CONTEÚDO DE MARCA APRESENTADO POR:

IA para todos?

O risco de deixar milhões de pessoas para trás

Segundo dados do Banco Mundial, apenas cerca de 3% dos brasileiros possuem competências digitais avançadas. Na América Latina, a média já supera 5%. Isso significa que milhões de pessoas ainda vivem em situação de vulnerabilidade digital sem acesso, repertório ou preparo para participar da nova economia.

E o problema se torna ainda mais urgente na era da inteligência artificial.

Enquanto empresas comemoram ganhos inéditos de produtividade, uma pergunta começa a ficar impossível de ignorar: quem está ficando de fora dessa transformação?

No Brasil, o acesso à IA ainda segue a lógica da desigualdade social. Quem está no topo acelera. Quem está na base ainda tenta entender as regras de um jogo que muitas vezes nem consegue acessar.

Os dados da pesquisa TIC Domicílios 2025 mostram isso com clareza: enquanto 69% da classe A já utiliza inteligência artificial, apenas 16% das classes D e E têm acesso às mesmas ferramentas.

Na prática, estamos criando dois mercados. Um formado por pessoas potencializadas pela tecnologia. Outro, por profissionais e pequenos negócios tentando sobreviver sem acesso, formação ou letramento digital.

E esse talvez seja o maior risco da IA: não o tecnológico, mas o humano.

Uma resposta à concentração de acesso

Foi olhando para esse cenário que nasceu o Martech IA for All, movimento liderado pelo Meio & Mensagem e pela SoulCode, com patrocínio de grandes marcas, como o Grupo de Mídia de São Paulo e a NEOOH. A proposta é simples, mas urgente: ampliar o acesso ao conhecimento e garantir que a inteligência artificial não se transforme em mais um mecanismo de exclusão.

“Trata-se de um movimento inédito no Brasil, que reúne diferentes empresas com o objetivo de formar profissionais diversos, preparados e atentos ao impacto da inteligência artificial na comunicação. É uma agenda coletiva, que ultrapassa o mercado e olha para o futuro da sociedade”, afirma Marcelo Gomes, presidente do Meio & Mensagem.

Estamos vivendo uma transformação cultural profunda. E quem não entender minimamente como a IA funciona corre o risco de se tornar invisível para o mercado em poucos anos.

A IA está redesenhando o mercado

O impacto da IA no mercado publicitário já começou.

Segundo pesquisa da KPMG em parceria com o Meio & Mensagem, a inteligência artificial está transformando estruturalmente o modelo de atuação das agências brasileiras. Automação, análise preditiva, personalização em escala e otimização de mídia deixam de ser diferenciais e passam a fazer parte da nova lógica do setor.

Para profissionais de mídia, performance e marketing, isso muda completamente o futuro do trabalho.

As tarefas operacionais tendem a ser automatizadas. Em contrapartida, cresce o valor de quem sabe interpretar dados, criar estratégias, operar agentes de IA e transformar tecnologia em inteligência de negócio.

O mercado já começa a remunerar essas competências. Estudos recentes mostram que profissionais com habilidades em IA podem alcançar ganhos salariais significativamente maiores em áreas como marketing, vendas e tecnologia.

Ou seja: a IA não elimina apenas funções. Ela redefine quem terá relevância econômica nos próximos anos.

A execução muda. O diferencial humano também muda.

O risco invisível: o viés algorítmico

Existe ainda uma camada mais preocupante nessa discussão: o viés algorítmico.

A IA aprende com dados humanos. E, quando as pessoas que desenvolvem tecnologia vêm sempre dos mesmos contextos sociais, econômicos e culturais, os preconceitos também escalam.

Hoje, segundo dados da UNESCO, apenas 12% dos pesquisadores de IA no mundo são mulheres. No marketing e na comunicação, isso pode significar campanhas automatizadas que reforçam estereótipos e invisibilizam grupos inteiros em escala industrial.

Tecnologia não tem consciência moral própria. Ela reflete as intenções, prioridades e visões de quem a constrói.

Por isso precisamos de mais mulheres, pessoas negras, periféricas, pessoas com deficiência e pessoas LGBTQIAPN+ participando da construção desses sistemas. Sem diversidade de repertório, a IA não amplia oportunidades, ela automatiza desigualdades.

O paradoxo brasileiro: investimento sem formação

Ao mesmo tempo em que o Fórum Econômico Mundial projeta trilhões de dólares em crescimento econômico impulsionado pela IA, o Brasil enfrenta um problema básico: falta gente preparada.

Os investimentos crescem rapidamente. A formação de talentos, não.

E é justamente nessa lacuna que mora o maior desafio, e também a maior oportunidade, para o país.

A democratização da IA não é uma pauta social isolada. É uma estratégia de competitividade, inovação e crescimento econômico.

Porque uma indústria criativa forte depende de pluralidade de vozes, diferentes repertórios e novas perspectivas.

Mas existe um caminho possível, e ele passa pela educação.

Se investirmos agora em letramento digital e formação em IA, o Brasil pode deixar de ser apenas consumidor de tecnologia para formar operadores e criadores de agentes de inteligência artificial.

Isso significa gerar produtividade, acelerar inovação, aumentar renda e injetar milhões na economia através de uma nova força de trabalho preparada para o presente. Mais do que aprender ferramentas, estaremos formando pessoas capazes de construir soluções, liderar a transformação e participar ativamente da nova economia digital.

“A tecnologia, por si só, não corrige desigualdades. Sem intencionalidade e acesso, a IA corre o risco de escalar privilégios. Democratizar o conhecimento é o que transforma inovação em oportunidade real”, afirma Carmela Borst, cofundadora e CEO da SoulCode.

O futuro será definido pelo acesso

O futuro do trabalho já começou. E ele não será definido apenas pela tecnologia disponível, mas por quem terá acesso a ela.

A inovação só faz sentido quando gera acesso. Caso contrário, ela deixa de ser avanço. Vira exclusão em escala.