Contando histórias para crianças
Há poucos meses fui fazer uma apresentação para a classe da minha filha na sua escola, em Nova Déli, Índia.
A turma do Jardim da Infância de Mrs. Seth tinha 18 crianças, de cinco ou seis anos de idade.
A apresentação foi marcada para o início do dia, às 8 da manhã. Todos os alunos e alguns pais, nenhum brasileiro, compareceram para me ver falar sobre o Brasil e o Carnaval.
Mrs. Seth pediu que eu falasse por 15 minutos e apresentasse da forma que eu achasse melhor.
Como todo bom marketeiro, preparei uma apresentação em powerpoint e passei para o iPad, pra ver se impressionava as crianças. Infelizmente a técnica não funcionou porque aparentemente os pais de todas aquelas crianças deviam ter comprado iPads bem antes do que eu.
Se você acha difícil fazer uma apresentação para o board de sua empresa, precisa tentar apresentar para crianças de cinco anos!
Não quero comparar as consequências de uma má apresentação para cada um desses grupos, mas o fato é que manter crianças de cinco anos atentas por 15 minutos é tão ou mais difícil do que manter um grupo de altos executivos focados numa reunião pelo mesmo tempo.
Altos executivos são práticos e não querem saber de blá blá blá. Graças às suas demandas, passamos de “reports” para “apresentações”, de “executive summaries” para “bullet points” e finalmente, “headlines num elevator speech”!
Ou seja, o tempo que prestam atenção a um dado assunto é equivalente ao das crianças. No final, a apresentação foi um sucesso, e fiquei com a maior moral com a minha filha por dias.
Depois dessa experiência, resolvi listar algumas técnicas que usei com a classe da minha filha e que, em geral, são úteis em apresentações para o board:
1) Seja breve. Se tem 15 minutos, prepare-se para apersentar em cinco.
2) Não encha seus slides de texto, isso só atrasa o seu ritmo. Afinal, eles estão lá pra ver você, não os slides.
3) Leve brinquedos para ilustrar a conversa. No caso da minha filha, foram instrumentos musicais que fizemos com garrafas vazias de Coca-Cola. Na sua reunião, podem ser mock-ups de embalagens, os prêmios da promoção, etc. Faz a conversa ficar mais concreta e ao mesmo tempo, lúdica.
4) Crie jogos com perguntas e prêmios. Ambos os targets são muito competitivos.
Mas acima de tudo, não fique chateado se metade da turma debandar ou parar de prestar atenção… sabe bem como são as crianças de hoje.
* Ricardo Fort é diretor-global de marcas da Danone Paris