Ponto de vista

Expatriado

Expatriação não é o único caminho para o sucesso profissional ou realização pessoal. Nos últimos tempos, no entanto, tornou-se algo cada vez mais valorizado pelo mercado

i 19 de fevereiro de 2015 - 3h29

Sinto muito: viajar de férias para Londres não conta como “experiência internacional” no seu currículo.

Quase todo mundo diz querer ser expatriado. Mas quando a oportunidade finalmente aparece, a maioria muda de ideia. Alguns por que o marido ou esposa não pode abrir mão da carreira, outros pelas finanças e alguns por medo mesmo.

Expatriação não é o único caminho para o sucesso profissional ou realização pessoal. Nos últimos tempos, no entanto, tornou-se algo cada vez mais valorizado pelo mercado.

Nos últimos 13 anos eu e minha família nos mudamos muitas vezes. Isso não é mérito meu mas sim delas, que gostam muito de viajar. Atlanta, Rio de Janeiro, Nova Délhi, Paris e São Francisco. Lá em casa há um par de sofás que são clientes ouro da Star Alliance de tanto que se mudaram.

Nem todas as mudanças foram fáceis mas todas valeram muito tanto no lado profissional quanto pessoal (as histórias da Índia ficam para um outro post).

Quando uma empresa contrata alguém com experiência internacional ela não busca o conhecimento específico de um mercado ou de outro. O que elas procuram são pessoas que tenham sobrevivido e se dado bem em ambientes diferentes do seu habitat natural.

E como os ambientes podem ser diferentes… A começar pela forma que alguns se expressam.

Quando americanos, indianos e franceses encontram um problema, cada um trata de um jeito. O americano chama de oportunidade, o indiano não assume sua existência enquanto o francês chama mesmo de “une merde”.

A principal bagagem que a expatriação deixa é entender que sempre há um jeito diferente de ver a mesma situação. Quando você percebe isto, sua capacidade de resolver problemas aumenta porque você nunca se satisfaz com a primeira resposta que encontra. E isso tem muito valor pra quem contrata.

Se você gosta de aventuras e tem paciência de sobra, vá em frente e voluntarie-se para algum projeto fora do Brasil. Vale a pena. Caso contrário, continue viajando nas férias. Pode até não ajudar na carreira, mas não há investimento melhor no mercado.  

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Ricardo Fort (@SportByFort) é executivo de marketing internacional baseado em São Francisco, Califórnia