Comunidades

A importância do impacto social e econômico das favelas

Longe de ser nicho, periferia é estratégica para as marcas, mas exige abordagem correta, defende Tiago Trindadi, da Digital Favela e Muvuka

i 29 de maio de 2026 - 17h35

favelas

Tiago Trindadi, empresário e sócio da Digital Favela e da Muvuka (Crédito: Máquina da Foto)

Ignorar as pessoas que moram nas periferias do Brasil é deixar de lado cerca de 74% da população do País. Esse grupo, que trabalha, estuda, interage e consome, foi representado no palco desta edição do Proxxima pela presença de Tiago Trindadi, publicitário, empreendedor, cofundador e sócio da Digital Favela e da Muvuka.

A partir dos cases e trabalhos realizados por suas empresas, Trindadi procurou apontar como as empresas podem se conectar com o que chama de “Brasil real” de forma genuína, gerando não apenas impactos positivos como também impulsionando os negócios.

O executivo disse que não se deve abordar as favelas e periferias sob uma perspectiva romântica, como que se elaborar ações e estratégias direcionada a essa população fosse uma iniciativa social.

“Sempre destacamos a importância de trazer resultados aos anunciantes, para que as empresas vejam a vantagem de continuar naqueles territórios”, destacou o sócio da Digital Favela e Muvuka.

A atenção plena das empresas para as favelas e comunidades periféricas, no entanto, não acontece no ritmo em que poderia. Tiago Trindadi mencionou que muitas marcas ainda enxergam as comunidades como um nicho, quando, na verdade, deveriam entender que ali se concentra a maior parte da população brasileira.

Identificação e transformação

Incluir as favelas e periferias nas estratégias de comunicação vai além de oferecer produtos e serviços para que as pessoas consumam. Trindadi destacou como a representatividade é fundamental para a criação de laços genuínos.

“A gente quer se ver mais, para poder comprar mais. Quanto mais autenticidade existir e mais as pessoas se verem nas telas, mais elas irão querer consumir”, disse.

Essa representatividade é algo que também se reflete no consumo de conteúdo das populações periféricas. O empresário trouxe um dado do Data Favela que apurou que 88% dos moradores de favelas confiam mais em influenciadores de sua comunidade ou que sejam conhecidos do que em celebridades.

“Quando a pessoa está ao meu lado, sei que ela compra aquilo, que realmente consome aquilo que ela está mostrando. Trata-se de credibilidade de iguais”, pontuou.

Por fim, o executivo alertou que ser presente no território das periferias e favelas não passa apenas por se comunicar com essas pessoas ou fazer anúncios para venderem mais. É preciso entrar no dia a dia das pessoas e pensar como gerar algum impacto a partir daquela presença.

“Se uma marca apareça na favela, faz uma ação pontual e volta, ela nunca mais será lembrada”, decretou.