90 anos de solidão
No momento em que o Brasil sente a pressão dos holofotes mundiais e tem a missão de dar o seu melhor, não há como não lembrar de uma geração especial de empresários, aqueles que agora estão com 90, 100 anos e, claro, indo desta para outra vida. As mortes recentes de Roberto Civita, Ruy Mesquita e, há um tempinho, de Oscar Niemeyer e José Mindlin, cuja paixão pelos livros originou uma Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, com mais de 40 mil volumes, na USP, trazem uma questão importante: quais empresários serão os sucessores destes e de tantos outros visionários do começo do século XX? Daqueles que, além de se ocuparem de seus negócios e de fazer fortuna, fizeram a diferença para o Brasil?
Inteligentes, inquietos, polêmicos… claro, nunca foram unanimidade e têm diversas gafes na trajetória. Mas o fato é que tenho visto o mundo corporativo politicamente correto dominado por compliances, polices, “missão, visão e valores”, atuação sustentável, tratados globais e causas nobres motivadas mais pelo papel do que pelo ideal das pessoas e dirigentes. Mas será que hoje em dia ainda há espaço para ser uma empresa grande não só em tamanho e no espaço que conquista, mas no legado e no desejo de deixar um Brasil melhor para nossos filhos e netos?
O foco em resultados imediatos não nos deixa tempo para pensar no País a longo prazo. Não é fácil, mas é urgente! Esse é o sentimento entre alguns bons publicitários que temos conversado.
Por aqui, estamos completando 18 anos e colocando de pé a plataforma FAB – Fábrica Avança Brasil, que reúne uma série de iniciativas “extra” trabalho, como o bate-papo que tivemos no mês passado com o navegador Beto Pandiani, um empresário que flui como a água pelos seus ideais de ecologia e preservação. Então, fica aqui um convite a todos. Tenho fé de que mais empresários brasileiros não queiram deixar o Brasil na solidão nos próximos 90 anos.
Marisa Furtado é sócia-diretora da área de inovação da Fábrica