De olho no videocase, dupla monta produtora focada em edição
Short Ribs, dos brasileiros Thiago Gripp e Brei Monteiro, que dar tratamento de cinema a cases e campanhas

Thiago Gripp e BreiMonteiro, fundadores da Short Ribs (Crédito: Divulgação)
Há cerca de um ano, dois brasileiros radicados no Brooklyn, em Nova York, começaram a trocar ideias sobre abrir um negócio 100% dedicado à construção de videocases.
Para a dupla, o videocase, adquiriu uma função primordial na trajetória de uma campanha, mas, por vezes, não recebia o devido cuidado. A combinação de conversas sobre o assunto e da vontade de tentar algo novo, fora do circuito das grandes agências, fez a dupla lançar a Short Ribs.
Em funcionamento desde novembro, a operação nasceu com a premissa de ser uma edit house, negócio comum no mercado norte-americano. Na prática, a produtora se dedica a estruturar uma narrativa audiovisual que conte a história do case da marca de maneira sedutora e informativa.
Hoje, o videocase é benéfico não somente para o profissional de criação, mas para o negócio da agência, que, por meio daquela peça, pode conquistar novos clientes, diz Thiago Gripp, sócio-fundador e managing director da Short Ribs. Os CMOs, acrescenta ele, também têm recorrido mais aos videocases em eventos ou a fim de promover o posicionamento da marca.
Um quê de trailer de cinema
“Antes, a maioria dos videocases era uma parceria. Você fazia um filme com uma produtora e ‘ganhava’ um bônus, uma liberdade para fazer um videocase. Um trazia um som, outro trazia a edição”, relembra.
Cientes da crescente importância desse trabalho, ele e Brei Monteiro viram uma oportunidade de livrar as horas dos CCOs e demais profissionais envolvidos para montar uma one stop shop que cuidasse do processo do início ao fim.
Na visão da dupla, o prêmio sempre foi importante para a indústria criativa, mas o surgimento de novos festivais e ampliação dos já existentes naturalmente levou à valorização da síntese da campanha inscrita – razão de ser do videocase.
“É preciso elencar os pontos principais da campanha. E tem um quê de trailer de cinema, porque você precisa mostrar o que é aquela peça e despertar sentimentos com ela. Dá para fazer um videocase simples, mas, diante de tantos, é necessário se sobressair. Precisa de alguma boia forte o suficiente para fazer você emergir”, avalia Monteiro.
Para além da temporada de prêmios
Apesar de a ideia da Short Ribs ter nascido do videocase, a empresa demorou meses até realizar o primeiro. O trabalho de estreia foi o lançamento do troféu Superior Player of the Match da Michelob Ultra para a Copa do Mundo Fifa 2026, que era entregue mediante votação dos fãs depois de cada partida do mundial.
“Foi um job complexo e conduzido diretamente com o cliente. Fizemos do roteiro à entrega”, relembra Monteiro. A divulgação do projeto aconteceu de maneira simultânea nas redes sociais de Messi e da Fifa.
Cientes da sazonalidade dos videocases, os sócios-fundadores passaram a se envolver em uma série de projetos de comerciais, especiais de TV e narrativas originais. Estão no portfólio trabalhos para agências como Mischief, W+K e McCann. A ideia, segundo eles, é usar o capital para ir, aos poucos se expandindo, já que, nos EUA, o mercado de edit houses é consolidado.
O escritório da Short Ribs fica em Dumbo, bairro do Brooklyn, e a dupla está investindo em uma ilha de edição. Hoje, a equipe conta com oito pessoas fixas, mas tem colaboradores espalhados por algumas partes do mundo.
Como tudo começou
Tanto Gripp quanto Monteiro já tinham quilometragem razoável em agências de publicidade no Brasil e no exterior, mas nunca haviam trabalhado juntos.
O maranhense Brei Monteiro estava na FCB Nova York, justamente às vésperas da fusão global entre Omnicom e IPG. “Não tinha perspectiva de onde ir. Mas fui freela a minha vida inteira, não tenho medo de encarar as coisas”, relembra.
Não muito longe dali, Thiago Gripp trabalhava na Ogilvy Nova York e sentia uma certa inquietação diante das movimentações do mercado de maneira geral. “Tinha vontade de explorar novos caminhos, mas continuar trabalhando com criatividade, usar 20 anos de conhecimento e aplicar em algo nosso”, conta.
Apesar de ter nascido em São Luís do Maranhão, Monteiro, que é formado em design industrial, cresceu em Florianópolis, onde trabalhou como videomaker em baladas e festivais durante o verão. Mais tarde, criou o primeiro negócio como VJ. Mais tarde, em São Paulo, trabalhou na edição de filmes em agências, ora em regime fixo, ora como freela.
Gripp, por sua vez é carioca, publicitário de formação e começou a carreira como diretor de arte na Ogilvy e na DPZ. Depois de uma temporada em São Paulo, foi para Los Angeles, onde trabalhou na R/GA e na TBWA\Media Arts Lab, e Nova York. Por lá, antes da Ogilvy, trabalhou na criação da Crypto.com e do Airbnb. Hoje, está na ponte aérea entre Rio e Nova York.