O caminho sem volta da diversidade

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O caminho sem volta da diversidade

A publicidade tem papel fundamental na quebra de estereótipos e na naturalização daquilo que nunca deveria ter deixado de ser normal: a liberdade de sermos quem quisermos


4 de maio de 2021 - 13h31

(Crédito: Circle Creative Studio/ Instock)

Sou filha de radialista e durante muitos anos da minha vida pude acompanhar de perto a imensa responsabilidade dos profissionais de comunicação. Diariamente, ao abrir o microfone, meu pai tinha o poder de influenciar e impactar milhares de pessoas. Minha formação em publicidade foi fortemente guiada por essa experiência e pelo desejo de um dia poder contar histórias que jogassem luz sobre os problemas da sociedade e que de alguma forma pudessem contribuir para a construção de um mundo melhor.

Sempre atenta à missão com a qual me comprometi na juventude, acompanhei com entusiasmo nos últimos anos o avanço nas discussões e cobranças por mais representatividade, diversidade e inclusão em diversas esferas da vida social.  Discussões essas que obviamente contemplaram a publicidade, que tem o dever de refletir a sociedade, além de promover debates e reflexões que colaborem para a promoção de valores adequados à nossa época.

Sabemos que ainda temos um longo caminho a percorrer na propaganda na busca por maior representatividade. Mas, a manifestação de toda a indústria em relação ao projeto de lei que pretende excluir a população LGBTQIA+ da publicidade no estado de São Paulo, mostrou que tentativas de retrocessos não passarão em branco. Um movimento, criado pela agência Mutato, uniu agências, anunciantes e plataformas digitais contra o projeto, num esforço conjunto inédito para defender que a propaganda reflita a pluralidade da nossa sociedade.

A publicidade, que sempre esteve na vanguarda, tem um papel fundamental na quebra de estereótipos e na naturalização daquilo que nunca deveria ter deixado de ser normal: a liberdade de sermos quem quisermos. E é apenas refletindo essa multiplicidade que as marcas se conectarão de forma autêntica e efetiva com a sua audiência, que está cada vez mais vigilante em relação à consistência entre palavras e ações e vem crescentemente depositando confiança na atuação das empresas e seus líderes em movimentos de mudança em benefício da sociedade como todo.

A 21ª edição do estudo global Edelman Trust Barometer, publicado em março deste ano, mediu justamente a confiança nas instituições e o que as pessoas esperam das empresas e das lideranças no cenário de incerteza que estamos vivendo. O estudo, que ouviu mais de 33 mil entrevistados em 28 países, incluindo o Brasil, mostrou que aqui as Empresas (61%) são de longe as instituições mais consideradas como competentes e éticas ao mesmo tempo pelos brasileiros. Esse estudo, embora focado na atuação das corporações durante a pandemia, mostra a importância de as companhias expandirem suas funções, liderando mudanças que vão além do seu negócio.

A mobilização que vi na semana passada manteve aceso o meu sonho de que podemos pautar mudanças por meio da publicidade, mas precisamos, mais do que nunca, estar atentos às tentativas de restrição do nosso direito de contar histórias reais, inteligentes, plurais e que reflitam o mundo do jeito que ele é, afinal, não é mais possível separar a agenda de negócios das marcas da agenda da sociedade.

*Crédito da foto no topo: Ajwad Creative/iStock

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