necessários para ser bem-sucedido. A iniciativa do The Daily era criar uma marca de Murdoch no mundo digital, especificamente projetado para um tablet, o qual deveria se viabilizar com assinaturas. The Daily inovou em design e fotografia no iPad. Mas também mostrou as falhas do dispositivo – lentidão para fazer o download e persistência de erros, que demoraram para ser neutralizados. Pelo lado editorial, ora variou entre um tabloide, ora como um jornal mais sisudo.

Com essas flutuações, neste último sábado, The Daily lançou uma espécie de revista dominical (que sai no sábado), chamada WKND. Juntamente com a revista semanal, The Daily também sucumbiu aos classificados de automóveis e imóveis. Mas, o futuro do jornal segue incerto. Questionado sobre se The Daily é um modelo de mídia digital para a News Corp., o diretor-chefe digital da empresa, Jon Miller, apenas declarou: “Estamos tentando descobrir até que ponto vai a escala. Se o jornal puder confirmar essa escala, então se tornará um modelo”.

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