Queridas, queridos, querides?! Uma nova alfabetização

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Queridas, queridos, querides?! Uma nova alfabetização

O fato é que nossa comunicação precisa evoluir de acordo com as transformações da contemporaneidade


25 de agosto de 2021 - 6h00

Você já se deu conta da quantidade de conceitos que têm ganhado espaço nos ambientes profissional e acadêmico? Comunicação inclusiva, linguagem antirracista e antissexista, letramento digital, diversidade corporativa etc etc etc.

O uso de termos buscando uma linguagem não binária tem mexido com os nervos de linguistas (Créditos: Magda Ehlers/Pexels)

Vivemos um momento no qual estamos reaprendendo a falar e a escrever, como também revendo nosso comportamento e o das outras pessoas. Fico muito feliz ao observar corações e mentes se abrindo, e, ao mesmo tempo, de certa forma preocupado com as polêmicas que estão sendo geradas.

A adjetivação neutra, por exemplo, tem mexido com muitos linguistas. Usar a letra “e” como forma de incluir pessoas não binárias, por exemplo, virou motivo de muito debate. “Negro, negra, negre”; “bem vindas, bem vindos, bem vindes”; amigas, amigos, amigues”… enfim, são inúmeros os exemplos do que têm surgido em diálogos e textos.

Um movimento nacional em defesa da linguagem neutra (chamada também de linguagem não binária) tem se articulado para estimular o uso do dialeto. Alvo de críticas por parte de especialistas em Língua Portuguesa, a linguagem tem sido fomentada por ativistas políticos especialmente em ambientes universitários e culturais. Lembro também que grandes empresas têm adotado manuais institucionais nos quais deixam públicas seus apoios à uma comunicação mais inclusiva.

Voltando às polêmicas, o episódio mais recente envolvendo o tema ocorreu após o perfil oficial do Museu da Língua Portuguesa fazer uma publicação nas mídias sociais com uso da linguagem neutra. A postagem foi alvo de numerosas críticas, mas foi defendida pelo secretário de cultura de São Paulo, Sérgio Sá Leitão, que sugeriu que o uso do dialeto teria algo de científico – alegação que é refutada por uma série de linguistas.

Ativistas que militam pela incorporação de palavras do dialeto – como “todes”, “menine”, “elu” e “elx” – à língua portuguesa sustentam que isso se traduz em inclusão a pessoas não binárias, ou seja, que não se reconhecem nem como mulher nem como homem.

O fato é que nossa comunicação precisa evoluir de acordo com as transformações da contemporaneidade. Não sou de forma alguma contra as regras impostas por nossa língua, tão admirada por estrangeiras, em especial os que apreciam nossa música e literatura. Sou a favor de palavras e expressões que nos envolvam, sou a favor de peças de comunicação que nos aproximem, sou a favor de atitudes (sejam pessoais ou empresariais) que verdadeiramente encarem a diversidade e inclusão como único caminho de respeito e evolução de nossa humanidade.

E as vertentes da comunicação (publicidade, jornalismo, relações públicas, marketing etc) possuem um papel de extrema relevância nesse contexto: nós formamos, nós criamos, nós propagamos. Somos responsáveis por fazer valer a tão requisitada comunicação com propósito.

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