Por que o YouTube vai promover narrativas negras?

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Por que o YouTube vai promover narrativas negras?

Bibiana Leite, líder do programa #YouTubeBlack no Brasil, fala sobre a importância de se ter iniciativas de incentivo, como o Vozes Negras

Amanda Schnaider
15 de janeiro de 2021 - 6h00

Em outubro do ano passado, o YouTube criou o Fundo Vozes Negras, compromisso global da empresa para elevar e incentivar criadores e artistas negros na plataforma, bem como a produção e aquisição de novos programas do YouTube Originals com foco em justiça racial e na experiência negra. Segundo a companhia, ao todo serão 100 milhões de dólares dedicados a amplificar e desenvolver vozes e histórias negras, por pelo menos três anos, com expectativa de investimento em mais de 500 criadores no mundo todo.

Nesta semana foram anunciados os 132 criadores e artistas selecionados pelo fundo em 2021. Entre eles, há músicos, empresários de beleza, comediantes, ativistas, poetas, treinadores, professores, pais e fotógrafos, dos países: Brasil, África do Sul, Austrália, Estados Unidos, Nigéria, Quênia, e Reino Unido. A lista dos 35 brasileiros contemplados inclui nomes como Ana Paula Xongani, Dois por Cento TV, Spartakus, Gabi Oliveira, Nátaly Neri, Profa Rafaela Lima e 10ocupados, além dos artistas Mc Carol, Péricles, Urias e Rael.

O fundo permitirá que, nos próximos meses, o YouTube trabalhe em estreita colaboração com os criadores selecionados para que prosperem na plataforma. Além de suporte da companhia e financiamento para investir no canal, os selecionados também participarão de programas de networking e treinamentos personalizados da Incubadora de Criadores do YouTube, uma experiência imersiva de três semanas que conta com workshops virtuais para ajudar em produções e na administração do negócio.

“Construímos essa iniciativa com a intenção de apresentar narrativas novas que enfatizem o poder intelectual, a autenticidade, a dignidade e a alegria das vozes negras, bem como para educar o público sobre a justiça racial”, afirma Bibiana Leite, diretora de desenvolvimento de parcerias de conteúdo no YouTube e líder do programa #YouTubeBlack no Brasil — projeto que reúne criadores negros que tem o objetivo falar de questões raciais com pessoas que tenham lugar de fala sobre o assunto.

Bibiana Leite (crédito: divulgação/YouTube)

Em entrevista ao Meio&Mensagem, Bibiana conta um pouco de sua história no YouTube e revela qual a importância de se ter iniciativas de incentivo voltadas aos criadores de conteúdo negros.

Meio&Mensagem – Bibiana como começou sua história no YouTube e na iniciativa Fundo Vozes Negras?
Bibiana – Iniciei minha carreira no YouTube em 2010, quando recebi uma oportunidade interna para trabalhar como gerente de parcerias para criadores do Brasil e América Latina na sede do YouTube em San Bruno, na Califórnia. Eu já estava no Google São Paulo trabalhando como gerente de publicidade online por cerca de quatro anos. No YouTube, minha missão tem sido ajudar nossos criadores, parceiros e artistas em crescimento e com potencial a ter acesso a treinamento, ferramentas e suporte para que possam otimizar seus canais e conteúdos, ampliar a audiência e aumentar a receita em publicidade gerada no canal. Meu time de gerentes de parcerias está em quatro localidades (São Paulo, Cidade do México, San Bruno e Nova Iorque), com intuito de apoiar criadores em toda a América Latina. O Fundo Vozes Negras do YouTube foi anunciado no ano passado, em um contexto de discussão sobre justiça racial, pautada não apenas pela morte de George Floyd, nos Estados Unidos, mas também pela situação que vivemos no Brasil. Lidero a iniciativa do #YouTubeBlack no País desde 2015, quando fizemos nosso primeiro evento para criadoras negras em São Paulo.

M&M – Que tipo de apoio os influenciadores selecionados receberão da plataforma?
Bibiana – Além do aporte financeiro, os selecionados também participarão de programas de networking e treinamentos personalizados da Incubadora de Criadores do YouTube, uma experiência imersiva de três semanas que conta com workshops para ajudar em produções e na administração do negócio. Normalmente realizamos este tipo de evento no YouTube Space, no Rio de Janeiro. Mas, devido à pandemia, neste ano realizaremos os workshops e encontros entre os criadores de forma completamente virtual. Oferecemos um suporte dedicado a eles e trabalharemos em estreita colaboração para ajudá-los a prosperar na plataforma.

M&M – Como será o apoio financeiro?
Bibiana – Cada criador receberá um valor, correspondente ao seu momento atual. Eles podem utilizar os recursos para investir na produção de conteúdo do seu canal conforme suas necessidades e planos, como a compra de equipamentos ou contratação de serviços.

M&M – Quais foram os critérios de seleção para escolher os produtores de conteúdo contemplados?
Bibiana – Para esta primeira turma, foram convidados criadores e artistas que já participaram de algum evento do #YouTubeBlack, mas, a partir da próxima turma, as inscrições serão abertas. Analisamos diversas métricas, incluindo engajamento dos canais, e buscamos, também, atingir uma diversidade de temas abordados pelos criadores que selecionamos.

M&M – Por que a empresa achou importante ter um projeto voltado a potencializar os influenciadores negros?
Bibiana – No último ano, assistimos a dolorosos acontecimentos no mundo todo causados por um racismo sistêmico e que nos lembraram da importância da necessidade de continuar a fortalecer os direitos humanos sempre. O Fundo Vozes Negras é apenas parte de um trabalho em andamento para tornar o YouTube um lugar onde artistas, criadores e espectadores negros possam compartilhar suas histórias e se sentirem protegidos. Construímos essa iniciativa com a intenção de apresentar narrativas novas que enfatizem o poder intelectual, a autenticidade, a dignidade e a alegria das vozes negras, bem como para educar o público sobre a justiça racial.

M&M – O YouTube pretende promover novas edições do Fundo Vozes Negras?
Bibiana – Nós assumimos o compromisso de manter esse fundo por, no mínimo, três anos, com expectativa de investimento em mais de 500 criadores no mundo todo. Nos próximos meses serão abertas as inscrições para a turma de 2022 do Fundo Vozes Negras.

M&M – Quais são os projetos e ações que estão na agenda do Fundo Vozes Negras para este ano?
Bibiana – Assim que tivermos as datas definidas para as inscrições da turma de 2022, divulgaremos amplamente para a imprensa. Além do Fundo, seguiremos investindo na produção de YouTube Originals produzidos por negros e negras. Para este ano já temos programadas as estreias de “Jantar com a Família Onyx”, série que reúne família multigeracional para muita diversão e conversas abertas sobre a vida e o que está acontecendo no mundo, e “Barbershop Medicine”, que pretende falar sobre saúde pública, explorando o impacto que raça e status socioeconômico têm na saúde e na longevidade. Além de outras que serão anunciadas ao longo do ano, inclusive algumas feitas no Brasil.

**Crédito da imagem no topo: Mariana Mikhailova/iStock

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