Maternidade e criatividade

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Maternidade e criatividade

Quando ser mãe te faz melhor criativa


3 de dezembro de 2019 - 18h30

(Crédito: Twins Nika/iStock)

O meu último trabalho em agências foi na Publicis, onde era diretora de criação de Nestlé e algumas outras contas. Lá, tive a oportunidade de cuidar de várias marcas que tinham como foco falar com mães. Era a primeira vez que criava para bens de consumo e para esse target.

Pouco a pouco, fui descobrindo o universo da maternidade e seus desafios. O que eu não sabia é que, em pouco tempo, quem viraria mãe seria eu. E, de repente, tudo aquilo que não passava de um briefing, virou meu dia a dia e, agora, cá estou, entre uma mamada e outra, escrevendo esse artigo.

Não vou falar aqui sobre todas as maravilhas e dilemas e transformações e re-priorizações que um filho traz na vida de uma pessoa, mas queria falar sobre a mudança como criativa. O olhar sobre a criação muda completamente quando passamos pelas mesmas coisas que o público-alvo. Quando vivemos uma experiência profunda, passamos a entender exatamente as necessidades funcionais e emocionais que um target tem.

Lembro especificamente de um trabalho feito para uma das marcas da Nestlé que tinha como foco falar dos pequenos momentos que antecediam os grandes marcos de crescimento. Ou seja, antes da primeira palavra, todas as balbuciadas, antes do primeiro passo, todos os tombos e todos os momentos em que um coração de mãe e de pai aceleram quando veem tudo acontecer.

Ler isso num briefing era fofo. Ouvir a cliente falar sobre a experiência dela com seus filhos, idem. Mas a verdade é que é impossível saber do real sentimento sem ter passado por essa situação.

E, pensando bem, isso não se aplica só à maternidade, mas se trata de juntar experiências, habilidades e conhecimentos específicos dos talentos criativos com trabalhos com os quais eles realmente se identifiquem.

Quando sabemos do que estamos falando e vivemos isso na pele, criamos de forma muito mais fácil, com muito mais prazer, precisão e mais verdade. E, acredite, o cliente e, principalmente, o público, sente isso.

Olhando para trás, agradeço de coração a confiança dos clientes em deixarem que uma não-mãe criasse para os seus produtos. Que baita responsabilidade. Mas que bom saber que me tornei muito melhor criativa por estar imersa nessa experiência de criação que é fazer uma criança crescer.

Para terminar, lembrei de uma coisa que um médico meu falou quando lhe disse que estava pensando em ser mãe: “Elisa, você vai ver o que vai acontecer com sua criatividade quando você for mãe. Você vai virar um floreiro.” E não é que ele tinha razão?

*Crédito da foto no topo: mfto/istock

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