AH! SE EU SOUBESSE!
Se eu pudesse ter um dom, gostaria de prever o futuro. Poderia me planejar melhor, controlar as ansiedades das incertezas, e até mesmo mudar as atitudes do presente.
Se eu soubesse que o dólar estaria a R$2,20 ganharia dinheiro. Se soubesse que a OGX viraria pó, não perderia dinheiro. Se soubesse resultados dos jogos, não sofreria por antecipação e até arriscaria (e ganharia) a Loteria Esportiva. Se eu soubesse quem seria a mulher da minha vida, não perderia tempo com namoros e casos. Sem graça não?
Prever o futuro é o máximo. Principalmente porque você pode mudá-lo.
Porém, deixando a fantasia de lado, prever a gente não consegue, mas sonhar, sim. O sonho é como uma previsão. Que você trabalha no presente para fazê-lo acontecer no futuro. Acontece que, além de sonhadores, a gente se depara com Profetas do Passado. Explico.
Profetas do Passado têm de monte. Pessoas que se agarram em outras épocas, quando nós éramos mais jovens, o mercado era diferente, os processos, quando existiam, eram muito menos complexos. O passado era mágico. Nostálgico. Quando lembramos do passado, nossa poderosa mente seletiva se recorda muito mais das coisas boas e marcantes e quase não se lembra das dificuldades que vivemos.
No passado não tinha mesa de compras. Não tinha concorrência. Não tinha e-mail ou SMS e por isso os contatos eram mais pessoais. Não tinha pesquisa, tinha feeling. O passado era gostoso. A gente andava sem cinto de segurança. Podia beber chope antes de ir para casa dirigindo. Não precisava desligar o celular no cinema porque não tinha celular. E quando ficava muito tempo sem ver um amigo, sentia saudades porque não o encontrava nas redes sociais e tinha assunto de sobra, pois não fazia ideia o que tinha acontecido em sua vida nos últimos seis meses. No passado, os layouts eram marcados a mão e demoravam quase uma semana para serem feitos. Por isso, refações estavam fora de cogitação.
Portanto, se você está lendo esse texto com um frio na barriga querendo muito voltar a viver o que viveu na década de 90, esqueça. Acorde. E perceba que você não é mais a mesma pessoa. As pessoas com quem você convive não têm a mesma idade que tinham há 20 anos. O mundo lá fora é diferente. Tão legal quanto (eu acho bem mais legal), porém mais complexo. Um mundo no qual quem vai vencer será quem se adaptar mais rápido a ele. Então, não tente mudar o mundo. Você não vai conseguir.
Do passado valem lembranças, não desejos. Do passado valem ver as fotos e lembrar de momentos. Do passado valem músicas que deixam boas recordações. Momentos que marcaram mas que não podem ser vividos novamente. É como dizia Lulu lá no passado: Não há tempo que volte, amor!
Fernando Figueiredo, presidente e senior partner do TalkabilityGroup®