MONKS
Monks é a marca operacional global, data-driven e nativa digital da S4 Capital plc. Em todo o mundo, conta com mais de 6,5 mil profissionais, sendo 1,4 mil no Brasil. Oferece um portfólio completo, de soluções criativas a performance, sempre digital-first e baseadas em dados, criando experiências feitas para serem compartilhadas em pontos de contato eficazes. Entre seus clientes no Brasil figuram Google, Hotmart, Leroy Merlin, Magazine Luiza, Natura, Netflix, Nubank, Pringles, RD Saúde e Sucrilhos.
Tudo virou mídia. Mas o dinheiro está voltando?
Publicado em 13/03/2026 (32 dias atrás)
Por Luiz Fernando Ruocco, SVP Performance da Monks
Nos últimos anos, o marketing viveu uma explosão de possibilidades. Digital out of home, retail media, streaming, redes sociais, marketplaces, TVs conectadas, plataformas próprias de marcas: tudo virou mídia. O problema é que, enquanto o portfólio cresce, a capacidade de mensurar resultados não acompanhou esse ritmo.
É muita mídia acontecendo ao mesmo tempo. As marcas estão colocando dinheiro em muitos lugares diferentes, mas sem conseguir responder à pergunta mais básica: isso está funcionando?
A provocação é direta: todo dinheiro de publicidade é para vender. A diferença está apenas no momento em que essa venda acontece — agora, em um mês ou em dois anos. O desafio é saber se, de fato, aquele investimento está contribuindo para o resultado final do negócio.
O colapso da lógica tradicional de mídia
Durante muito tempo, o mercado operou com uma divisão quase automática de funções: algumas mídias servem para awareness, outras para consideração, outras para conversão. Na prática, isso fragmentou a operação.
Hoje, é comum ver uma agência cuidando do topo de funil, outra do fundo e diferentes parceiros atuando em plataformas distintas, sem que haja clareza se o usuário que viu um anúncio em um canal é o mesmo que converteu em outro.
Ou seja: você fica com um cheiro de resultado, mas não com certeza. E, para tentar explicar essa complexidade, criamos modelos de atribuição cada vez mais complicados. O resultado é um sistema caro, difícil de operar e pouco conclusivo.
A virada: mídias passam a ofertar soluções em todo o funil
É nesse cenário que surge uma mudança importante de mentalidade: a estratégia de funil single channel.
A lógica é simples (e, justamente por isso, poderosa). Em vez de espalhar awareness, consideração e conversão em plataformas diferentes, a marca passa a otimizar todo o funil dentro de um único canal, sempre que possível.
O TikTok, por exemplo, já permite isso hoje. Você consegue trabalhar awareness, criar listas de quem assistiu ao vídeo, depois falar com quem se engajou mais, e então empurrar uma oferta direta para quem está pronto para comprar, tudo dentro da mesma plataforma.
Nesse modelo, o anunciante consegue acompanhar o usuário do começo ao fim, entender onde ele avança ou abandona o processo e tomar decisões baseadas em dados reais, não em suposições.
Antes de tentar conectar tudo no cross-channel, a proposta é garantir que cada canal funcione bem sozinho. Se der certo, você coloca mais dinheiro. Se não der, você tira. Simples assim.
Awareness também vende
Outro ponto central da discussão é a revisão de rótulos históricos do marketing. Plataformas vistas apenas como espaços de awareness estão, cada vez mais, mostrando capacidade direta de gerar vendas.
O usuário não entra no TikTok só para ver awareness. O TikTok Shop está explodindo. O Kwai Shopping também. Como é que canais considerados ‘de topo’ estão vendendo tanto?
A resposta está no comportamento do consumidor, que não separa sua jornada em caixinhas conceituais. Ele descobre, avalia e compra no mesmo ambiente, muitas vezes em poucos minutos.
Para 2026, a provocação é clara: não dá mais para aceitar investimentos sem mensuração clara. Existem caminhos para isso, desde testes geolocalizados, passando por modelos de atribuição, até o marketing mix modeling (MMM). O ponto não é escolher uma única metodologia, mas parar de investir às cegas.
A gente foi dizendo ‘ok’ para tudo que surgiu: testa, põe dinheiro, testa de novo. Agora é hora de perguntar se esse mix de mídia faz sentido.
Mais do que uma tendência, a otimização de investimento em mídia passa a ser uma exigência. Não é algo que as marcas “podem considerar”. É algo que precisam fazer.
Caso contrário, o risco é simples — e alto: continuar jogando dinheiro fora em um cenário onde tudo virou mídia, mas nem tudo entrega resultado.
Artigo originalmente publicado no Meio&Mensagem.