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Avanços nos projetos de smart cities dependem de relações mais transparentes e colaborativas entre governos e empresas, e podem parecer utopia para muitas cidades brasileiras, que ainda padecem com a falta de serviços como os de saneamento básico


26 de fevereiro de 2020 - 14h25

(Crédito: Haydenbird/Istock)

O significado do que é uma cidade inteligente é amplo e varia dependendo do interlocutor. Há, entretanto, concordância de que a tecnologia é central para a inserção dos espaços públicos nesse conceito. E, por outro lado, de que a empreitada precisa gerar impacto positivo na qualidade de vida das pessoas. Ou seja, o avanço tecnológico e a inovação aplicados a processos, serviços e produtos têm de resultar na melhora do bem-estar humano, oferecendo benefícios tangíveis, como a economia de tempo — reconhecido por um número cada vez maior de pessoas como um de seus bens mais preciosos.

O tema das smart cities é um dos que ganham mais espaço no conteúdo de Meio & Mensagem desde o ano passado, quando foi lançado o projeto 100 Dias de Inovação, nossa principal fonte de captação de tendências para o futuro da indústria de comunicação, marketing e mídia. A temporada 2020 começou em janeiro com a Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas, nos Estados Unidos, e deveria fazer nesta semana sua segunda parada em Barcelona, onde aconteceria o Mobile World Congress (MWC). Entretanto, apenas dez dias antes de seu início, o evento, que esperava reunir cerca de cem mil participantes, foi cancelado em decorrência dos riscos de disseminação do coronavírus, gerando prejuízos de cerca de US$ 550 milhões. A equipe de jornalistas que já estava de malas prontas para a Espanha não ficou parada. Dedicou-se à preparação e à produção de uma série de reportagens que será publicada por seis semanas consecutivas até o final do mês que vem, incluindo a cobertura do South by Southwest (SXSW), de 13 a 22 de março, em Austin, nos Estados Unidos.

Nesta edição, a reportagem especial de 100 Dias de Inovação, publicada a partir da página 26, mostra que os projetos de smart cities avançam lentamente no Brasil. Entre muitos entraves, carecem de governos mais modernos, com políticas de longo prazo — uma raridade num mar de governantes que age de olho no taxímetro que os levará até as próximas eleições. Como conectar no grupo de potenciais smart cities do futuro as cidades brasileiras que ainda padecem com a falta de serviços como os de saneamento básico? Há aí, sem dúvida, um enorme desafio que depende da melhoria na administração pública e de relações mais transparentes e colaborativas entre governos e empresas. Por enquanto, é utópico acreditar que o conceito de cidades inteligentes conseguirá abraçar toda uma metrópole como São Paulo. Se para uma empresa estabelecida a dificuldade de passar por um projeto de transformação digital já é imenso, imagine para um grande centro urbano que cresceu desordenadamente. Mais factível é imaginar que irão progredir os projetos localizados de desenvolvimento humano e tecnológico para uma melhor integração social.

O caminho mais promissor para fazer proliferar as smart cities no Brasil parece ser o que os especialistas chamam de “top-down”: serviços de ponta disponibilizados por empresas de tecnologia. E aqui o passo decisivo também depende da esfera governamental, na licitação das faixas da 5G, a rede móvel de quinta geração, de altíssima velocidade, que suportará a conexão entre os dispositivos móveis (celular, TV, w earables), internet das coisas (IoT), vias que se comuniquem com carros autônomos e casas inteligentes que se integrem às smart cities. O sonho das smart cities é menos o da megalomania futurista herdada dos filmes de ficção científica ou de desenhos como o dos Jetsons, e mais o da esperança pé no chão. É fazer com que as cidades onde vivemos permitam deslocamentos mais rápidos e seguros, consumo sustentável ampliado e facilitado, e serviços públicos e privados integrados e desburocratizados.

**Crédito da imagem no topo: Slavemotion/iStock

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