Ponto de vista - Comunicação

A tal da deferência

i 4 de agosto de 2011 - 9h44

 Você sabe que está ficando velho quando começa um texto dizendo que está ficando velho. Um outro indicador de senilidade, pelo menos na nossa profissão, é a percepção de como a falta de deferência pelo profissional ou pela agência que o contratou é cada vez maior na nova geração.

Há bem pouco tempo, quando se recebia uma proposta, a gente ficava (bom, eu pelo menos) mal, envergonhado, sem graça, afinal, iria trair a confiança de quem te deu espaço e jobs para crescer. Eu me lembro de amigos que ensaiavam discursos em casa, promoviam almoços, rodadas de chope, tudo para tentar encontrar a melhor maneira de encarar uma conversa desse tipo com o seu diretor de Criação. Medo? Claro que não. Deferência. Pura e simples. Afinal, o cara me deu um emprego, me deu um job, me deu um prêmio, me deu um aumento salarial, me deu uma puta visibilidade. O que eu dou em troca? Uma facada nas costas.

Não, eu não sou contra receber propostas ou mudar de agências, quero deixar claro. Fiz muito isso também. Cheguei a ficar apenas dois meses numa agência, por exemplo. Mas não perdi o respeito do meu diretor de Criação por isso. Mudar é do jogo. Crescer é do jogo. Não combinar o jogo é que é ruim. Meu texto não é um lamento ou um desabafo. É uma constatação. O “Tem um minuto? Posso falar com você?”, foi substituído por “Tentei falar com você mas estava em reunião. Começo amanhã na outra agência. Eles não podem esperar. Quem eu procuro no RH? Valeu aí.”
Valeu aí.

Alvaro Rodrigues é presidente e sócio-diretor geral de criação do Grupo 3+