Copa: meta individual, trabalho coletivo
A Copa do Mundo, um dos maiores eventos esportivos da atualidade, especialmente pelo alcance de audiência na exposição do país-sede, não é ponto de chegada, mas de partida para a consolidação do Brasil no cenário mundial. E não somente no que tange a turismo e serviços, mas também, e principalmente, em negócios.
Nesta corrida de preparo da “noiva” para seu grande dia, irão aflorar pontos positivos e negativos, porque não é fácil realizar de maneira perfeita ações que um acontecimento portentoso como este demanda. A decisão, no entanto, já está feita e não tem volta.
Soa clichê, mas chegou a hora, definitivamente, de fazer mais do que o nosso melhor, enfrentando e solucionando cada desafio com metas, plano organizado e forte gestão, com a missão clara de conquistar o sucesso e admiração de todo o mundo – e o fortalecimento do orgulho de ser brasileiro.
Através da história da humanidade, testemunhamos que guerras, calamidades, grandes desastres e até ataques terroristas despertaram nas pessoas o sentimento de coletividade, de grupo, de unidade, materializados em um esforço descomunal comum para reconstruir e avançar a qualquer custo. Em Cingapura, no início da década de 70, por exemplo, governo, iniciativa privada e sociedade civil se uniram e consolidaram o minúsculo país, que já tinha passado por dominação portuguesa, inglesa, japonesa e malaia, num gigante da economia mundial, procurado como destino turístico, de serviços exemplares, potência financeira, portuária e acadêmica. O governo custeava estudos de jovens no exterior e assim incentivava que, formados, os profissionais voltassem para Cingapura com sentimento de gratidão e força de vontade, além das ideias e ferramentas para desenvolver o país.
Agora, é a oportunidade de o Brasil fazer o mesmo e, de uma maneira ainda maior e mais coletiva, transformar os recursos disponíveis e mostrar seu valor agregado. É o trabalho de uma só equipe de brasileiros e de todos que têm o Brasil em sua alma, compartilhando metas comuns, com o mesmo entusiasmo e incentivo, e não somente para este evento, mas continuamente. Não deve ser somente maquiagem, é preciso incorporar como parte do nosso DNA. Não tenho dúvidas de que faremos um excelente trabalho, mas deve ser aquele trabalho unido, como uma corrente, em que vamos maximizar as competências e os resultados e mostrar como é o nosso país e do que somos capazes; vamos conquistar fãs e admiradores não apenas como um destino de férias a lazer, mas como local de negócios, um bom lugar para investir e viver, devido ao seu grande potencial humano e natural. É hora de mostrar que somos muito mais do que um povo genuinamente hospitaleiro.
E os preparativos não são somente físicos, de infraestrutura, mas envolvem também questões cotidianas, como respeito no trânsito, descarte certo do lixo, a educação, o carinho. Vamos economizar somente no que tem custo; sorriso, gentileza, respeito, cortesia e preocupação com o próximo não têm custo. Vamos fazer com a alma, que assim tudo prospera.
O marketing, neste contexto, é estratégico na formatação, criação, consolidação e divulgação de tudo que for feito, de infraestrutura a serviços, desde os mais básicos aos mais inovadores. Na criação, o brasileiro é sempre destaque, vide os 67 leões conquistados no Lions Cannes 2011, o que nos deixou em quarto lugar na pontuação geral, atrás somente dos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. Os profissionais de marketing têm um papel fundamental na identificação da melhor estratégia para promover o país deixando uma marca diferente, inesquecível. É como trabalhar a imagem de uma empresa, que precisa ter sua identidade, as suas metas, a sua gestão consolidada e toda equipe almejando os mesmos resultados. É como se a Copa fosse uma meta de cada indivíduo para sua vida pessoal, profissional e como cidadão brasileiro. Vamos trabalhar para disseminar essa força de vontade, essa motivação que deve atingir a todos nós. Não é um trabalho meu, ou seu, ou dele. É um trabalho NOSSO. Como se todos nós fôssemos os “noivos” desta festa e tivéssemos que dar o nosso melhor para a preparação.
Isso não é uma missão impossível. Basta alimentar constantemente a criatividade e agir. No nosso hotel de Macaé, por exemplo, durante um evento do setor petrolífero realizado recentemente, a simples distribuição gratuita do jornal impresso de maior circulação naquela região nos apartamentos dos hóspedes, junto com um guia de serviços, facilitou a vida do cliente, que não precisou ir até a banca de jornal ou às buscas na internet para encontrar o que precisava. A informação estava ali, pronta para ele, à disposição.
Pensar globalmente, agir localmente. É este o mote da sustentabilidade ambiental e é ele que precisamos adotar. Em todos os sentidos, para todos os setores, pelo bem comum da Copa e pelo progresso do nosso país. Façamos por merecer a vitória.
* Chieko Aoki é presidente das redes Blue Tree Hotels e Spotlight Hotels