“Não adianta propósito sem processos”, diz Emicida

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“Não adianta propósito sem processos”, diz Emicida

Rapper paulista lança o AmarElo Prisma, iniciativa multiplataforma desenvolvida pela Lab Fantasma em parceria com a agência Mutato

Luiz Gustavo Pacete
27 de maio de 2020 - 12h24

 

O AmarElo Prisma terá conteúdo desdobrado em vídeos, podcast e redes sociais (Crédito: Divulgação)

Audiovisual, moda, games, quadrinhos. Para o rapper paulista Emicida, a música é muito mais versátil e completa do que as letras e melodias. E é esse o conceito que ele utiliza para classificar o AmarElo Prisma, novo projeto da Lab Fantasma – gravadora que também atua como um hub de produção cultural e de moda, criada em parceria com o empresário e compositor Evandro Fióti – desenvolvido em parceria com a agência criativa Mutato.

O AmarElo Prisma terá conteúdo desdobrado em vídeos, podcast e redes sociais e está organizado em Movimentos, espécie de capítulos que serão lançados semanalmente. No total, são quatro divididos em: Paz (corpo), Clareza (mente e saúde mental), Compaixão (alma, empatia e conexão com o outro) e Coragem (sobre o coração e o poder de criar histórias de forma coletiva).

O Movimento 1 inicia o projeto com foco na maneira como o ser humano se relaciona com a terra, com o consumo, com o corpo e com a alimentação. Nele, Emicida convidou pessoas que trazem repertórios diferentes, seja pelo meio de atuação, pela vivência ou, até mesmo, pela localização geográfica no Brasil.

“O projeto é parte dessa filosofia multiplataforma desde a sua fase mais embrionária, por isso ele já nasce anunciado como um experimento social e não somente um disco novo”, diz Emicida ao Meio & Mensagem reforçando a necessidade deste tipo de conteúdo e reflexões em um momento de grandes desafios para o Brasil. Para Andre Passamani, CoCEO da Mutato, a essência do projeto também reforça o papel da comunicação: “transformar vidas e histórias de maneira positiva”.

 

Emicida: “alimentamos um mundo criativo e também nos alimentamos dele” (Crédito: Divulgação)

Em entrevista, Emicida fala sobre o papel multiplataforma da música, o processo de cocriação com a Mutato e como ele enxerga a responsabilidade das marcas em relação à verdade e responsabilidade do propósito.

“Não adianta falar de propósito sem refletir sobre processos, assim como não adianta refletir sobre processos excludentes se isso não se converte em ações no dia a dia”

Meio & Mensagem – O que levou a Lab Fantasma e a Mutato a criarem um projeto multiplataforma?
Emicida –
A Lab sempre foi multiplataforma. O projeto AmarElo é parte dessa filosofia desde a sua fase mais embrionária, por isso ele já nasce anunciado como um experimento social e não somente um disco novo. Música, audiovisual, desfiles de moda, games, quadrinhos, tudo isso compõe nosso habitat natural e se apresenta em nossa rotina. Vender música é apenas uma das coisas que os vendedores de música fazem no século 21, as possibilidades são infinitas. Com essa bagagem, nos juntamos à Mutato e à sua capacidade de se comunicar para fazer essa experiência a 4 mãos.

Que tipo de impacto essa pluralidade de plataformas e formatos causa hoje na obra de um artista?
Alimentamos um mundo criativo e também nos alimentamos dele. Não faz sentido querer permanecer apenas em uma ou duas plataformas, quando as pessoas se espalham por tantas janelas e há muito para se aprender com essas relações. Como tudo se relaciona é uma questão central do projeto AmarElo. É filosófico, humano e transgressor tudo isso e da forma mais doce que poderia ser.

Qual foi a experiência de juntar o seu processo criativo junto ao de uma agência criativa?
Não foi a primeira vez que fiz isso, foi a vez em que fiz isso com mais intensidade. Pegar um pessoal que faz isso profissionalmente e trancar numa mesma sala pra conversar e sugerir coisas. Faço isso com meus amigos, gente de arte também, mas nessa magnitude foi a primeira vez e foi muito divertido. O mundo é melhor quando muita gente diferente pode criar junto com a barriga cheia. A gente, enquanto raça humana, perde – e perde muito – a cada vez que o ambiente de criação é o oposto disso. Aliás, estamos onde estamos em sociedade por insistir em bater nessa tecla excludente que nem funciona mais e é o completo oposto do que propomos no Prisma.

Considerando o atual momento, o quanto se tornou sensível a necessidade de empatia por parte das marcas no que diz respeito a propósito e autenticidade?
Acho que temos que ser de verdade. Colaborar com as histórias sem canibalizá-las. Isso é sobre marcas, mas, antes de tudo isso, é sobre pessoas. Nosso descuido esvazia e destrói muita coisa maravilhosa. Se queremos nos entender como criadores de um mundo melhor, precisamos não canibalizar as coisas bonitas às quais nos associamos. Isso significa estar de corpo e alma nas histórias de tudo o que cerca a gente. Não adianta falar de propósito sem refletir sobre processos, assim como não adianta refletir sobre processos excludentes se isso não se converte em ações no dia a dia. Esse descuido acaba esvaziando palavras importantes, sem necessariamente erradicar o que nos propomos a erradicar. Há que se ter cuidado sempre.

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