Somos humanos. E sua marca?

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Somos humanos. E sua marca?

Já faz algum tempo que as marcas mais antenadas entenderam a importância da humanização e mudaram sua comunicação, aterrissando no mundo real


23 de junho de 2021 - 15h35

(Crédito: Fotografierende/Unsplash)

Não dá mais! Não adianta apenas querer anunciar seu produto, serviço ou seus diferenciais com suas técnicas mercadológicas. Nós, consumidores, almejamos muito mais do que isso. Queremos entender sua visão de mundo e seu papel enquanto empresa na transformação da sociedade e na construção de um mundo cada vez mais justo e igualitário. Empresas que trabalham apenas com foco em performance viram commodity.

Esse parágrafo poderia ser o início de um amplo manifesto popular, mas é somente uma introdução desse artigo que nos levará a entender a importância de humanizar a marca. Um processo que ganha cada vez mais relevância no nosso mercado competitivo e, muitas vezes, carente de valores bem definidos.

Esse rebranding significa repensar o que essa empresa representa no mundo. Em outras palavras, qual mensagem a empresa quer passar para seus clientes a fim de gerar uma maior identificação deles com a marca. E em meio a esse conceito, repleto de empatia, surge a necessidade de humanização.

Exemplificando esse movimento, relembro com vocês o slogan “Não me vejo, não compro”. Provavelmente já devem ter visto em algum lugar da internet esse manifesto criado por ativistas e empreendedores negros para evidenciar a ausência de representatividade na comunicação das empresas. É um ótimo exemplo. Viralizou e engajou muita gente!

Já faz algum tempo que as marcas mais antenadas entenderam a importância da humanização e mudaram sua comunicação, aterrissando no mundo real. Nesse percurso, surgiu uma avalanche de personificação. Algumas bem exitosas como são os casos do Magalu com sua Lu e do Bradesco com sua Bia.

Entretanto, humanizar uma marca vai além de criar um personagem que gere identificação por parte das pessoas, passa por ter valores e posicionamentos presentes no dia a dia corporativo (na prática) e também na comunicação. Magalu e Bradesco até expandiram suas personagens virtuais para campanhas de defesa de valores como diversidade, inclusão e combate ao feminicídio.

Outra ação foi essa: “Se você é racista ou homofóbico, a Uber não é pra você.” Quando uma marca com essa representatividade coloca na rua uma campanha na qual deixa claro o que pensa sobre preconceito, é, talvez, a melhor forma de evidenciar o seu lado humano. A partir daí, vale enaltecer suas qualidades e reconhecer seus erros como qualquer ser humano.

Nesse sentido, nós, profissionais de PR, temos muito a agregar. Desde sempre trabalhamos em prol da construção de imagem dos principais líderes da indústria, fazendo com que reverbere na reputação de marca das respectivas companhias. Nós, como ninguém, sabemos lidar com as adversidades humanas, com as crises, com os erros e com as soluções. Podemos transferir essa expertise para estratégias bem-sucedidas de comunicação humanizada.

Vale destacar que não é algo que se conquiste da noite pro dia. É uma construção de longo prazo, que passa por tudo isso acima e também por dar mais voz ao consumidor. Somente assim é possível ter uma conexão genuína e sólida, conquistar brand lovers e proporcionar a empatia desse consumidor com a marca.

Por fim, é importante reforçar que não é algo que deva fazer parte apenas da comunicação. Nós, consumidores, não queremos apenas teorias, mas sim respostas e atuações na prática. Falar o suficiente e fazer muito mais.

Parafraseando uma canção de Marina Lima, não basta para as marcas apenas estarem bem na foto. É preciso dizer a que veio.

**Crédito da imagem no topo: Eugenesergeev/iStock

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