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MONKS

Monks é a marca operacional global, data-driven e nativa digital da S4 Capital plc. Em todo o mundo, conta com mais de 6,5 mil profissionais, sendo 1,4 mil no Brasil. Oferece um portfólio completo, de soluções criativas a performance, sempre digital-first e baseadas em dados, criando experiências feitas para serem compartilhadas em pontos de contato eficazes. Entre seus clientes no Brasil figuram Google, Hotmart, Leroy Merlin, Magazine Luiza, Natura, Netflix, Nubank, Pringles, RD Saúde e Sucrilhos.

Precision marketing

Publicado em 20/10/2025 (192 dias atrás)

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Fernando Ruocco, SVP de Performance da Monks Brasil, em artigo para o Meio&Mensagem.

A instabilidade econômica global tem afetado profundamente o mercado publicitário — e talvez mais do que imaginamos. Um dos reflexos mais visíveis é o aumento contínuo nos custos de mídia, apontado por um relatório recente da WFA (World Federation of Advertisers) como uma tendência persistente para os próximos anos.

Diante desse cenário, o que se observa é uma mudança de comportamento por parte dos anunciantes: cortes estratégicos nos investimentos de topo de funil e foco redobrado em performance de curto prazo. Em outras palavras, menos campanhas voltadas à construção de marca e mais atenção à conversão imediata. Uma analogia útil: o fundo de funil é o que paga as contas no dia a dia; o topo é o que garante o bônus no fim do ano.

Esse movimento impulsiona a busca por estratégias mais eficientes, que maximizem cada centavo investido. É aí que entra o precision marketing, uma abordagem centrada em alocar esforços e recursos nos canais, formatos e públicos que oferecem maior retorno, com base em dados concretos e análises preditivas.

Do conceito à prática

Apesar de parecer novo, o precision marketing não é só uma buzzword. Ele exige uma profunda revisão dos processos internos e do mindset das equipes. E, para funcionar, depende de ferramentas que ajudem a entender o impacto real de cada ação, e não só o clique final.

Uma dessas ferramentas é o Marketing Mix Modeling (MMM), uma metodologia analítica que avalia simultaneamente o desempenho de diferentes canais e iniciativas para identificar a contribuição de cada um no resultado final. Ao contrário dos modelos de atribuição de último clique, o MMM oferece uma visão mais ampla, considerando toda a jornada do consumidor.

Mas é importante entender suas limitações. O MMM não entrega respostas milimetricamente exatas por plataforma. Seu papel é o de uma bússola, não de um GPS. Podemos compará-lo ao PIB: você pode não saber todos os detalhes do cálculo, mas se ele aponta para cima, há uma indicação positiva de desempenho.

ROI não é tudo

Focar apenas no ROI final pode ser uma armadilha. O trabalho do precision marketing não é otimizar só o investimento, a impressão ou o alcance isoladamente, mas melhorar o desempenho do sistema como um todo. O ROI é o resultado, mas o caminho até ele é feito de ajustes finos, testes, integrações e muita colaboração entre áreas.

Esse novo marketing exige que toda a equipe (e, mais do que isso, toda a empresa) esteja alinhada com uma cultura orientada à otimização contínua. Uma engrenagem fora do lugar pode comprometer todo o processo. Por isso, não se trata apenas de tecnologia ou métricas, mas de cultura organizacional.

O futuro da eficiência

O precision marketing desloca o centro da criatividade: sai do ego do criativo ou do diretor de marketing e vai para o comportamento do consumidor. Mais do que criar peças brilhantes, trata-se de entender onde, como e quando impactar o público de forma eficaz.

À medida que a pressão por resultados aumenta e o custo da mídia segue em alta, as marcas que conseguirem combinar inteligência analítica com agilidade operacional e foco no usuário sairão na frente. A nova era do marketing exige menos achismo e mais precisão — e, principalmente, um novo jeito de pensar.

Artigo originalmente publicado na sessão Proxxima do Meio&Mensagem.