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Todas as voltas que o mundo dá

Métricas são precisas, mas certos valores não estão na mesa de negociações


25 de março de 2019 - 13h20

 

(crédito: tupungato/iStock)

Os players tradicionais do mercado de comunicação já entenderam que a transformação digital não é uma opção, mas sim uma condição sine qua non para se continuar no jogo, independentemente da indústria na qual se esteja inserido. No melhor estilo “se você não pode vencê-los junte-se a eles”, agências, veículos e mesmo as marcas de setores mais tradicionais, há algum tempo, deixaram para trás o estágio de negação para buscar soluções que coloquem suas ofertas em linha com as demandas da nova ordem, que passa a reger cada vez mais as diretrizes de quem toma as decisões de investimentos no setor e de desembolso nas compras do dia a dia.

A necessidade de transformação contempla a reforma de estruturas e fundações, com a derrubada de paredes para a construção de acessos que reorganizem a maneira como trabalhamos da porta para dentro. Nas páginas da entrevista que semanalmente abre as seções iniciais da edição impressa Meio & Mensagem, o CEO global da VML Y&R Jon Cook ressaltou que a estratégia adotada pelo WPP sob a gestão de Mark Read tem o objetivo de fazer do conglomerado de empresas uma única companhia de fato, no sentido de não competirem entre si e manterem uma agenda comum de crescimento, gerando eficiência e retroalimentando o todo.

“Um grupo é apenas um conjunto de empresas que não canalizam uma força comum”, afirmou o executivo à repórter Isabella Lessa.

Diferente em suas nuances, mas similar em seu propósito, a jornada percorrida pelo Grupo Globo tem como objetivo potencializar todos os seus ativos por meio da integração de suas ofertas e soluções, mas também de seus centros e competências.

É uma movimentação estratégica para que a companhia passe a atuar e seja reconhecida como uma media tech, como o presidente executivo da empresa Jorge Nóbrega revelou em entrevista publicada na edição de terça-feira, 19, do jornal Valor. “Daqui a algum tempo não teremos mais empresas separadas. Vamos ser uma só Globo”, projetou Nóbrega.

Curiosamente, as grandes empresas de tecnologia também encaram seu momento “caindo na real”: já não é mais uma escolha ignorar que sem uma relação transparente com os consumidores todo o ecossistema do qual seus negócios dependem corre o risco de vir abaixo. A ausência de respostas eficientes para criar um campo seguro para as marcas e a própria sociedade em suas plataformas de mídia cria um cenário propício para o fortalecimento da imagem de provedores de conteúdo e serviços que vinham perdendo espaço com a ascensão da mensurabilidade a qualquer custo em detrimento da credibilidade.

Assim como no caso de seus pares mais longevos de mercado citados no primeiro parágrafo, a reação das tech companies talvez tenha demorado mais tempo do que o necessário.

É compreensível a resistência de quem está ganhando à mudança: enquanto o faturamento segue em alta, manter a estratégia parece o correto. Mas a temperatura em campo é um indicador fiel dos rumos que a partida pode tomar, ainda que o placar continue indicando uma vitória parcial.

Métricas são precisas, mas certos valores não estão na mesa de negociações — e a construção de uma marca obedece a dinâmica da confiança: ganha corpo tijolo a tijolo, mas pode ruir de uma vez só.

*Crédito da foto no topo: Reprodução

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