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DQD – Doa a quem doer!

Com quase quatro milhões de seguidores no Facebook, Twitter e Instagram, e conhecida por opiniões bem delineadas, a atriz e apresentadora Mônica Iozzi fala ao Meio & Mensagem sobre criatividade e carreira

Sergio Damasceno Silva
11 de abril de 2016 - 16h17

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Sem papas na língua, foi assim que a atriz ganhou a audiência no Vídeo Show

O programa que lhe deu fama foi o CQC – Custe o que custar, mas poderia ser DQD: ela é destemida, articulada e não hesita em tornar públicas opiniões sobre o que for. Mônica Iozzi é a atriz da roça (segundo a própria no Twitter) ou a caipira, porém, phyna (no Instagram). É isso e também é urbana. Mais: é cosmopolita porque transcende a geopolítica e se insere em outros contextos, fora das artes cênicas que a forjaram. Mônica é um misto: alta, altíssima no salto 15, longilínea e expressiva, tem uma voz clara que se faz ouvir. E para uma grande audição: quase quatro milhões de seguidores no Facebook, Twitter e Instagram. Os posts despertam os extremos: os que a aplaudem e os que a vaiam. E de onde vem essa verve política, capaz de rebater e debater de igual para igual com equivalentes e outros nem tanto? Mônica resgata os quatro anos que passou no Congresso Nacional, quando trabalhava para o CQC, da Band. A ida para a Rede Globo ampliou a voz e a catapultou de vez quando foi âncora do Vídeo Show. Ao inovar na bancada do house organ da Globo, com Otaviano Costa, Mônica revigorou o programa. Conhecida por posições políticas bem delineadas, é capaz de criticar a própria emissora, corrigir a Globo News e assumir um posicionamento raro no meio artístico. A apresentadora e atriz, que estará na série Advogada do Diabo, na Globo, falou com Meio & Mensagem num dos ambientes que mais gosta: a livraria Cultura (da qual já foi funcionária).

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Meio & Mensagem — Qual é a origem da sua criatividade?

Mônica Iozzi — Tem muito a ver com a minha formação, educação, casa. Éramos uma série de primos, uma família muito grande e não tínhamos grana. Para nos divertirmos, tínhamos de improvisar. Fazía­mos bonecos, inventávamos brincadeiras que não precisassem de nenhum objeto. Ao mesmo tempo, estudei numa escola que ensina a criança a pensar por si só, ensina arte. Isso foi muito importante. Fazia balé e artes plásticas. Não tínhamos grana, mas meus pais colocaram duas coisas como primordiais: uma casa legal e a escola. Naquela época, talvez, ganhávamos uma boneca por ano, no Natal. E não era só por não ter. Não tínhamos como as crianças têm hoje. Mas a minha avó e meus pais sempre instigaram essa vontade de fugir do comum em nós. Quando você é ensinado a pensar e improvisar, a criatividade floresce. E tem de ser alimentada e exercitada.

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M&M — Sua educação formal é em artes cênicas. Mas seu discurso, em geral, é bastante calcado em ciências sociais, politizado. De onde vem essa referência, já que artes cênicas não traz isso diretamente?

Mônica — É impressionante o quanto a escola e o professor influenciam na formação da personalidade. Meus pais sempre foram pessoas simples e não tinham bagagem cultural. Só que eu tinha uma professora de geo­grafia, que depois também deu aula de geopolítica, muito inteligente e justa e que tinha um jeito sagaz de trazer a discussão. Aquilo sempre me pegou e me interessou, desde criança. Acho que era a única com 14 anos que via horário eleitoral. Por mais que artes cênicas não dialogue diretamente com isso, quando se lê Shakespeare, é político.

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M&M — Você tem um público gigante, além da TV aberta, nas redes sociais. Na soma do Twitter, Instagram e Facebook, são quase quatro milhões de seguidores. É muito mais do que a sua cidade natal (Ribeirão Preto tem cerca de 600 mil habitantes). Você acha que consegue, pelo discurso político, educar? O que você deseja com esse discurso?

Mônica — Antes de qualquer megaobjetivo, eu não conseguiria não me pronunciar a respeito dessas coisas. Independentemente de trabalhar na TV ou não, de ter milhares de seguidores ou não, eu escreveria aquilo. Mesmo que fosse professora e apenas minha família me seguisse. É uma necessidade que tenho de me colocar. Sempre escrevi sobre política porque trabalhei quatro anos no Congresso (pelo programa CQC, da Band). Ultimamente, estou muito ligada nisso e insisto porque vivemos um momento em que temos de nos posicionar. Não para escolher um lado. E sim colocar o que se pensa, suscitar a discussão. Está tudo tão preto no branco que discutir política se tornou uma coisa como discussão de torcidas de futebol organizadas. Enquanto continuar assim, não solucionaremos nada. Escrevo da forma como escrevo para, pelo menos, tentar aprofundar um pouco o debate. Enquanto ficarmos nos chamando de coxinhas e petralhas, não vai andar. Isso gera uma cultura de ódio, uma atmosfera de intolerância. Temos de nos desarmar dessas bandeiras e, juntos, pensarmos o que deve ser feito. Continuo falando não para ser a dona da verdade, causar polêmica e muito menos para ter seguidores. Tenho de me colocar como cidadã.

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Mônica gravará minissérie da Globo ao lado de Tony Ramos

M&M — Você trabalha numa emissora, a Rede Globo, tradicionalmente rarefeita a que funcionários se posicionem politicamente. A Globo te proíbe de alguma coisa?

Mônica — Não. Acho que por ser a maior emissora do País, exista um exagero de como a Globo trata seus contratados. Nunca tive nenhum tipo de retaliação. Sin­to-me muito livre. O Alexandre Nero falou isso lindamente: só por que você discorda de um ponto de vista do lugar que você trabalha tem de pedir demissão? Em qualquer lugar que trabalhar, discordará de alguma coisa. Não vou deixar de fazer o meu trabalho porque não concordo com uma coisa ou outra. A Globo dialoga bem com seu elenco. As minhas redes sociais são minhas. Nunca sofri nenhum tipo de interferência. Nem da Globo nem da Band. Minhas redes sociais não representam as empresas em que trabalho. Representam a mim, apenas a mim, e só a mim.

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M&M — Você disse: “Somos um povo que se informa apenas pelas manchetes do JN”. Por onde devemos nos informar?

Mônica — O que falei do JN é que o jornalístico é a maior fonte de informação das pessoas. É o principal jornal, no horário nobre, da principal emissora. Por mais que a internet tenha dado acesso mais fácil à informação, a maioria ainda se informa pela televisão. E é tudo muito rápido. Entre chamada e matéria, são uns quatro minutos. Mas não dá para se informar só com manchetes. Quer ver o JN, veja, mas também tem de ver o Jornal da Band, ler a Veja, a Carta Capital, o Meio & Mensagem, porque nenhum veículo é de ninguém. Sempre existe um dono ou um grupo de pessoas que são donas. E essas pessoas têm i­deais e interesses. Temos de conseguir informação do maior número de fontes possíveis e fazer uma análise: “Hum, a Carta Capital falou isso, mas a IstoÉ disse isso e a Piauí disse isso e o (Ricardo) Boechat comentou isso”. A partir disso, você vê como o mundo anda. Porque imparcialidade não existe.

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A íntegra desta entrevista está publicada na edição 1705, de 11 de abril, exclusivamente para assinantes, disponível nas versões impressa e para tablets nos padrões iOS e Android.

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