Saída da Band do Brasileirão vai além da crise financeira

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Saída da Band do Brasileirão vai além da crise financeira

De acordo com especialistas, a notícia de que a emissora deixará de transmitir o campeonato é sintoma da mudança nos modelos de transmissão

Luiz Gustavo Pacete
4 de maio de 2016 - 13h12

A notícia de que a Band vai deixar de transmitir o Brasileirão pegou o mercado de surpresa nesta terça-feira, 3. Ainda que a emissora venha passando por problemas financeiros abrir mão de um produto tão importante não pareceu estratégico. A Band transmite o Campeonato Brasileiro desde 2007. No ano passado,  já havia perdido a Série B para a Rede TV! e, neste ano, deixou de transmitir a Copa do Brasil. No comunicado, em conjunto com a Globo, o motivo alegado é “o agravamento da crise econômica que impediu a Band de prosseguir com o licenciamento, a partir da temporada 2016”. Ao Meio & Mensagem, a Globo afirmou que negociará os direitos de transmissão com outras emissoras.

Rodrigo Almeida, diretor de Mídia da W3haus, comenta que com a decisão, a Band perde apelo comercial junto ao mercado de agências e anunciantes. “Embora seja uma emissora sólida e com ampla capacidade de se reinventar com agilidade.” Em relação à audiência, Almeida reforça que o grande público raramente fica dependente de apenas uma fornecedora de conteúdo. “Por isso o Pay TV ganha ainda mais força como uma das opções mais viáveis para os telespectadores”, ressalta.

Anderson Gurgel, professor de comunicação e marketing esportivo do Mackenzie, explica que o argumento da crise econômica é real, mas também conveniente. “Na prática, o modelo de negócios estabelecido pela parceria Globo e Band nunca permitiu à Band realmente explorar o máximo o potencial de negócios, pois sempre houve um alinhamento obrigatório, o que exigia que a emissora paulista sempre mostrasse os jogos que a emissora carioca mostrava”, diz Gurgel.

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A Band transmite o Brasileirão ininterruptamente desde 2007

Segundo o especialista, também não deixa de ser mais um movimento na mudança do modelo de transmissão do futebol no Brasil, que está agitado com a entrada de novos players e mudança dos hábitos dos consumidores. Gurgel se refere ao movimento protagonizado recentemente por Esporte Interativo, de propriedade da Turner, que disputa a transmissão do Brasileirão na TV a cabo com o SporTV, da Globosat. O assunto, inclusive, está no Cade que questionou a Globo sobre a negociação com os clubes.

A saída da Band do Brasileirão também impacta os clubes, diz Amir Sommogi, especialista em negócios esportivos. “A Band tem um papel fundamental para compor as audiências do futebol no Brasil. Se uma partida na Globo dá 20 pontos e 6 na Band, o mercado sempre leu como 26 pontos, e isso ao que parece não teremos mais.” Ele também ressalta o fortalecimento da TV paga. “Outra questão é a migração do futebol somente para TV fechada e PPV. Ainda que pareça difícil acontecer, já que a Globo fatura alto com seus anunciantes do pacote futebol, as quedas das audiências podem acarretar em migração somente para a TV fechada.”

Ivan Martinho, da Traffic Sports: “entendo que os investimentos feitos pela emissora na cobertura de Rio2016 tenham tirado o fôlego para seguirem com outras propriedades esse ano mas estou certo que em 2017 estarão de volta com força total no futebol”

Ivan Martinho, vice-presidente de vendas e marketing da Traffic Sports, afirma que a Band segue com a marca de “canal do esporte”. “Entendo que os investimentos feitos pela emissora na cobertura de Rio2016 tenham tirado o fôlego para seguirem com outras propriedades esse ano mas estou certo que em 2017 estarão de volta com força total no futebol”, completa. Fábio Wolff, sócio fundador da Wolff Sports & Marketing, acredita que a ausência da TV Bandeirantes limitará as opções do mercado. “Pois com a Globo, a Band potencializava a exposição do evento na TV aberta nacional.”

Procurada, a Band se limitou a reforçar o que já foi dito em comunicado.

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