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Atenção, assim como a confiança, não se compram. Se os algoritmos e a inteligência artificial reconfiguram nossa forma de trabalhar, a riqueza da contribuição humana nunca foi tão importante. E conciliar essas duas dimensões é para poucos.

Nossa mentalidade é earned-first. Servimos marcas que acreditam na autenticidade para ocupar espaços com legitimidade e confiança. É assim que transformamos o pulso da cultura em resultados tangíveis.

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Qual o lugar do humano na intersecção entre IA e criatividade?

Publicado em 15/10/2026 (1 dia atrás)

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2 minutos de leitura

por Rodolfo Araújo, vice-presidente de estratégia & analytics na Weber Shandwick, e líder da United Minds LATAM

 

Primeiro, vamos entender a criatividade como a capacidade, pura e simples, de trazer à luz algo produzido de maneira autoral a partir de uma questão, um dilema, um problema ou oportunidade.

Imagine que você está na quinta série do Ensino Fundamental e, de repente, precisa dar uma aula de história para os seus colegas de turma. Por onde começaria? Você teria preparo para se virar por uma hora diante deles? É a mesma coisa diante do cursor que pisca na sua plataforma de IA: se você não sabe por onde começar, organizar, editar, que critérios usar, se não tiver senso crítico para curar e triar, nada sairá – por mais que o livro de história esteja ali, aberto, diante de você.

Pois bem: esse paralelo pode ser feito diante da nossa postura com ferramentas de IA, sobretudo aquelas que nos passam a impressão de “criar” algo. As imensas bases e capacidade de aprendizado das LLMs, por exemplo, não significam que a qualidade do produto delas será necessariamente superior ao nosso potencial. Pelo contrário: são muitos neurônios disponíveis, mas que precisam de uma entrada correta, um direcionamento, uma sofisticação de edição, leitura e produção que são eminentemente humanas. A máquina, por si, padroniza, traz a média, oferece ângulos e possibilidades – no entanto, a responsabilidade continua sendo nossa.

Mas a criatividade precisa de tempo, espaço e laço. Tempo para criar, mas que nos tem sido subtraído dia após dia numa cultura de instantaneidade baseada na falácia de que a IA “faz mais rápido”. Resultado? Cada vez menos autoria, uma enorme pasteurização dos produtos finais, além do estresse, burnout e afins.

Depois, o espaço: sem vazios, sem a capacidade de identificar aquilo que não está preenchido, sem a pressão por ter respostas para tudo, é raro algo novo e útil florescer. Precisamos voltar a ter o hábito de perguntar muito mais do que preencher lacunas.

E, por último, o laço: segundo a OMS, 1 em cada 6 pessoas no mundo sofre com a solidão e suas repercussões tanto físicas quanto mentais – são 871 mil mortes por ano associadas ao problema. Somente nos EUA, as empresas perdem, em dado do Loneliness Index, USD 154 bilhões em função do problema. Sem conexões, sem alteridade, sem debate, a crítica e a capacidade criativa se esvaem. E aí o mundo se torna uma grande média governada pelas plataformas.

Precisamos dar um passo atrás e voltarmos a nos encontrar, com tempo e intenção, sem a pressa do algoritmo, não apenas para sermos criativos, mas sobretudo resgatarmos o valor do humano.