Invasão dos chás, bubble teas e sorvetes asiáticos no Brasil
Mixue e Ai-CHA chegam no País com foco em qualidade, preço acessível, repertório cultural e branding

Ai-CHA abriu sua primeira loja no Brasil no bairro da Liberdade, em São Paulo (Crédito: Divulgação)
A cultura asiática não está presente no Brasil somente na música, com o K-pop, ou no audiovisual, com os doramas e k-dramas, ela também tem invadido o mercado brasileiro de bebidas e sobremesas.
Nos últimos meses, duas grandes redes asiáticas desses produtos entraram com força no País: a Ai-CHA e a Mixue, apostando em um combo formado por qualidade, preço acessível, repertório cultural, branding consolidado, eficiência operacional e experiência consistente.
Desde sua fundação em 1997, a Mixue trabalha sob o conceito de “alta qualidade com preços acessíveis. Atualmente, a companhia possui mais 47 mil unidades em operação, em um modelo com foco majoritário em franquias.
Os preços acessíveis também norteiam o modelo de negócios da Ai-CHA, que conta com itens a partir de R$ 5 em seu cardápio no Brasil. Como parte da Nanyang Group – um conglomerado com atuação em diversos setores, como alimentação e telecomunicações – a rede inaugurou sua primeira unidade no País no bairro da Liberdade, em São Paulo, em fevereiro deste ano. E atualmente conta mais de 2 mil lojas ao redor do mundo.
Mais do que uma tática de entrada no País, os preços acessíveis são fruto de uma leitura de mercado, de acordo com Matheus Diniz, head de marketing e comunicação da rede no Brasil. “O bubble tea chegou ao Brasil muito associado a um posicionamento premium e, por isso, ficou restrito a nichos. Para a categoria ganhar escala de verdade, ela precisa ser acessível no dia a dia, não só uma experiência ocasional”, complementa.
Chegada e expansão nacional
Para a Mixue, a entrada no Brasil, com sua primeira loja no Shopping Cidade São Paulo, representa um passo estratégico dentro de seu plano global de expansão, que conta com um investimento de R$ 3,2 bilhões até 2030. “O Brasil é a maior economia da América do Sul e possui um público jovem e numeroso, com grande potencial para o consumo de bebidas e sobremesas geladas”, disse a comunicação da marca.
No curto prazo, o foco da Mixue está na estruturação operacional e na consolidação das primeiras unidades. A meta é encerrar 2026 com entre 60 e 100 unidades. Já no médio e longo prazo, o objetivo é expandir de forma estruturada, com foco em franquias, tendo lojas próprias como referência de operação, levando produtos de qualidade e preços acessíveis para mais consumidores no Brasil. A expectativa é alcançar 500 unidades no País, com uma projeção otimista de chegar a 1 mil lojas até 2030.
Já a primeira unidade da Ai-CHA é uma loja própria, mas a previsão é que as próximas sejam franqueadas. O plano de expansão inicial é de 150 lojas comercializadas no Brasil em um ano. Além disso, a expectativa é que a rede inaugure um centro de distribuição em São Paulo ainda neste ano.
Para a empresa, a entrada no País representa o início de sua atuação na América Latina. A marca tem a previsão de investir anualmente cerca de R$ 100 milhões na operação brasileira. “Nossa visão é construir presença com consistência, não só velocidade. Isso passa por expansão em praças-chave, fortalecimento da marca e padronização da experiência”, revela Diniz.
O objetivo da Ai-CHA no Brasil também é educar o mercado e ampliar a base de consumidores. “Quanto mais gente entender e incorporar o produto no dia a dia, mais sustentável será o crescimento da categoria, e da marca dentro dela”, complementa.
Tradução cultural
E um dos principais desafios da chegada de uma rede de bebidas e sobremesas asiática em um país ocidental e tropical como o Brasil é justamente adaptar os sabores e o cardápio ao paladar do consumidor local.
No entanto, Diniz ressalta que a Ai-CHA trabalha com uma lógica de “tradução cultural”, não de adaptação total, ao manter elementos essenciais asiáticos, como os chás, texturas e o próprio ritual da bebida, mas trazendo ajustes de intensidade de sabor, dulçor e combinações. “O brasileiro gosta de sabores mais marcantes, mais doces e mais indulgentes”, comenta.
Além disso, a Ai-CHA também tem testado sabores localizados e observado muito o comportamento do consumidor. A rede, por exemplo, entrou no mercado brasileiro focando na limonada, mas fazendo uma adaptação no tipo de limão usado, do siciliano, muito popular na Ásia, para o Taiti, mais comum no Brasil. “O equilíbrio está em preservar autenticidade, mas sem criar uma barreira de entrada para quem está experimentando pela primeira vez”, destaca.
Por sua vez, a Mixue adota uma estratégia de manter o core da marca, somado a adaptações de localização progressivas. Neste primeiro momento, a rede trouxe produtos representativos da marca, como o Milk Tea e bebidas com perfil mais marcante de chás, preservando sua identidade asiática.
Ao mesmo tempo, a rede está ampliando gradualmente o portfólio, com a introdução de bebidas à base de frutas, alinhadas ao paladar local, especialmente considerando a forte preferência por sabores tropicais no Brasil.
Produto e experiência andam juntos
A estratégia da Mixue para atrair os consumidores brasileiros está na experiência, mas, está, crucialmente, no produto. “Acreditamos que experiência de marca e presença em redes sociais são importantes para atrair o público jovem, mas não sustentam o negócio sozinhas”, diz a comunicação da marca.
O principal pilar da rede segue sendo produto, qualidade, eficiência operacional e consistência na experiência. Para a rede, tanto a comunicação, quanto a experiência complementam esse processo, fortalecendo a identificação com a marca e incentivando a recorrência.
Para Ai-CHA, os princípios são os mesmos. “Se o produto não for bom, a experiência não sustenta”, enfatiza Diniz. No entanto, ao mesmo tempo, o executivo reforça a importância do contexto e compartilhamento para o consumo atualmente. “Pensamos a marca como uma experiência completa: visual, sensorial e social. Isso passa por loja, embalagem, naming dos produtos e, claro, presença digital”.
Para isso, no marketing, a rede trabalha muito com cultura e não só publicidade. Parcerias, creators, tendências e linguagem alinhada com o público jovem. “A ideia não é só gerar posts, mas fazer parte das conversas”, conclui Diniz.
