Ponto de vista - Comunicação

Leve-me ao seu líder

i 12 de abril de 2013 - 8h42

A renúncia do Papa e a escolha de seu substituto, combinada com a morte de Hugo Chávez e com a eleição dos presidentes do Senado e da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, fazem a gente refletir sobre Liderança. Relaxe! Não vou repetir os muitos textos que já analisaram os mistérios do Vaticano, a quase canonização do presidente venezuelano e o desprezo de nossos políticos pelo que pensa a população. Ah, sim!, quase me esqueço dos militares da Coréia do Norte entrando na água gelada como um bando de pinguins alucinados para manifestar o quanto adoram seu presidente baby face.

Concordo que, com o nível das lideranças que temos visto ultimamente, talvez não valha a pena perder tempo com este assunto. Mas, como sou chegado a uns papos inúteis, aproveito o embalo da temática para encaminhá-la ao universo das empresas, onde é bem mais fácil encontrar inteligência do que nos governos. Perguntas-base: Quem está liderando de verdade e quem está se limitando a gerenciar? Basta ser um Nicolás Maduro (há controvérsias sobre a maturidade) para tocar qualquer negócio? Empresas da iniciativa privada podem se dar ao mesmo luxo das estatais, escalando para conduzi-las qualquer um que faça o joguinho da política dominante? Claro que não. Mas quem não conhece alguma(s) grande(s) empresa(s) onde a política é mais importante do que a atividade fim?

Fechando mais o foco: E nas agências? Quantos líderes de verdade, daqueles que inspiram suas esquipes, existem atualmente? De quantos comandantes os comandados se orgulham? Com quantos se identificam? A quantos realmente respeitam?

Mais especificamente ainda: Lideranças criativas são sinceramente desejadas / estimuladas, ou evitadas como um estorvo (desnecessário) aos procedimentos organizacionais?

Vendo os trabalhos colocados na rua, ouvindo as conversas dos colegas publicitários e dos anunciantes, começo a desconfiar de que a grande escassez do momento é de Referências. Há um desânimo assustador pairando no ar, uma falta de esperança, de tesão, de fé na possibilidade de dias mais brilhantes à nossa frente. E cada vez mais raras vozes com capacidade alavancadora se dispõem a assumir o púlpito e nos animar com exemplos edificantes. Será que a ignorância e a truculência venceram? A rapadura foi mesmo entregue assim, facinho, por uma turma de criativos cordatos, que ou se deitaram sobre confortáveis salários e abandonaram a inquietação produtiva que os impulsionava, ou foram nocauteados por um imenso saco cheio?

Cada um avalie como quiser. Do meu modesto observatório, percebo que os "gerentes" estão ganhando, que os "líderes" foram parar na lanterna, e que o mercado, obviamente, é o grande perdedor nessa corrida maluca pela redução dos investimentos, dos prazos e da qualidade. Tudo se encolhendo junto, inclusive as marcas, os profissionais e as perspectivas de futuro. 

Adilson Xavier.