Influencers: dos views aos negócios

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Influencers: dos views aos negócios

Apesar de jovem, o mercado de influenciadores digitais amadurece rapidamente e, cada vez mais, dita novas regras


19 de julho de 2019 - 15h58

(Crédito: Rawpixel/iStock)

Em comparação às mídias tradicionais, o mercado de influenciadores digitais ainda é novo. Todavia, apesar de ainda ser novo, ele já não é pequeno. Tem crescido e amadurecido rapidamente. O universo dos influencers tornou-se um ambiente profissional em pouco tempo. Terreno fértil para a colheita de diversos talentos, esse mercado passou por algumas fases – mais especificamente, duas, até chegar à fase em que se encontra hoje.

As três fases do mercado de influenciadores digitais
Na primeira fase, praticamente nenhuma marca ou mídia considerava a internet verdadeiramente relevante. Acreditava-se, inicialmente, que seus índices não tinham um significado palpável. Para os mais conservadores, eram apenas números digitais que não refletiam efetivamente o comportamento das pessoas no “mundo real”. De modo geral, pouco se apostava no potencial da internet.

Justin Bieber, por exemplo, é um caso apropriado para ilustrar a primeira fase desse mercado. Na época em que Bieber ainda não era famoso como hoje (mas possuía uma boa visibilidade pelo YouTube na Inglaterra), seu empresário, Scooter Braun, entrou em contato com a Universal Music, para sugerir uma turnê do músico pelo Reino Unido.

A sugestão foi encarada com descrença e sarcasmo, já que, para os produtores da Universal, as visualizações do YouTube não expressavam, praticamente, coisa alguma. Ao levar Justin Bieber até a Inglaterra, Braun, por meio de divulgação nas redes sociais, trouxe aproximadamente duas mil pessoas para prestigiar uma performance do então youtuber. Desse momento em diante, aos poucos, a força da internet foi se tornando mais perceptível.

Já na segunda fase, fenômenos como o próprio Bieber e outros grandes youtubers nos Estados Unidos, na Europa e até no Brasil, começaram a ganhar visibilidade. Com a eclosão do mercado de influenciadores, também surgiram aqueles que olharam para essa atividade como um meio descomplicado para obtenção, enfim, de lucro. Entre 2014 e 2015, as marcas e, principalmente, o mainstream começam a descobrir com intensidade que a internet tem poder.

A arrebatadora e errônea aparência de ganhos facilitados interessou a muitos. Diversas marcas passaram a investir nos influencers. No entanto, constantemente, o investimento era feito sem que houvesse conhecimento, estudos e métricas sobre esse mercado. Consequentemente, por não haver entendimento a respeito do que se fazia, muitas ações foram executadas de maneira inadequada, depreciando, assim, o mercado de influenciadores.

Hoje, na terceira fase da internet, presenciamos um amadurecimento generalizado desse mercado. As marcas, cada vez mais, têm entendido o que desejam extrair e quais resultados desejam obter dos influenciadores. Os influenciadores, por sua vez, também começaram a aprender que é necessário profissionalizar seu negócio. Não basta ter views, apenas, é fundamental saber se relacionar com as marcas e entender profundamente seu público.

Atitudes prejudiciais ao mercado de influencers
Mesmo nessa fase de amadurecimento, são perceptíveis algumas atitudes que são prejudiciais à imagem dos influenciadores e revelam certo amadorismo ainda presente no mercado. Um exemplo disso é a dificuldade em precificar os influencers.

Frequentemente, nós, que trabalhamos com influenciadores, vemos grandes youtubers cobrando muito menos do que deveriam, ao mesmo tempo em que notamos microinfluenciadores exigindo uma fortuna para fechar ações. Isso pode levar ao seguinte cenário: um youtuber com bom engajamento, perde uma negociação justa com alguma marca por causa de outro que, apesar de ter mais inscritos, cobra muito pouco pelo retorno que pode oferecer. Tais casos prejudicam e desregularizam nosso mercado, que não possui seus custos tabelados como ocorre com a mídia tradicional.

Outro quadro muito comum, que sinaliza a falta de experiência ainda presente no mercado, pode ser verificado quando as marcas, à procura de influenciadores, não encontram meios para entrar em contato eles e, quando encontram, não obtém retorno. Essa realidade aponta para a ausência de um profissional que permaneça próximo a esses youtubers para fazer um trabalho de atendimento efetivado e profissional com o mercado.

Qual o antídoto para o amadorismo?
Para essas e outras práticas que causam descrédito ao mercado de influenciadores, a solução é, sem dúvidas, a busca por profissionalização. Cada vez mais marcas e agências desejam trabalhar com profissionais que tenham o engajamento e a seriedade necessários em todo mercado consolidado. E isso passa pelo comprometimento do influenciador.

Quanto mais o influencer dominar o mercado no qual está inserido e quanto mais pessoas de confiança ele tiver trabalhando ao seu lado, maiores serão as chances de crescimento em sua atividade profissional. Para além da preocupação com visualizações e produção de conteúdo, é imprescindível a presença de uma equipe de qualidade e a capacidade de compreender sua área de atuação.

É preciso, portanto, perceber que ser influenciador digital é mais do que produzir um conteúdo interessante. Ser influenciador digital envolve entender mais do mercado, adquirindo conhecimento sobre seu funcionamento, aprendendo mais sobre publicidade, propaganda, marketing e tudo que permeia nosso business. Ser influenciador digital é uma profissão, um empreendimento e uma vocação. Ser influenciador digital é alcançar a capacidade de se eternizar e mudar os parâmetros desse universo repleto de desafios e possibilidades chamado internet.

**Crédito da imagem no topo: Reprodução/iStock

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