Crianças aumentam uso de tela durante isolamento

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Crianças aumentam uso de tela durante isolamento

Digital representa escapismo diante das restrições sociais

Thaís Monteiro
13 de novembro de 2020 - 8h46

A rotina de todos foi afetada de alguma forma pelas medidas de isolamento e distanciamento social durante a pandemia do novo coronavírus e o consumo de telas aumentou, seja pela falta de entretenimento exterior ou maior conectividade para assistir às aulas e fazer reuniões virtuais. As crianças foram fortemente afetadas.

 

Games, TV, youtubers e TikTok ocuparam parte da rotina das crianças (Crédito: Kelly Sikkema/Unsplash)

A pesquisa “Entretempos, relatos e aprendizados sobre as crianças nessa pandemia”, do Gloob em parceria com Quantas e Tsuru, constatou que os jogos online, televisão e uso de redes sociais aumentou consideravelmente. As apurações foram feitas a partir de entrevistas de profundidade com oito famílias de diferentes regiões, quatro professores e três especialistas nas áreas de psicologia, educação e tecnologia e questionário quantitativo com 600 crianças com idades de 6 a 11 anos e 480 pais com filhos nessa faixa etária. O relatório na íntegra está disponível na plataforma Gente.

Segundo o estudo, 78% das crianças jogam videogames diariamente, e, segundo os pais, 76% delas começaram a assistir mais à televisão. A internet também ganhou destaque: 74% consomem mais vídeos na internet do que antes do isolamento e 73% começaram a passar mais tempo acompanhando youtubers. Na seara das redes sociais, o TikTok está na liderança: cerca de 48% dos entrevistados publicam no aplicativo da Bytedance. Seguem ele o Facebook e Instagram, usados por 40% deles, porém com maior frequência entre crianças mais velhas, de 10 e 11 anos.

De acordo com a pesquisa, para as crianças, as telas representam uma janela para um espaço familiar anterior a Covid-19 e cumprem funções interativas e compensatórias. O canal indica que as telas dão a ilusão de que há pessoas falando com os usuários e promovem companhia remota de amigos e parentes, ajudam na identificação e projeção das crianças com personalidades da internet e possibilitam uma maior escolha sobre o conteúdo que desejam consumir sem que elas fiquem sujeitas a uma programação pré-estabelecida.

No período, as atividades artísticas, extracurriculares e prática de esportes diminuíram para 30%, 27% e 46% das crianças, respectivamente. Apesar disso, a pesquisa aponta que brincadeiras, leitura e o sono aumentaram.

“O universo digital já faz parte do dia a dia dessas crianças, porque a maioria delas já nasce conectada. E nesse momento, de fato, as telas nunca foram tão consumidas. Para uma parcela dessas crianças, ela ganha uma camada de responsabilidade com as aulas virtuais. E, também, não deixa de ser uma ferramenta para manter contato com os amigos, familiares e o mundo lá fora num contexto de isolamento”, opina Luciane Neno, gerente de marketing e plataformas digitais da Unidade Infantil da Globo.

Segundo a executiva, o novo contexto exigiu que as marcas se reinventassem e entendessem rapidamente as transformações pelas quais seus públicos estavam passando, ajustando o planejamento, repensando a linguagem e formato de produção. “Com a gente, não foi diferente. Mergulhamos nesse desafio para continuar inspirando, informando e divertindo as crianças que, por sua vez, estavam impedidas de exercer seu livre brincar, nas ruas, na escola e no convívio social. Nessa adaptação a uma nova realidade, as tecnologias e as plataformas digitais tiveram papel fundamental”, conta.

As ações denominadas “Gloob em Casa”, que consistiam em uma série de conteúdos com foco em serviços, cuidados com higiene e entretenimento para garantir diversão para as crianças em casa, foram criadas para atender essa demanda. De acordo com Nero, o case representa uma atuação responsável e empática que convidou famílias a passarem tempos juntos em uma forma de consumo consciente das telas.

Para a executiva, a reconstrução dos laços familiares devem ditar novos comportamentos mesmo após a vacina. De acordo com o relatório, as famílias têm feito mais atividades em conjunto, como ver TV (94%), fazer as refeições em família (87%), brincar (79%), ler (55%) e cozinhar (50%). Dos pais entrevistados, 80% dizem mais conectados com os filhos, 81% estão felizes com mais tempo em família e 73% pretendem alterar sua rotina para não perder o que foi conquistado nesse período. Apesar disso, eles ganharam mais tarefas no período. Cerca de 79% das mães acumularam a função de auxiliar os filhos nas aulas online e um terço dos pais relataram que foi difícil equilibrar múltiplas funções.

No entanto, como legado, o período pode deixar uma maior participação dos pais na rotina de aprendizado das crianças. “Percebemos muito claramente esse desejo dos pais de estarem mais próximos dos filhos, de acompanharem mais de perto seu desenvolvimento, de se conhecerem de forma mais autêntica e íntima, uma cultura do afeto que vem ganhando mais espaço e tempo no dia a dia. Eles também se solidarizaram com o desafio dos professores em mediar essa interação de forma remota, o que desperta um olhar mais atento para a relação com a escola, uma vez que essa entrou em casa e vice-versa. Nesse cenário, 81% também declara ter mais clareza sobre a dificuldade dos filhos no colégio, depois do isolamento”, diz Luciane.

“O estudo deixa o convite para que as famílias continuem a inspirar as crianças, estimulando a curiosidade, o observar da passagem do tempo, o convívio com o tédio através da criatividade e o desenvolvimento de um olhar atento para o que realmente importa. Essa cultura do afeto tem um potencial transformador”, conclui a gerente de marketing e plataformas digitais.

**Crédito da imagem no topo: Irina Devaeva/iStock

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