MONKS
Monks é a marca operacional global, data-driven e nativa digital da S4 Capital plc. Em todo o mundo, conta com mais de 6,5 mil profissionais, sendo 1,4 mil no Brasil. Oferece um portfólio completo, de soluções criativas a performance, sempre digital-first e baseadas em dados, criando experiências feitas para serem compartilhadas em pontos de contato eficazes. Entre seus clientes no Brasil figuram Google, Hotmart, Leroy Merlin, Magazine Luiza, Natura, Netflix, Nubank, Pringles, RD Saúde e Sucrilhos.
A morte da compra de mídia
Publicado em 13/03/2026 (48 dias atrás)
Por Luiz Fernando Ruocco, SVP Performance Monks Brasil.
O mercado publicitário vive uma ilusão de continuidade. Se você ainda encara a mídia como um mero canal de distribuição da estratégia e não como o seu próprio núcleo, é hora de recalibrar os fundamentos do seu negócio.
Para avançarmos, precisamos resgatar a distinção clássica de Michael Porter entre dois pilares que o mercado frequentemente confunde:
● Eficácia Operacional: fazer o que os concorrentes fazem, mas de forma mais ágil ou barata. É a adoção das ditas ‘melhores práticas’ – ou, na verdade, o básico para a sobrevivência.
● Estratégia: Criar uma vantagem competitiva sustentável ao realizar atividades diferentes ou executar atividades similares de maneira única e irreplicável.
Aí que está a diferença do jogo. Enquanto a maioria das agências ainda se limita a ‘comprar’ mídia, o verdadeiro diferencial competitivo está em ‘operar’ a mídia.
Do espaço comercial ao algoritmo: a evolução do ecossistema
Historicamente, a área de mídia nasceu para rentabilizar inventários de alta visibilidade. O trabalho era pautado por negociação e planejamento de grade: a busca era basicamente em estar no lugar certo, na hora certa. Era um jogo de braço de ferro por preço e posicionamento.
A digitalização transformou esse cenário em um ecossistema de complexidade exponencial.
Saímos dos formatos fixos para o leilão em tempo real (RTB), onde o bid e a segmentação granular passaram a ditar o alcance.
Em 2017 (sim, desde essa época), a inteligência artificial consolidou-se com o smart bidding, permitindo que não comprássemos apenas audiências, mas ‘sinais de sucesso’.
O custo da inércia em 2026
Chegamos à 2026 com uma inevitável pergunta: por que tantas agências ainda operam com o mindset de 2010?
Os dados são implacáveis. Um estudo recente da consultoria Lunio (o The Global Invalid Traffic Report 2026) revelou que o ecossistema global de cliques gerou nada menos do que US$ 63 bilhões em tráfego inválido.
Quando olhamos para a compra programática, um relatório da Association of National Advertisers (ANA), de agosto de 2025, apontou um desperdício alarmante de 36,5% do investimento total.
Ou seja: vender ‘impressões’ em 2026 não é estratégia. É negligência com o capital do cliente.
A inversão do fluxo: da criação isolada à operação integrada
Tradicionalmente, a Criação detinha o monopólio da estratégia porque a mídia era vista apenas como um braço de negociação.
As grandes estruturas das agências foram moldadas em torno do ‘grande filme’, o carro-chefe da campanha, enquanto a mídia se virava para ‘fatiar’ a peça e fazê-la caber nos formatos digitais.
Tudo mudou. Agora, ser estratégico exige romper com esse fluxo geracional.
Considere o modelo obsoleto: a Criação define o roteiro, o Planejamento faz um dossiê do consumidor, e a Mídia executa o corte técnico. O resultado? Relatórios inflados de impressões que ignoram a conversão real e o negócio do cliente. Não tem como dar certo.
A alternativa estratégica: mídia como operação de inteligência
Qual a saída? No lugar de campanhas sazonais, é melhor tocar uma operação always on, com um plano estratégico que crie conexão, onde a estrutura é perene e os criativos são as variáveis de teste.
Em um modelo como esse, passamos a ter:
– eficiência: otimizações contínuas podem elevar a eficiência em níveis superiores a 95%;
– inteligência de ativos: audiências e peças são testadas e retestadas por meses, principalmente para decifrar os atributos que realmente movem o ponteiro do negócio;
– produção fluida: o briefing nasce da segmentação e dos dados de performance. O roteiro não é uma peça fechada, mas um ecossistema de possibilidades para uma hiperpersonalização em tempo real. As possibilidades se tornam infinitas.
O novo indicador de sucesso
Desta forma, a ‘cereja do bolo’ deixa de ser o CPC ou o CPM. É a mensuração do investimento baseada no resultado real de negócio (incrementalidade e ROI).
Neste novo paradigma, a mídia deixa de ser um ‘departamento’ para se tornar uma operação logística de alta precisão.
Com esse contexto, a pergunta que fica para marcas e agências não é mais ‘onde vamos anunciar?’, mas sim: ‘como vamos operar nossa vantagem competitiva hoje?’. E você: como pretende ter essa vantagem?
Artigo originalmente publicado no Meio&Mensagem