PESQUISA

No Brasil, só 14% da alta liderança é formada por mulheres

Pesquisa aponta que topo das empresas segue masculino, na faixa de 41 a 55 anos e nas regiões Sul e Sudeste

i 28 de julho de 2026 - 15h20

Apesar dos avanços da agenda de equidade de gênero apontados por pesquisas e especialistas nos últimos anos, a alta gestão das empresas brasileiras ainda é predominantemente masculina. É o que mostra o Report de Remuneração Diretoria Executiva 2026, da Evermonte, realizado com 1.976 executivos de diretoria e C-level, que revela que 85,4% dessas posições são ocupadas por homens, enquanto apenas 14,4% pertencem a mulheres.

O estudo também traça um retrato definido da liderança corporativa brasileira. A maior parte dos executivos está na faixa entre 41 e 55 anos, que concentra cerca de 63,5% da amostra. O grupo mais representativo é o de profissionais entre 41 e 45 anos (23,6%), seguido por aqueles entre 46 e 50 anos (21,9%) e 51 a 55 anos (17,9%). Apenas 4,1% têm menos de 35 anos.

Geograficamente, a concentração também chama atenção. Quase 80% dos executivos estão nas regiões Sudeste (44,8%) e Sul (34%), enquanto Norte (4,9%), Nordeste (7,6%) e Centro-Oeste (8,6%) aparecem com participação significativamente menor. Segundo a pesquisa, essa concentração influencia o mercado de trabalho executivo e as referências de remuneração e benefícios adotadas pelas empresas.

Outro dado relevante diz respeito ao perfil das organizações pesquisadas. Quase metade, 43,8%, pertence a empresas familiares, enquanto 19% atuam em companhias de capital fechado. Multinacionais representam 17,4% da amostra, e organizações controladas por fundos de investimento respondem por 8%.

Salário é apenas uma parte da remuneração

O levantamento reforça uma mudança na lógica de remuneração da alta liderança. O salário fixo deixou de ser o único indicador relevante. Cada vez mais, bônus anuais, benefícios e incentivos de longo prazo parecem compor os pacotes executivos.

O CEO ilustra bem esse movimento. Em empresas com faturamento superior a R$ 5 bilhões, a remuneração fixa anual mediana chega a R$ 2,63 milhões, enquanto a remuneração anual total, ou seja, que considera o bônus de curto prazo, alcança R$ 4,8 milhões. Além disso, 60% desses executivos recebem incentivos de longo prazo.

A presença desse tipo de incentivo cresce conforme aumenta o porte da companhia e se espalha por praticamente todas as funções executivas, possível sinal de que retenção e geração de valor no longo prazo têm feito parte da estratégia de remuneração das organizações.