Disponíveis para uma dança a dois
Eu acho que, de tempos em tempos, a gente deveria ir para a rua deixar a cabeça respirar. Sentado, na mesa de trabalho, a cabeça parece que vai fechando nos seus compromissos, prazos e unicamente nos trabalhos em que estamos envolvidos.
Foi isso que senti na última sexta-feira, dia 15 de julho. Sabia que iria rolar uma performance do grupo “Ghawazee Coletivo de Ação” na frente do Teatro Municipal ao meio dia. Normalmente para mim seria impensável sair da CO.R e ir para o centro ver uma performance. Mas simplesmente comecei a sentir que eu precisava me inspirar e deixar minha cabeça voar por outras histórias, sair do meu automático.
Quem vai contar como era a ação é a Adelita Ahmad, uma das integrantes do grupo:
O Baile
(Disponíveis para uma dança a dois)
Sexta feira, 15 de julho – entre 12h30 a 14h30, no momento de almoço, aproveitando o fluxo intenso de pessoas. Em frente ao teatro mais charmoso da cidade, o Municipal.
A ação
10 mulheres sentadas em suas cadeiras, em uma fileira horizontal aguardam um convite, vestidas com trajes burlescos, maquiagem carregada.





Estamos ali, para qualquer um que quiser nos levar pelos braços, nos conduzir por uma música, depositar suas fantasias, seus desejos, seus medos. Isso vale para cada uma de nós também, uma oportunidade de compartilharmos com desconhecidos as nossas próprias fantasias, os nossos próprios medos, os nossos próprios desejos.



Voltando ao meu post, se minha intensão era a de sair do automático, foi muito, muito, muito bem realizada. Segui meu faro de planejadora e minha paixão pelas pessoas e interagi com a plateia. Como se fossemos velhos amigos, todos. Todos fascinados e surpreendidos por aquele acontecimento que trouxe uma luz incrível para aquele dia comum. Essa foi, sem dúvida, a minha melhor etnografia.

Rita Almeida é sócia-fundadora da CO.R Estratégias de Inovação